Estados Unidos mudaram de cor e vão acordar azuis

Reportagem

Estados Unidos mudaram de cor e vão acordar azuis

Os norte-americanos escolheram os novos representantes no Congresso. Em causa está o controlo das duas câmaras e a capacidade do presidente norte-americano de manter a sua agenda política, o que a partir desta noite parece ser muito pouco provável.

Paulo Alexandre Amaral - RTP / Adicionar como fonte informativa


Jonathan Ernst - Reuters

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Trump disposto a aceitar resultados

Numa declaração inesperada, o presidente americano, que ameaçava ao início da noite contornar a então previsível vitória democrata com uma política de vetos.
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Talarico recupera Texas para os democratas

James Talarico venceu no Texas e recuperou o lugar do Senado para os democratas.
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Se estivesse no boletim "eu ganhava" e por muito

O presidente Trump diz que se estivesse no boletim de voto teria "vencido por larga margem".
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Projeções apontam uma Câmara dos Representantes azul

Os democratas terão garantido a câmara, segundo projeções avançadas por vários media americanos, incluindo a CNN.
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Carolina do Sul cai para os democratas

A democrata Annie Andrew venceu a republicana ⁠Darline ​Graham na Carolina do Sul, segundo vários media americanos.

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Discurso de vitória de Jon Ossoff

Uma das grandes esperanças dos democratas, Jon Ossoff, que venceu a eleição para o senado na Geórgia, já falou esta noite aos americanos.

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Georgia e Florida elegem primeiros governadores afroamericanos

Os estados norte-americanos da Georgia e da Florida elegeram os primeiros governadores afroamericanos das suas histórias, uma democrata e um republicano, nas eleições intercalares de terça-feira, segundo projeções dos media. 

A vencedora projetada na Georgia, a democrata Keisha Lance Bottoms, deverá tornar-se na primeira mulher afroamericana governadora na história dos Estados Unidos, tomando um lugar aos republicanos. 

Também projetado vencedor pelos canais CNN e NBC e a agência AP, o republicano Byron Donalds deverá tornar-se o primeiro governador afroamericano do estado da Florida, sucedendo a Ron deSantis, do mesmo partido.

Lusa

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Geórgia vira azul

A democrata Keisha Lance Bottoms derrota o republicano Rick Jackson na corrida pelo cargo de governador da Geórgia.
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Estado que vira, o primeiro

O democrata Roy Cooper venceu corrida ao republicano Michael Whatley na Carolina do Norte.

O democrata Roy Cooper ganhou a corrida, sendo este o primeiro lugar a ser tomado aos republicanos.

A Carolina do Norte foi um Estado onde o partido do presidente Donald Trump venceu confortavelmente as últimas eleições.

c/ Lusa
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Florida mantém-se vermelha

O Estado da Florida continua republicana no Senado com a vitória da senadora Ashley Moody.
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Susan Collins falou aos apoiantes

A candidata republicana do Maine agradeceu todo o apoio que lhe foi dado nesta eleição.

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Novos resultados com vitórias dos democratas. Primeiro gay assumido no Senado

No New Hampshire venceu o democrata, Chris Pappas, o primeiro político homossexual a chegar ao Senado. O republicano John E. Sununu já reconheceu a derrota.

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Em bairro rico de Brooklyn, democracia pesa mais do que economia no voto

 Em Fort Greene, um dos bairros mais ricos de Brooklyn, vários eleitores disseram à Lusa que a defesa da democracia pesa mais do que a economia e que votarão nos democratas para retirar poder a Donald Trump.

Jeenah Moon - Reuters

Num ritmo acelerado, mas sem filas, os eleitores deste bairro nova-iorquino - conhecido pelas suas luxuosas moradias históricas - começaram a votar às 06:00 da manhã (hora local, 11:00 em Lisboa), naquele que se antevê um longo dia de votação para as intercalares dos Estados Unidos.

Apesar das sondagens nacionais mostrarem a economia como o maior influenciador de sentido de voto nestas eleições que ocorrem no meio do mandato presidencial, vários moradores de Fort Greene mostraram-se mais preocupados com os alegados desvios do caminho democrático conduzidos pelo Presidente do país, considerando essencial uma mudança no equilíbrio de forças em Washington.

"O meu principal objetivo é que Donald Trump saia [da Casa Branca]. O panorama geral é que ele não respeita a democracia e não respeita a ideia de país. E para mim, atingimos um limite", disse John, um eleitor nova-iorquino.

"Passámos centenas de anos com um país que funciona de uma certa maneira e deveria funcionar de uma certa maneira, e ele [Trump] simplesmente não se importa. Só se importa consigo mesmo. Eu sei que ele é um mau Presidente e precisamos de enviar uma mensagem", acrescentou, assumindo o voto nos democratas.

