Estados Unidos anunciam a apreensão de dois petroleiros

O Reino Unido prestou apoio "operacional" aos Estados Unidos na apreensão, no Atlântico Norte, de um petroleiro de bandeira russa que estava a ser perseguido há vários dias pela guarda costeira norte-americana.

RTP /
US European Command via Reuters

Os Estados Unidos anunciaram esta quarta-feira a apreensão de dois petroleiros. Um foi o petroleiro russo M/V Bella 1, ancorado nas águas territoriais islandesas, e o segundo foi o M/T Sophia, sem bandeira, no Mar das Caraíbas.

A informação é avançada pelos comandos europeu e do sul do exército norte-americano, em comunicados na rede social X.

A ação foi levada a cabo pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e de Segurança Interna, “em coordenação com o Departamento da Guerra”.

“A embarcação foi apreendida no Atlântico Norte em cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal dos EUA, após ter sido rastreada pelo USCGC Munro”, acrescenta o comando europeu do exército dos Estados Unidos.

De acordo com a Guarda Costeira da Islândia, o navio estava localizado a “177 milhas náuticas [284,8 quilómetros] ao sul de Kötlutangi, 305 milhas náuticas [490,8 quilómetros] a noroeste da Escócia e 264 milhas náuticas [424,8 quilómetros] a oeste-sudoeste das Ilhas Faroé”.

O Reino Unido forneceu ajuda logística à captura, através da utilização de bases militares britânicas e do espaço aéreo, “após um pedido dos Estados Unidos por assistência”. A informação foi confirmada pelo Ministério da Defesa britânico.

"Hoje, as Forças Armadas do Reino Unido demonstraram capacidade e profissionalismo ao apoiar a interceção bem-sucedida do navio Bella 1 pelos EUA, enquanto este se dirigia para a Rússia", lê-se no comunicado do Ministério britânico.

"Esta ação fez parte dos esforços globais para reprimir a violação das sanções", argumenta, afirmando que este navio, "com um historial nefasto, integra um eixo russo-iraniano de evasão de sanções que alimenta o terrorismo, os conflitos e o sofrimento desde o Médio Oriente até à Ucrânia".

Num outro comunicado, também publicado na rede social X, o Comando Europeu do exército norte-americano justifica a apreensão com a "Proclamação do Presidente dos Estados Unidos que visa embarcações sancionadas que ameaçam a segurança e a estabilidade do Hemisfério Ocidental".

Em causa está a violação por parte do petroleiro ao bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos à Venezuela. O navio não tinha conseguido atracar no país e foi perseguido pela Guarda Costeira norte-americana, o que acabou por fazer com que a Federação Russa enviasse, esta madrugada, um submarino e outros meios para escoltarem o petroleiro.

Nas últimas horas, o petroleiro havia mudado o curso da viagem, tendo sido detetado pela última vez ao norte de Shetland, um arquipélago no norte da Escócia.
Rússia exige "tratamento humano e digno" da tripulação
A Rússia reagiu através do Ministério dos Transportes. Em comunicado, publicado na rede social Telegram, o Ministério acusa os Estados Unidos de violarem a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, e afirmam que “a liberdade de navegação se aplica em alto-mar”.

Durante a tarde desta quarta-feira, os meios de comunicação estatais russos divulgaram vídeos de um helicóptero a aproximar-se do petroleiro.

A agência de notícias TASS citou o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros que exige aos EUA que garantam um "tratamento humano e digno" aos seus cidadãos a bordo do petroleiro e o seu rápido regresso a casa.

Uma segunda embarcação, a M/T Sophia, foi apreendida no Mar das Caraíbas, de acordo com o Comando do Sul do exército norte-americano, integrado na Operação Lança do Sul, em curso desde setembro de 2025, para combater o narcotráfico na região.

A embarcação, sem bandeira, “operava em águas internacionais e realizava atividades ilícitas no Mar das Caraíbas”, referindo-se à violação do bloqueio naval à Venezuela. Será agora escoltada até aos Estados Unidos “para as devidas providências”.
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