Escritor apoiante de Putin ferido após explosão de carro. Moscovo condena "ataque vil" de Kiev

O carro de um escritor pró-Kremlin explodiu este sábado na região russa de Nizhny Novgorod, a cerca de 400 quilómetros de Moscovo. Zakhar Prilepin ficou ferido e o condutor da viatura acabou por morrer. A Rússia já veio acusar a Ucrânia de planear um atentado terrorista.

RTP /
A imagem mostra uma viatura danificada após um alegado atentado à bomba contra o escritor nacionalista russo Zakhar Prilepin. A explosão ocorreu na região de Nizhny Novgorod, na Rússia. Anastasia Makarycheva - Reuters

De acordo com as autoridades russas, a viatura de Zakhar Prilepin explodiu numa cidade na região de Nizhny Novgorod, na Rússia. O escritor foi levado para o hospital e um suspeito foi detido, adiantou o Ministério russo do Interior, citado pela agência Reuters.

O condutor da viatura morreu, segundo indicou a agência estatal russa Tass. Zakhar Prilepin ficou ferido mas está “bem”, segundo indicou um porta-voz do escritor.

Prilepin é um aclamado autor russo que tem apoiado publicamente a guerra na Ucrânia e conta com um longo histórico de envolvimento político. Nos anos 90 lutou na Chechénia e mais recentemente participou nos combates militares da Rússia na Ucrânia. Hoje mesmo, regressava a Moscovo vindo das regiões de Donetsk e Lugansk, tendo parado na região de Nizhny Novogorod para uma refeição.

Desde a anexação russa da Crimeia, em 2014, Prilepin esteve envolvido no conflito no leste da Ucrânia, em declarado apoio aos separatistas. Em 2020 fundou o partido político “Pela Verdade”, que segundo os meios de comunicação social russos é uma força política patrocinada pelo Kremlin.

Desde o início da invasão russa na Ucrânia, em fevereiro de 2022, Prilepin é a terceira figura proeminente próxima da Moscovo a ser alvo de um ataque, depois das mortes de Daria Dugina, filha de um teórico próximo de Putin, em agosto último, e do blogger Vladlen Tatrsky, no mês passado.

Tal como nestes dois casos, Moscovo culpa as autoridades ucranianas pelo ataque.
“Washington e a NATO alimentaram outra célula terrorista internacional: o regime de Kiev”, afirmou a porta-voz do Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, através do Telegram.

Afirmou ainda que este ataque é da “responsabilidade direta dos Estados Unidos e Reino Unido”, sem no entanto fornecer quaisquer provas.

Por sua vez, o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia e ex-presidente russo, Dmitri Medvedev, criticou o que qualifica como “ataque vil” perpetrado por “extremistas nazis” da Ucrânia.

"Estamos a lidar com um inimigo cobarde que procura intimidar-nos. (…) Estes crimes não ficarão impunes. Não prescrevem. As pessoas que os cometeram, assim como os seus patrocinadores ideológicos, não poderão escapar à punição", avisou o político russo através do Telegram.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, não quis comentar o ataque, considerando que ainda é cedo para identificar os autores do mesmo.
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