Admitindo à Lusa estar financeiramente confortável, este morador de Fort Greene reconheceu que muitos milhões de norte-americanos não podem dizer o mesmo e debatem-se com o elevado custo de vida no país. 

No entanto, insistiu que a luta pela democracia é o principal fator que o levou a sair de casa para votar na manhã de hoje.

"Eu acho que sem tudo a funcionar plenamente, sem as instituições a funcionar, sem o país a funcionar, então nada mais vai funcionar. A economia vai falhar se houver corrupção. Este país foi bom durante muitos anos. Nem tudo foi perfeito, mas foi bom. E eu só não quero que isto acabe", acrescentou.

As eleições intercalares são particularmente importantes, uma vez que podem alterar o equilíbrio de poder em Washington, a meio do segundo mandato de Donald Trump.

Se perder o controlo de uma das câmaras do Congresso, o Presidente terá mais dificuldades em fazer aprovar a sua agenda legislativa.

O estado de Nova Iorque elegerá 26 congressistas para a Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso.

Brooklyn é um dos distritos de Nova Iorque com forte tradição de voto democrata e essa tendência ficou evidenciada ao longo da manhã de hoje, com vários eleitores a confirmarem os seus votos nos candidatos do partido que está hoje na oposição no Congresso Nacional.

Exemplo disso foi Rose, uma eleitora sexagenária que disse à Lusa ter "esperança" de que os democratas recuperem o controlo do Congresso, mostrando-se entusiasmada com os resultados das sondagens, que mostram um cenário otimista para as forças do campo azul, cor do Partido Democrata.

"O país está com um ambiente tão negativo. Acho que deveríamos ser um país aberto, mas tornámo-nos o oposto. Eu criei os meus filhos sob o ideal de que as pessoas são todas iguais. Não importa de onde vêm. E hoje este país já não é assim", refletiu.

"A cidade de Nova Iorque ainda é mais justa do que outras. Mas penso que, como país, não estamos bem, que regredimos e que permitimos que a retórica que parece ser comum agora se acomode. O que antes incomodava as pessoas, já não incomoda tanto. E isso a mim incomoda-me muito. Por isso, oponho-me aos republicanos", afirmou.

Rose foi uma das quase 700 mil pessoas que votaram antecipadamente na cidade de Nova Iorque. Mas, mesmo assim, decidiu acordar cedo e acompanhar a filha e o genro à assembleia de voto em Fort Greene.

O ambiente era familiar no local, com várias pessoas a dirigirem-se às urnas na companhia de crianças e de animais de companhia.

Um pai explicava à sua filha pequena: "Sabes, votar é um privilégio. Um dia também vais poder votar".

Em Nova Iorque, as urnas fecham às 21:00 (hora local, 02:00 de quarta-feira em Lisboa).

Além do impacto nacional deste sufrágio, os eleitores nova-iorquinos escolhem também quatro cargos estaduais: governador, vice-governador, procurador-geral e controlador financeiro do estado.

 

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Já há resultados e os democratas estão por cima

Na Virgínia Ocidental, os democratas ganharam o Senado. Jon Ossoff, estrela dos democratas, garantiu a reeleição na Geórgia.



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Irão fora da mira no imediato

O presidente Trump disse numa entrevista ao Financial Times que não tem planos no imediato para fazer novo ataque contra o Irão.

"Parece que estamos a conseguir tudo o que queremos", disse Trump, sugerindo estar satisfeito com o estado de impasse em que se encontra o "dossier Irão".
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RTP /

Trump diz em entrevista à CBS News que está preparado para usar "poderes enormes"

"Tenho o poder supremo — chama-se 'veto'", afirmou o presidente numa entrevista por telefone à CBS News ainda antes do fecho das mesas de voto.

Donald Trump reagiu com esta ameaça quando questionado sobre a possibilidade de um Congresso controlado pelos democratas no próximo ano, com maioria na Câmara ou no Senado.

Trump diz-se preparado para vetar legislação dos democratas, se necessário e que gosta do apelido "Sr. Veto".
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Trump proclama esta semana como a "Semana do Anti-Comunismo"

Enquanto aguarda os resultados das intercalares, Trump decidiu proclamar a "Semana do Anti-Comunismo" para 1 a 7 de novembro.

Foto: Stoyan Nenov - Reuters

"Proclamo a semana de 1 a 7 de novembro como 'a Semana do Anticomunismo'. Apelo a todos os americanos para que se mantenham firmes na defesa de qualquer ameaça ao modo de vida americano e para protegerem a nossa chama ardente da liberdade da escuridão do comunismo", afirma o texto da proclamação que Trump acaba de fazer publicar.

