Dois militares suspeitos do homicídio de ajudante de "toca-toca" na Guiné-Bissau
Dois militares guineenses são suspeitos do homicídio de um ajudante de transporte público, que motivou uma manifestação hoje em Bissau, informou o Ministério Público, que pede prisão preventiva para ambos como medida de coação.
Numa nota à imprensa a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público adianta que "requereu hoje ao juiz de instrução criminal a prisão preventiva para os dois agentes da força de Defesa e Segurança alegadamente envolvidos no espancamento até à morte" do ajudante de "toca-toca", os tradicionais transportes públicos da capital da Guiné-Bissau.
O caso ocorreu no dia 31 de dezembro de 2025 na linha semi-urbana Matadouro, Quelelé, Bor e, segundo os relatos que têm sido noticiados na imprensa guineenses, os dois militares terão agredido o jovem que controlava as entradas no "toca-toca".
No comunicado, o Ministério Público informa que "os dois agentes da força de Defesa e Segurança estão indiciados por crime de homicídio" e que incorrem numa pena de prisão "não superior a 16 anos", devendo aguardar julgamento em prisão preventiva, se o requerimento for aceite pelo juiz.
O magistrado do Ministério Público titular do processo invocou, no pedido de prisão preventiva, "alegado perigo de fuga e perturbação do normal andamento do inquérito".
O caso motivou hoje, em Bissau, uma manifestação a pedir justiça, organizada pelo Coletivo dos Líderes e Ativistas de Bôr para Ação e pelos familiares da vítima, que foi dispersada pela polícia com disparos para o ar e gás lacrimogéneo, de acordo com a imprensa guineense.
A manifestação resultou ainda em dois feridos e várias detenções, segundo o jornal O Democrata, que escreve que entre os detidos estão "o presidente, o secretário e um terceiro membro do Coletivo".
O jornal refere ainda que os feridos terão sido alegadamente vítimas de agressões policiais e que uma mulher terá sido atropelada por uma viatura da polícia.
À iniciativa a pedir justiça para a vítima juntaram-se os motoristas de "toca-toca" da linha onde ocorreram os factos, que pararam para expressar solidariedade, segundo o jornal.