Estados Unidos. Democratas e republicanos repartem Congresso

| Mundo

Os democratas reconquistam assim uma maioria que estava há vários anos nas mãos dos republicanos
|

Os democratas recuperaram o controlo da Câmara dos Representantes, que estava na mão dos republicanos. No Senado, o Partido Republicano continua em maioria. Donald Trump já considerou os resultados das eleições intercalares de terça-feira “um tremendo sucesso”.

Os norte-americanos elegeram um 116.º Congresso dividido, o que poderá levar a que os dois últimos anos de mandato do 45.º Presidente sejam agitados.

Quando faltavam apurar cerca de 30 lugares na Câmara dos Representantes, as projeções indicavam que o Partido Democrático deverá ficar com 227 lugares, contra 208 do Partido Republicano. Nos últimos oito anos, a Câmara esteve sob domínio republicano.Em termos de orçamento, o Senado e a Câmara dos Representantes vão ter de chegar acordos, o que promete duras batalhas.

No Senado, há ainda três corridas em aberto. As projeções apontam para que os republicanos mantenham o controlo, reforçados com um a três lugares (54 contra 46).

Ao assumir o controlo da Câmara dos Representantes, os democratas ficam com a possibilidade de lançar um impeachment contra Donald Trump e de promover inquéritos parlamentares sobre os temas mais quentes a envolver a Administração Trump, incluindo o eventual conluio entre a equipa da campanha eleitoral do magnata e Moscovo, em 2016.

Estes resultados acabam por ser um “cartão amarelo” para Donald Trump, que vê, dois anos depois de ser eleito Presidente, o Partido Republicano perder terreno no Capitólio.

As eleições intercalares desta terça-feira foram uma espécie de referendo à liderança do Presidente, que foi eleito pelo Partido Republicano, e às medidas que têm sido tomadas pela sua Administração.

Numa curta publicação na rede social Twitter, Donald Trump afirmou que estes resultados são “um tremendo sucesso” e agradeceu o apoio dado às candidaturas republicanas.


Conhecidos os primeiros resultados, Trump ligou à líder dos democratas na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, para a felicitar pela vitória naquele órgão do Congresso norte-americano.

Trump telefonou também para o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, para o “felicitar pelas conquistas históricas”.

Nos últimos dias, Donald Trump fez campanha ao lado dos candidatos republicanos. E em vários comícios ensaiou um novo slogan inspirado naquele que o levou à Casa Branca nas presidenciais: Keep America great.Várias escolhas em jogo

As eleições intercalares, a meio do mandato do Presidente, são tradicionalmente delicadas para o inquilino da Casa Branca. No escrutínio desta terça-feira foram escolhidos congressistas, senadores e governadores em 36 Estados.

Na corrida aos lugares de governador, falta ainda decidir os Estados de Wisconsin, Georgia, Connecticut, Alasca e Nevada. No entanto, as projeções apontam para que o Partido Democrático vença em oito novos Estados, aumentando em 16 a vantagem que já tem para o Partido Republicano.

Depois de dois anos da Presidência de Donald Trump, que tem dividido profundamente os americanos, os democratas prometem agora usar a maioria na Câmara dos Representantes para, a partir de janeiro de 2019, atuar como “contrapoder”.

O tema dos migrantes é um dos que mais divide os democratas e os republicanos. Depois de durante a sua campanha para a Presidência ter tratados os imigrantes mexicanos como “violadores”, Donald Trump optou desta vez por mais uma mensagem anti-imigração, ao enviar para a fronteira com o México milhares de soldados numa tentativa de travar uma caravana migrantes da América Central que está a tentar chegar aos EUA.

“É uma invasão”, afirmou o Presidente norte-americano diversas vezes durante a campanha para estas eleições intercalares.
Mulheres e minorias
As mulheres deverão superar o recorde atual de 84 legisladoras em funções na Câmara dos Representantes. Com os boletins de voto ainda a serem contados, já conquistaram 75 lugares e garantiram a vitória em pelo menos nove distritos, onde as mulheres são as únicas candidatas pelos grandes partidos.

Mais de 230 mulheres, muitas delas candidatas pela primeira vez, participaram nas eleições para a Câmara dos Representantes.
Do lado democrata foram também eleitos vários membros de minorias.
Depois da Marcha das Mulheres contra o Presidente Donald Trump, no dia seguinte à sua tomada de posse, em janeiro de 2017, e após uma série de acusações de agressões sexuais, no final do ano, que desencadeou o movimento #MeToo, a agenda pela igualdade de género teve um papel decisivo na definição da política democrata neste ciclo eleitoral.

No Estado do Kansas, a democrata Sharice Davids, advogada e ex-lutadora de artes marciais, tornou-se a primeira nativa norte-americana a ser eleita para o Congresso, mas também a primeira homossexual.

Deb Haaland, que liderou o Partido Democrático do Novo México (2015-2017) e foi responsável pelo voto dos indígenas na campanha presidencial de Barack Obama em 2012, vai ocupar a vaga deixada pela também democrata Michelle Lujan Grisham, que vai agora ser governadora do Novo México.

Deb Haaland e Sharice Davis juntam-se aos outros dois indígenas que estão atualmente na Câmara dos Representantes: os republicanos Markwayne Mullin e Tom Cole, ambos do Oklahoma, que foram reconduzidos.

Nos Estados do Minnesota e do Michigan, Ilhan Omar e Rashida Tlaib, respetivamente, tornaram-se as duas primeiras mulheres muçulmanas eleitas para a Câmara dos Representantes. Ambas conquistaram um lugar na Câmara dos Representantes. Omar é uma refugiada somali, enquanto Tlaib nasceu em Detroit, filha de imigrantes palestinianos.

No Colorado, o democrata Jared Polis tornou-se o primeiro governador assumidamente homossexual no Estado norte-americano.

No Texas, o democrata Beto O’Rourke não conseguiu surpreender. E o ex-senador Ted Cruz, a quem Trump foi dar uma ajuda, foi reeleito.

c/ agências

Tópicos:

Congresso, Câmara dos Representantes, Eleições, Estados Unidos, Intercalares, Senado,

A informação mais vista

+ Em Foco

O criador dos óculos de realidade virtual está a desenvolver tecnologia que vai transferir jogos de vídeo para os campos de batalha.

Reunimos aqui reportagens sobre as forças de elite portuguesas, emitidas por ocasião dos 100 anos do Armistício que pôs fim à I Guerra Mundial.

    O coração de Lisboa foi palco do maior desfile militar dos últimos 100 anos no país, por ocasião do centenário do Armistício que pôs fim à I Grande Guerra.

      Toda a informação sobre a União Europeia é agora agregada em novos conteúdos de serviço público que podem ser seguidos na página RTP Europa.