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Encontrado corpo de vereador sul-africano desaparecido nas cheias em Moçambique

Encontrado corpo de vereador sul-africano desaparecido nas cheias em Moçambique

A autarquia sul-africana de Ekurhuleni confirmou hoje a morte do vereador Andile Mngwevu, daquele município, nas cheias em Gaza, sul de Moçambique, cujo corpo foi encontrado cerca de dez dias após ter desaparecido.

Lusa /

Numa nota divulgada pelo município, nos arredores de Pretória, o presidente, Nkosindiphile Xhakaza, confirmou a morte e manifestou "choque e profunda tristeza", recordando as suas funções como responsável pelo Planeamento de Estradas e Transportes.

"Perdeu tragicamente a vida após o veículo em que seguia ter sido arrastado pelas cheias em Chókwè", lê-se no comunicado, acrescentando que a morte foi confirmada "após dias de buscas" na sequência das cheias em Moçambique, a 500 quilómetros de Chókwè.

"O vereador Mngwevu era um funcionário público empenhado que dedicou a sua vida a melhorar a mobilidade, o desenvolvimento de infraestruturas e a prestação de serviços para as pessoas que servia. A sua morte é uma perda profunda para a cidade, para a Câmara Municipal e para toda a comunidade", afirmou Xhakaza.

"A cidade expressa ainda as suas condolências ao povo de Moçambique, afetado pelas recentes cheias, e junta-se no luto pelas vidas perdidas em consequência desta tragédia", refere-se ainda no comunicado.

O político sul-africano desapareceu em 18 de janeiro precisamente numa das áreas mais afetadas pelas cheias em Moçambique, juntamente com os restantes quatro ocupantes da viatura, que foi arrastada. As autoridades sul-africanas destacaram uma missão de resgate, que chegou a conseguir estabelecer contacto com uma das pessoas do grupo.

O número de mortos nas cheias das últimas semanas em Moçambique subiu terça-feira para 14, com quase 155 mil casas inundadas, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, com dados até às 15:30 (13:30 de Lisboa) de terça-feira, as cheias que se registam em vários pontos do país já afetaram 691.522 pessoas, equivalente a 151.962 famílias, ainda com 14 mortos - mais dois face a segunda-feira -, 3.447 casas parcialmente destruídas, 771 totalmente destruídas e 154.797 inundadas.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias ainda aguardam resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, há a registar 137 mortos, além de 148 feridos e 812.335 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Até 16 de janeiro, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.

Estão atualmente ativos 100 centros de acomodação, com 94.657 pessoas. Nesta atualização, contabiliza-se ainda que foram afetadas, desde 07 de janeiro, 229 unidades sanitárias e 353 escolas, quatro pontes e 1.336 quilómetros de estrada.

O registo do INGD aponta ainda para 286.003 hectares de área agrícola afetados, atingindo a atividade de 215.549 agricultores, além da morte de 325.578 cabeças de gado, entre bovinos, caprinos e aves.

Prosseguem ações e tentativas de resgate de famílias sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.

A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Noruega, Angola, Timor-Leste e Japão já anunciaram e enviaram ajuda humanitária de emergência.

Estão envolvidos nas operações de resgate mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.

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