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Embaixador em Lisboa desdramatiza ausência do novo aiatola em público

Embaixador em Lisboa desdramatiza ausência do novo aiatola em público

O embaixador do Irão em Lisboa desdramatizou hoje a ausência do novo líder supremo iraniano em público, a promessa de Mojtaba Khamenei vingar a morte do pai, responsabilizando os EUA pelo conflito entre Teerão e Washington.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
José Sena Goulão - Lusa

Em entrevista à Lusa, Majid Tafreshi sustentou que a promessa do novo aiatola foi feita num contexto associado ao fim das cerimónias fúnebres de Ali Khamenei, morto a 28 de fevereiro na sequência de bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel e cujas exéquias terminaram a 09 deste mês.

"O Irão está a seguir o que assinou [no acordo de cessar-fogo]. Esse valor islâmico é um valor da civilização, que quando se assina algo, tem de se obedecer. Os Estados Unidos muitas vezes ignoraram e corromperam aquilo com que concordaram", argumentou o diplomata iraniano.

E é nessa base que Tafreshi considerou que se Mojtaba Khamenei ainda não apareceu em público desde que foi nomeado líder supremo do Irão, a 08 de março, tal se deve a "razões de segurança".

"Isso é um problema de segurança. Os nossos inimigos estão a procurar encontrar pessoas inocentes. Como pode o nosso novo líder estar numa situação muito segura e sair? É um problema de segurança", disse, realçando, contudo, que Mojtaba Khamenei "já aparece" em mensagens.

"Já apareceu. A comunidade internacional e os iranianos estão a receber as suas mensagens. Não são mensagens de [a plataforma] ChatGPT. Ele está a escrever. Mas tudo depende das questões de segurança. O importante é que está em funções, nomeou muitas pessoas para cargos políticos e judiciais. Está a fazer o seu trabalho. O que é importante para o nosso próprio povo é a sua segurança", acrescentou.

O diplomata iraniano insistiu, por outro lado, na soberania do Irão sobre o estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto das exportações mundiais de petróleo, considerando que as leis internacionais e o Direito Marítimo estão do lado de Teerão.

Questionado sobre quem está a violar o protocolo de acordo de cessar-fogo, assinado a 17 de junho, Tafreshi apontou o dedo aos Estados Unidos, "que adicionaram o estreito de Ormuz à guerra", atacando "sem razão nenhuma" cerca de uma centena de navios iranianos "inocentes".

"Devia perguntar sobre aqueles que estão a violar a paz e a segurança, não somente no território da Irão, mas também nas águas territoriais iranianas e ainda no estreio de Ormuz. Os Estados Unidos são a principal causa dessa violação. Eles afirmam que têm o direito de garantir uma passagem segura. [...] Os EUA são anti-internacionalistas, anti-oficiais, anti-soluções orientadas para a paz", argumentou.

Tafreshi reivindicou que o Irão procura a paz, exemplificando que não atacou os países árabes nos últimos 200 anos, mesmo quando os países muçulmanos apoiaram o regime do antigo presidente iraquiano Saddam Hussein durante os oito anos de guerra (1980-88), admitindo que o faz agora, mas só ao atacar as bases militares que os Estados Unidos criaram "sem qualquer razão" na região.

"O que queremos é ver-nos livre dos estrangeiros. O Irão tem maturidade suficiente para manter a paz e a segurança em toda a região. Não precisamos de atores estrangeiros na nossa região", afirmou.

"Se os estrangeiros vierem, são muito bem-vindos, mas para investimento, para encorajar a paz e não para criar bases militares. O significado das bases militares e de um elevado orçamento de defesa na Europa é a guerra. Não se pode falar sobre um orçamento de defesa e não falar sobre o que é alimentar uma guerra", referiu.

Para Tafreshi, ninguém no Irão quer guerra, pelo que deve haver "uma verdadeira negociação com foco no compromisso com a paz".

"O Irão precisa de turistas, não de terroristas, precisa de investimentos, não de ataques e violações. Para isso, não é importante quem está no poder. É a filosofia de poder ter um país mais seguro e mais orientado para o bem-estar. O que precisamos é de paz e segurança", sustentou.

Nesse sentido, o diplomata iraniano defendeu, sem fazer referência ao programa nuclear do país, que o Médio Oriente deve tornar-se uma "zona nuclear livre".

"Precisamos de uma zona nuclear livre no Médio Oriente, livre de armas químicas e biológicas, de armas químicas. As pequenas empresas podem fazer algo cem vezes mais do que há 20 anos, porque há mais tecnologia", defendeu.

"As pessoas encontram-se em todos os fóruns. Agora, no Campeonato do Mundo, as pessoas juntam-se e falam juntos. Não perguntam a nacionalidade nem em que acreditam. Gostarão de ver futebol, de ouvir música, ou de trabalhar juntos. Isso é importante. Se os políticos acreditam que são os verdadeiros representantes da sua própria nação, então devemos tentar minimizar o risco de tensão e criar cada vez mais compromissos" para a paz, concluiu.

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