Eleição de presidente pró-curdo de município do leste turco validada após recurso

por Lusa

Um responsável do principal partido pró-curdo da Turquia, cuja eleição no domingo para uma cidade do leste do país tinha sido invalidada em favor de um candidato do poder, foi declarado vencedor do escrutínio, anunciou hoje o seu partido.

"Devido à resistência do povo curdo, dos nossos amigos e democratas, foi decidido atribuir o mandato de presidente do município da região metropolitana de Van a Abdullah Zeydan", congratulou-se o partido de esquerda e pró-curdo Partido da Igualdade e Democracia (DEM), ex-Partido Democrático dos Povos (HDP), em mensagem na rede social X.

Terceira força política no parlamento turco, o partido recorreu hoje perante o Alto Conselho Eleitoral para contestar a invalidação da eleição de Zeydan em Van, a grande cidade de maioria curda situada próximo da fronteira iraniana.

A decisão do Alto conselho eleitoral, anunciada na terça-feira, originou fortes tensões na cidade e manifestações e movimentos de contestação por várias zonas do país, incluindo Istambul.

"A vontade da população de Van prevaleceu", regozijou-se o copresidente do partido, Tuncer Bakirhan, em mensagem na rede social X.

Previamente, Bakirhan tinha-se referido a um "golpe".

Abdullah Zeydan foi eleito no domingo com 55,48% dos votos, contra 27,15% do seu principal rival do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder desde 2003, derrotado no escrutínio municipal de domingo em numerosas cidades do país.

Segundo o DEM, a comissão eleitoral local tinha contestado na sexta-feira os direitos políticos de Zeydan, a menos de 48 horas do escrutínio.

Eleito deputado em 2015, Abdullah Zeydan foi detido no ano seguinte, acusado designadamente de ter assistido ao funeral de membros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), um grupo armado considerado como terrorista por Ancara e aliados ocidentais.

O Governo turco do Presidente Recep Tayyip Erdogan acusa o DEM de ligações ao PKK, o que o partido nega.

Zeydan acabou por ser libertado no início de 2022.

Devido ao ambiente de tensão em Van, o município proibiu hoje as manifestações na região, e a entrada durante 15 dias de "grupos ou indivíduos suscetíveis de participar em concentrações ilegais" na província.

Cerca de 90 pessoas foram detidas em Van e em outras seis cidades por terem protestado contra a decisão do Alto Conselho Eleitoral, anunciou na manhã de hoje o ministro do Interior, Ali Yerlikaya.

Dez advogados também foram detidos durante uma concentração frente ao Palácio da Justiça de Van, indicou a associação de advogados MLSA.

Cerca de 50 autarcas do partido pró-curdo eleitos em 2019 foram substituídos por administradores designados pelo Estado.

"Aquilo que aconteceu em Van é totalmente grotesco", reagiu no início da tarde de hoje o presidente do município de Istambul, Ekrem Imamoglu, reeleito no domingo pelo Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), a principal força da oposição e o vencedor das eleições municipais de domingo.

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