Eleições Europeias. CDU quer conversações para a paz na Ucrânia

por RTP

Foto: Joana Gonçalves Almeida - RTP

Na véspera da visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Portugal, o cabeça de lista da CDU às eleições europeias espera que o Governo português aproveite a oportunidade para "reafirmar a sua disponibilidade para contribuir para uma urgente solução de paz na Ucrânia e segurança na Europa". Em entrevista ao Telejornal, na RTP, o candidato da CDU às eleições europeias, João Oliveira, defendeu que "a Europa devia empenhar-se numa solução de paz que permitisse um cessar-fogo o mais rapidamente possível".

Questionado pelo jornalista da RTP João Adelino Faria sobre a possibilidade da União Europeia deixar de ajudar a Ucrânia perante a ofensiva russa, João Oliveira afirma que a CDU – Coligação Democrática Unitária (PCP-PEV) recusa continuar a dar apoio militar à Ucrânia.

"Nós recusamos as medidas de continuação da guerra", afirmou João Oliveira. Isto “significa acabar com o militarismo, acabar com a corrida aos armamentos” dos últimos anos, acrescenta.

João Oliveira admite condenar a invasão da Ucrânia, por parte Rússia, mas relembra que a CDU também condena os Estados Unidos, a NATO e a União Europeia pelas responsabilidades que têm nesta guerra.

Durante a entrevista, o cabeça de lista da coligação de esquerda acusou a União Europeia de "nunca se ter empenhado verdadeiramente" numa tentativa de cessar-fogo. "Aquilo que temos visto é precisamente o oposto, é uma insistência militar (…), nos últimos dois anos, deu os resultados que estão à vista", afirmou. "Mais mortes, mais destruição", concluiu adiante.
Portugal deve preparar-se para saída do Euro
O candidato da CDU defende que Portugal "ficaria melhor sem condicionamentos" e que o país estava melhor "com taxas de juros adequadas" à realidade do país.

"Estávamos melhor com taxas de juros adequadas às nossas famílias, às nossas pequenas e médias empresas? Estávamos.", disse João Oliveira.

O cabeça de lista da CDU às eleições europeias acredita que Portugal deve preparar-se no futuro para sair do Euro. "Aquilo que nós achamos é que o país deve preparar-se para isso, independentemente das decisões em Bruxelas, nós devemos preparar-nos para isso", argumentou.

Confrontado com o resultado das eleições regionais na Madeira, no domingo, o candidato da CDU não receia que tenham reflexo nas eleições europeias e acredita num bom resultado da coligação de esquerda. "Como disse, não é possível transpôr resultados de umas eleições para as outras", disse. 

"Aquilo que vamos encontrando são palavras de ânimo, de reconhecimento do nosso trabalho, inclusivemente de gente (...) que não está habituda a votar na CDU", contou João Oliveira.

Voz forte no Parlamento Europeu

O candidato da CDU não vê como positiva a adesão de Portugal à CEE e posteriormente à União Europeia. João Oliveira criticou a situação de dependência e atraso produtivo em que o país se encontra, mas também a incapacidade de reter jovens no país e de oferecer melhores salários, que no seu entender, estão mais distantes da média da UE.

"Há uma incapacidade de manter os jovens no país", criticou.

Face aos condicionamentos impostos por Bruxelas, João Oliveira defende que Portugal tem "de ter uma voz forte no Parlamento Europeu - contra e a favor - contra as políticas que nos prejudicam (...) e a favor daquelas que verdadeiramente nos sirvam para resolver os problemas do nosso povo", afirmou.



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