Espanha. Incêndio de Madrid "ao pior nível" e "impossível de extinguir"

Espanha. Incêndio de Madrid "ao pior nível" e "impossível de extinguir"

Cerca de 45.000 pessoas foram já retiradas de casa ou confinadas por causa dos incêndios que desde quinta-feira afetam a região de Madrid e Ávila, em Espanha, e que continuam por controlar, disseram hoje as autoridades.

Graça Andrade Ramos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Bombeiros trabalham para combater um incêndio florestal que afeta Castela e Leão, na aldeia de El Tiemblo, Espanha Foto: Violeta Santos Moura - Reuters

O incêndio de Madrid está "ao pior nível" e "impossível de extinguir", declarou esta tarde o ministro o ministro do Ambiente, Agricultura e Interior da Comunidade de Madrid, Carlos Novillo. As autoridades decretaram quinta-feira o estado de emergência para Madrid e Ávila e acionaram também o mecanismo europeu de proteção civil, para pedir quatro meios aéreos de combate a fogos florestais aos parceiros da União Europeia (UE).

O incêndio florestal que afecta o sudoeste da região está no seu “pico” e a sua frente está agora “para além da capacidade de ser extinta”, afirmou Novillo, após a reunião do Centro de Combate, o Cecopi, esta sexta-feira às 18h20.

A gravidade do impacto do fogo levou já o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, a confirmar a presença este sabado, pelas 08h00 GMT, no centro de coordenação de resposta a emergências do grande incêndio florestal, que já devastou 6.000 hectares na região de Madrid. Sanchéz estará acompanhado pelo ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, no município de Cenicientos, onde participará numa reunião de emergência.

Carlos Novillo explicou à imprensa que a prioridade neste momento é “proteger as cidades, auxiliar os moradores evacuados e aproveitar todas as oportunidades”, uma vez que o fogo não pode ser combatido diretamente na zona. 

Os esforços estão concentrados no reforço das medidas de combate ao incêndio em redor das cidades e na consolidação do flanco direito do fogo, a área de maior preocupação devido à mudança de direção do vento prevista para amanhã.Na região autónoma de Madrid 45.000 pessoas foram já afetadas pelos fogos (26.000 retiradas de casa, de forma preventiva, e umas 20.000 confinadas, sem poderem sair das localidades onde vivem), enquanto em Ávila, na região vizinha de Castela e Leão, outras 1.500 estão neste momento deslocadas.

Novillo observou que a coluna de fumo “está a tomar uma direção mais a norte do que o previsto” e explicou que espera que o fogo não “alcance as copas das árvores” — isto é, que as chamas não cheguem e se espalhem pelas copas das árvores, o que aceleraria o seu avanço e dificultaria o controlo — e que, se isso acontecer, não se dirija para San Martín de Valdeiglesias. 

A operação de combate ao incêndio deposita as suas esperanças na noite, quando o vento costuma abrandar, depois de ter atingido velocidades superiores a 60 quilómetros por hora durante o dia.

O ministro regional realçou que o incêndio “continua a crescer”, mas que, “até ao momento”, não provocou “qualquer ferimento”. Expressou a sua gratidão pela chegada de reforços de outras comunidades autónomas, incluindo a Comunidade Valenciana, e descreveu o incêndio como “sem precedentes” tanto na Comunidade de Madrid como em Espanha, devido ao seu impacto na população e ao número de pessoas evacuadas.

Número de meios alocados ao combate a meio da tarde, de acordo com a Guardia Civil.

No mais recente balanço, as chamas já destruíram 43 casas e danificaram mais de 280 outras.

Segundo as autoridades, os três incêndios que atingem localidades da região, situadas entre 50 e 100 quilómetros da capital espanhola, uniram-se durante a manhã e formam agora uma única frente.

Por outro lado, as autoridades preveem que ao fogo de Madrid se junte ao que avança na província de Ávila. As chamas podem vir a ameaçar o Escorial, o maior edifíco da Renascença do mundo.  

O delegado do Governo espanhol na região de Madrid, Francisco Martín, disse aos jornalistas, por volta das 18:00 locais (17:00 em Lisboa), que as autoridades não descartam que haja mais pessoas retiradas de casa "nas próximas horas", devido à evolução das chamas.

Uma hora depois, os números foram atualizados, com a evacuação de mais dois municípios que estavam confinados.

 A região autónoma de Madrid está a enfrentar "o pior incêndio da história", disse hoje a presidente do governo autonómico, Isabel Díaz Ayuso, ao final da manhã.

O ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska, disse que além destes fogos em Madrid e Ávila há mais nove no resto de Espanha que mobilizam meios aéreos, sendo essa a razão para ter sido ativado o mecanismo europeu de proteção civil.

"É um dia muito difícil, com uma situação muito adversa", disse o ministro.

Este ano já arderam mais de 130.000 hectares em Espanha, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).

Em 2025, arderam mais de 393.000 hectares, na maior área ardida num ano de que há registo no país.

c/agências

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