É preciso acabar com "o preconceito" que em Cabo Delgado "é só terrorismo" defende PR moçambicano
O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, disse hoje ser necessário acabar com "o preconceito" de que em Cabo Delgado "é só terrorismo", valorizando a retoma das obras do megaprojeto de gás da TotalEnergies em Afungi.
"Existe esse preconceito de que em Cabo Delgado é só terrorismo. Quando se fala em Cabo Delgado, o que aparece é terrorismo a seguir. E era necessário mostrar ao mundo, ao país, à região e ao continente que em Cabo Delgado, em Afungi, a obra foi retomada de facto", disse Chapo, em conferência de imprensa.
O chefe de Estado e o presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, visitaram hoje o complexo de Afungi, Cabo Delgado, para lançar a retoma oficial do projeto, quase cinco anos depois da suspensão, na sequência da decisão da petrolífera francesa, líder do consórcio Mozambique LNG, de acionar a cláusula de `força maior`, face aos ataques terroristas na região.
Trata-se de um projeto avaliado em 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros) com capacidade para produzir 13 milhões de toneladas por ano (mtpa) a partir da bacia `offshore` do Rovuma, agora, de novo, em desenvolvimento, depois de a TotalEnergies ter levantado em outubro a `força maior`, alegando a melhoria das condições de segurança.
"O significado é muito simples. Nós sabemos muito bem que, aquando da invocação da `força maior`, o motivo que foi invocado foi terrorismo e segurança em Cabo Delgado (...) Neste momento, se eu dissesse em Maputo, sentado, que tem 5.000 trabalhadores em Afungi, ninguém havia de acreditar. Nós estivemos aqui juntos, presenciámos o equipamento, presenciámos as frentes da obra em simultâneo", apontou Chapo.
Para Patrick Pouyanné, a segurança foi o único motivo que levou a esta suspensão e o dia de hoje responde às dúvidas que ainda esta semana ouviu de investidores na Índia, sobre se o projeto de Afungi "era real ou não".
"Este dia é importante. Sim, o projeto existe. Vê-se que progrediu", disse o presidente da TotalEnergies, considerando normal a auditoria decidida pelo Governo aos custos provocados pela suspensão, confirmando que esse período de quatro anos e meio não contou para o tempo da concessão atribuíoda à Area 1, e que a prioridade e avançar com o projeto, analisando esses valores mais tarde.
A previsão avançada hoje é chegar a 17.000 trabalhadores na fase de construção do complexo, com o início da exportação de Gás Natural Liquefeito (GNL) previsto para 2029, com Daniel Chapo a garantir que as oportunidades, para os jovens, estão em Cabo Delgado.
Questionado sobre as garantias para o futuro, o Presidente assumiu que "existem condições objetivas em termos de segurança".
"Nós estamos a trabalhar para fazer tudo por tudo para que o projeto não volte a parar", afirmou Chapo, sublinhando que atualmente, contrariamente a 2021, "não há nenhuma vila do distrito da província de Cabo Delgado que se encontre ocupada".
"Isto é um sinal claro de que a segurança melhorou em Cabo Delgado, mas tem havido ataques esporádicos às aldeias. Mas também tem havido chantagem no sentido de que às vezes sequestram pessoas e exigem valores para resgate", afirmou o Presidente, garantindo sobre a situação atual: "é melhor do que aquela em que nós nos encontrávamos".
A TotalEnergies indica que a primeira entrega de GNL da primeira linha a instalar em Afungi passou de julho de 2024, como estava previsto antes da paragem, para o primeiro semestre de 2029.
Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo este da TotalEnergies e outro da ExxonMobil (18 mtpa), de 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros) que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi.
Soma-se o da italina Eni, que já produz desde 2022, cerca de sete mtpa, a partir da plataforma flutuante Coral Sul, que será duplicada a partir de 2028 com a segunda plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).