Espanha. Homenagem nacional às vítimas do desastre ferroviário a 31 de janeiro

Madrid, 21 jan 2026 (Lusa) - Uma homenagem nacional às vítimas do acidente ferroviário que fez pelo menos 43 mortos em Adamuz, no sul de Espanha, vai realizar-se a 31 de janeiro em Huelva, na Andaluzia, indicaram hoje fontes do gabinete do primeiro-ministro.

Lusa /

Na cerimónia, o chefe do executivo socialista, Pedro Sánchez, estará acompanhado do presidente da região da Andaluzia, Juan Manuel Moreno, membro do Partido Popular (oposição de direita), acrescentou a mesma fonte.

Entretanto, a XXXVI Cimeira Luso-Espanhola, que estava agendada para 29 de janeiro em Huelva, foi adiada devido "aos trágicos acontecimentos", indicou hoje o gabinete do primeiro-ministro português.

A Guarda Civil espanhola afirmou hoje que há ainda dois desaparecidos por encontrar em Adamuz, Córdova, depois do acidente de domingo entre dois comboios de alta velocidade.

"Foram contabilizados 43 corpos do acidente em Adamuz, e 45 pessoas foram dadas como desaparecidas, o que significa que ainda há duas pessoas desaparecidas que precisamos de encontrar", declarou o major-general responsável pela 4ª Zona da Guarda Civil (Andaluzia), Luis Ortega.

Em declarações à imprensa em Adamuz, depois de acompanhar a segunda vice-primeira-ministra espanhola, Yolanda Díaz, numa visita ao local do acidente, Ortega indicou que a chuva está a tornar as operações de busca e resgate "mais complicadas" e que estas se centram no comboio Alvia.

"As duas primeiras carruagens foram totalmente destruídas e ficaram presas numa pequena vala com cerca de quatro ou cinco metros de profundidade, e tivemos de trazer maquinaria muito pesada, primeiro para cortar partes das carruagens e depois para retirar pouco a pouco os restos desses vagões com o cuidado necessário", explicou.

Segundo o responsável da Guarda Civil, ainda "há bastante trabalho a fazer", porque o comboio Alvia "ainda está só parcialmente desmontado".

O Sindicato Espanhol de Maquinistas Ferroviários (Semaf) anunciou hoje à tarde que se realizará nos dias 09, 10 e 11 de fevereiro a greve setorial que esta manhã convocou para exigir medidas de garantia da segurança ferroviária, após os acidentes de Adamuz, no domingo, e de Gelida (Barcelona), na terça-feira, que vitimaram "três maquinistas", além de muitos passageiros.

De acordo com dados oficiais, foram atendidas em hospitais 122 pessoas feridas no acidente de Adamuz e 37 continuam internadas.

Estão ainda a ser investigadas as causas do acidente ocorrido no domingo, por volta das 19:45 locais (18:45 em Lisboa) na localidade de Adamuz, na província de Córdova, no sul de Espanha, envolvendo dois comboios de alta velocidade.

Um comboio da empresa privada Iryo, procedente de Málaga e com destino a Madrid, descarrilou, e as três últimas carruagens invadiram a via contrária, por onde passou, 20 segundos depois, outro comboio de alta velocidade, um Alvia, da empresa pública Renfe, que fazia a ligação Madrid-Huelva.

As duas primeiras carruagens do Alvia foram projetadas para fora dos carris depois do choque com os vagões do Iryo descarrilados.

Este é considerado o acidente mais grave de sempre na rede de alta velocidade de Espanha que, com cerca de 4.000 quilómetros, é a segunda maior do mundo, a seguir à da China.

É também o mais grave acidente ferroviário em Espanha desde 2013, quando o descarrilamento de um comboio rápido Alvia a 24 de julho, em Angrois, perto de Santiago de Compostela, se saldou em 80 mortos e 144 feridos.

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