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Entre danças e sons. Os animais também têm eleições e os seus próprios sistemas de voto

por Mariana Ribeiro Soares - RTP
Foto de Boba Jaglicic na Unsplash

Não é só entre os seres humanos que se vota para a eleição de um líder ou para uma tomada de decisão. Também acontece no reino animal. Em alguns casos vivem em democracia, noutros numa autocracia e em várias espécies são as fêmeas ou as matriarcas que têm o poder de decisão.

Tal como os seres humanos, os animais vivem em grupo e, como tal, precisam de tomar decisões em conjunto para manter a harmonia. Quer seja para proteção, para encontrar alimento ou ninho, os animais precisam de chegar a consensos e, por isso, têm os seus próprios métodos eleitorais.

Não se dirigem às urnas para votar, mas em certos aspetos os métodos eleitorais são semelhantes aos que existem no “mundo humano”. Alguns vivem em democracia, onde a opinião de todos os animais é válida; noutros casos apenas uma parte do grupo tem o direito a votar e noutros vigora uma autocracia, em que todo o poder está concentrado no líder.

Nestes últimos casos, muitas das vezes são as fêmeas ou as matriarcas que detêm o poder. O exemplo mais conhecido é o das abelhas. Em cada colmeia existe uma abelha rainha, mas no que respeita à escolha do novo ninho, o trabalho é de grupo e são as chamadas abelhas exploradoras que tomam a decisão final.

Quando o grupo de abelhas cresce e a colmeia começa a ficar sobrelotada, a rainha e metade do grupo abandonam o ninho em busca de um novo lar, ficando uma jovem rainha a governar a antiga colónia.

Centenas de abelhas exploradoras partem à busca de um novo lar, inspecionando cada cavidade das árvores e avaliando fatores como o tamanho, exposição solar, humidade e temperatura até encontrarem o local ideal.

No final de cada missão, quando as abelhas exploradoras julgam ter encontrado o sítio perfeito, regressam à colmeia e dão então início à campanha eleitoral. Numa espécie de dança, cada uma comunica às restantes abelhas o local que encontrou. Gradualmente, algumas das abelhas exploradoras mudam as suas coreografias para combinar com a de outra abelha, por considerarem que a sua oferta imobiliária é melhor.

Quando um grande número de abelhas está a dançar a mesma coreografia, a decisão está tomada e todas voam em direção ao novo lar.
As fêmeas e a matriarca decidem
No mundo dos elefantes e dos búfalos, são as mulheres que tomam as decisões. No caso dos elefantes, não há mesmo democracia e todo o poder de decisão cabe à matriarca.


É a elefante mais velha do grupo que decide onde e quando comer e é a responsável por levar a manada a encontrar água durante a seca.

No caso dos búfalos, não é a matriarca mas são as fêmeas que comandam a manada. Quando um rebanho está deitado a descansar e um búfalo se levanta e olha para o horizonte, este está na verdade a votar na direção que devem seguir para pastar.

Tal como explica o jornal El País, em 1990, Herbert Prins, professor de Ecologia da Universidade de Wageningen, nos Países Baixos, percebeu que eram apenas as fêmeas que se levantavam e que estavam, na verdade, a exercer o seu direito de voto. Antes de se deitarem novamente, as fêmeas olham numa determinada direção durante alguns segundos. Depois de todas expressarem as suas preferências, o rebanho segue na direção que recolheu mais votos.
Suricatas são mais liberais
Já os suricatas vivem perante um regime mais liberal dado que qualquer um, independentemente do sexo ou idade, pode ter o poder de decisão.

Quando saem das suas tocas, cada suricata parte à busca de comida. Cada um procura a sua própria refeição, mas deslocam-se em grupos, que variam entre seis a 19 indivíduos.

Dado que vivem no deserto, os suricatas procuram por comida na areia e não conseguem comunicar visualmente. Recorrem, por isso, aos sons para se guiarem. Emitem um som chamado de “proximidade” para evitarem ficar longe uns dos outros e usam um outro som – que os especialistas apelidam de “chamada de movimento” – quando querem mudar de local.

Um estudo publicado em 2010 mostrou que apenas dois suricatas, machos ou fêmeas, a emitirem a “chamada de movimento”, é suficiente para fazer todo o grupo mudar de direção.
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