Erdogan entrega Prémio Ataturk da Paz a Guterres pelo trabalho com refugiados e Gaza
O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, entregou hoje o Prémio Internacional da Paz Ataturk ao secretário-geral da ONU, António Guterres, pelos seus "esforços determinados" na procura de uma solução política na Palestina e pelo trabalho em prol dos refugiados.
"Recordaremos sempre com admiração a sua posição contra uma das maiores atrocidades do nosso tempo, que é Gaza", frisou Erdogan durante a cerimónia de entrega dos prémios, realizada no palácio presidencial em Ancara.
"O senhor manteve uma postura firme contra esta selvajaria que põe à prova os valores da humanidade. Nunca vacilou no seu trabalho determinado em prol de uma solução de dois Estados baseada nos princípios das Nações Unidas", acrescentou o governante turco sobre o trabalho do político português.
O chefe de Estado turco elogiou ainda o trabalho do secretário-geral da ONU, cujo mandato termina em dezembro próximo, na proteção dos refugiados.
Ancara anunciou a atribuição do prémio em outubro passado, mas a cerimónia teve lugar agora, com Guterres a realizar uma "visita de solidariedade do Ramadão" à Turquia, "em homenagem à generosidade do povo turco, que acolheu o maior número de refugiados" durante o seu mandato, referiu o diplomata português na rede social X.
O Prémio Ataturk, criado em 1986, inspira-se no princípio "Paz em casa, paz no mundo", defendido pelo fundador da República laica da Turquia, Mustafa Kemal Ataturk (1881-1938).
Entre os anteriores laureados com este prémio encontram-se o Presidente alemão Richard von Weizsäcker, em 1987, mas também o ditador turco Kenan Evren (1990) e o líder autoritário do Azerbaijão, Heydar Aliyev (1999).
Em 1992, Nelson Mandela recusou a condecoração, alegando o historial repressivo da Turquia, mas, enquanto presidente da África do Sul, mudou de ideias e aceitou-a em 1999.
Guterres é a primeira pessoa a receber esta distinção desde 2000, quando foi atribuída a Rauf Denktas, então presidente da autoproclamada República Turca do Chipre do Norte.
O Governo não apresentou uma explicação oficial para a descontinuação da condecoração desde então.