Estado Islâmico reivindica novos ataques em Cabo Delgado

O Estado Islâmico reivindicou hoje a autoria de um ataque terrorista em Macomia, província moçambicana de Cabo Delgado, e a morte de pelo menos 20 pessoas, um dos mais violentos em vários meses.

Lusa /

Através de canais de propaganda, o grupo terrorista documentou o ataque com imagens, a uma posição das forças armadas moçambicanas, levando vário material bélico, e reivindicou ainda outro ataque em Chiúre.

A Lusa não conseguiu atestar no terreno a autenticidade desta reivindicação e as autoridades moçambicanas não comentam as operações militares em curso em Cabo Delgado.

Contudo, o administrador distrital de Macomia, Tomás Badae, confirmou na segunda-feira que os grupos de insurgentes que atuam em Cabo Delgado atacaram uma posição das Forças de Defesa e Segurança (FDS) no distrito.

O ataque aconteceu entre a noite de sexta-feira e a madrugada de sábado, entre 23:00 e 03:00 (21:00 e 01:00 em Lisboa), no posto administrativo de Mucojo, a 45 quilómetros da sede distrital de Macomia: "Tomaram, sim, a posição e assaltaram-na, mas não temos mais informação se ainda estão lá ou já abandonaram".

Desde a ocorrência do ataque, a comunicação com Mucojo ficou interrompida.

Relatos de residentes locais também davam conta de várias baixas entre os militares moçambicanos, mas sem confirmação das autoridades ou uma reivindicação pública do mesmo por parte do grupo terrorista até agora.

Na terça-feira foi confirmado o ataque, também agora reivindicado pelo Estado Islâmico, no distrito de Chiúre, com a destruição de várias infraestruturas e igrejas.

O ataque começou por volta das 17:00 (15:00 de Lisboa) de segunda-feira e prolongou-se até quase meia-noite. O alvo foi a sede do posto administrativo de Mazeze, no interior do distrito de Chiúre, onde os rebeldes atearam fogo ao hospital, secretaria do posto administrativo e a residência da chefe do posto administrativo, avançou o administrador distrital de Chiúre.

"As infraestruturas estão basicamente destruídas", disse Oliveira Amimo.

Além de queimar infraestruturas públicas, prosseguiu a fonte, os rebeldes destruíram a capela pertencente à Igreja Católica.

"A parte de infraestruturas privadas, a capela dos padres, também foi destruída e neste momento o inimigo continua nas matas", acrescentou.

A província de Cabo Delgado enfrenta há seis anos alguns ataques reivindicados com o grupo extremista Estado Islâmico (EI), que levou a uma resposta militar desde julho de 2021, com apoio do Ruanda e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), libertando distritos junto aos projetos do gás.

Depois de um período da relativa estabilidade, nas últimas semanas novos ataques e movimentações, foram registados em Cabo Delgado, embora localmente as autoridades suspeitem que a movimentação esteja ligada a perseguição imposta pelas Forças de Defesa e Segurança nos distritos de Macomia, Quissanga e Muidumbe, entre os mais afetados.

 O conflito já fez um milhão de deslocados, de acordo com o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), e cerca de 4.000 mortes, de acordo com o projeto de registo de conflitos ACLED.

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