Donald Trump tem por hábito colar o epíteto de socialista ou comunista aos seus adversários, tendo essa mensagem valido votos em eleições anteriores, em particular entre eleitores latinos. Por exemplo, na Florida, onde cubano-americanos e outras comunidades têm raízes em países sob governos de esquerda.
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Lusa / Adicionar como fonte informativa

Eleitores profundamente descontentes com Trump

Os norte-americanos têm vontade de mudar, segundo uma sondagem da Associated Press (AP), que apurou que aproximadamente três quartos dos eleitores dizem sentir-se "zangados" ou "insatisfeitos" com a situação atual do país.

Em dia de eleições intercalares, a maioria parece culpar a administração de Donald Trump pelos elevados custos de vida no país.

Cerca de seis em cada 10 dos inquiridos dizem que os preços mais altos do que o normal devem-se "mais às políticas de Trump" do que "a fatores fora do controlo de Trump".

Além disso, cerca de 70% dos eleitores querem que o Congresso forneça mais mecanismos de controlo e equilíbrio da presidência.

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Wall Street fecha sem rumo mas com recuperação do setor tecnológico

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje sem direção clara, mas com os investidores a saudarem a recuperação do setor tecnológico, apesar do contexto de prudência antes de se conhecerem os resultados das eleições realizadas hoje nos EUA.

Carlo Allegri - Reuters

O resultado da sessão mostra que o índice tecnológico Nasdaq avançou 0,83%, o alargado S&P500 ganhou 0,36 e o seletivo Dow Jones Industrial Average subiu 0,38%.

"As compras de títulos ligados à inteligência artificial (IA) foram o motor do mercado", após várias sessões de forte contração, marcadas pelo regresso das inquietações em torno dos investimentos massivos nesta tecnologia, resumiram os analistas da Briefing.com.

Os conglomerados dos semicondutores e outros componentes eletrónicos, na primeira linha do entusiasmo pela IA, fecharam em alta, como Nvidia (2,29%), Advanced Micro Devices (3,65%)Micron (2,58%), Broadcom (3,07%) ou Intel (0,97%).

Ao contrário, a Apple baixou (-1,90%, depois de ter divulgado segunda-feira uma redução do seu crescimento no último trimestre do ano, entre 7,0% e 10%, e uma corrosão dos lucros pela subida dos preços dos circuitos de memória, apesar de ter a+ido de um trimestre recorde, graças ao iPhone.

Entretanto, os investidores estão atentos aos resultados das eleições de hoje, com as quais os democratas esperam recuperar o controlo do Congresso e, assim, procurar travar Donald Trump para o resto do seu mandato.

Segundo Jose Torres, da Interactive Brokers, "uma mudança completa do poder é o maior receio" dos investidores, uma vez que "teme que uma nova maioria modifique o quadro regulamentar da IA, com um reforço dos constrangimentos".

Mas, por outro lado, os democratas podem "aumentar a vigilância da gestão da guerra pelo governo" e "reforçar a pressão em favor de uma solução diplomática, quando o Congresso tomar posse, em janeiro", apontou Ipek Ozkardeskaya, da Swissquote.

 

 

 

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Lusa / Adicionar como fonte informativa

`Michiganders` afluem às urnas em eleição que poderá mandar primeiro muçulmano para o Senado

Detroit amanheceu soalheira e os cidadãos acorrem às assembleias de voto para as intercalares em que o estado do Michigan poderá eleger o primeiro senador muçulmano, assim esperam eleitores ouvidos pela Lusa em vários pontos.

Dieu-Nalio Chery - Reuters

Na escola intermédia de Salina, em Dearborn, às portas da cidade industrial junto da fronteira canadiana, a delegada eleitoral Amy Jones anda num virote. São precisas mesas para os voluntários, é preciso que todos conheçam as regras e há eleitores que pedem orientação sobre o extenso boletim de voto, onde se escolhem representantes para ambas as câmaras do Congresso e para outros responsáveis políticos estaduais e locais.

Pelas 08:00 locais (13:00 hora de Lisboa), tinham votado cerca de 50 pessoas nas duas secções de voto.

Uma jovem de 20 anos, que preferiu não se identificar, disse à Lusa que espera que "os candidatos cumpram as promessas que levaram as pessoas a votar neles".

"Nasci e cresci aqui e somos muito unidos e envolvidos na política. Quando é preciso, congregamo-nos e esperamos que o nosso voto sirva para fazer a diferença", disse.

Dentro do ginásio da escola, há cerca de 20 mesas individuais de voto, com um pequeno cubículo onde toda a gente preenche o boletim, uma longa folha de papel com os candidatos e propostas a votos, e círculos que é preciso preencher. Depois de votar, passam-no por um `scanner` que regista as suas escolhas.

Toca uma campainha que sobressalta toda a gente, mas Amy Jones esclarece: "Estamos numa escola, é normal!".

Numa comunidade predominantemente muçulmana de origem iemenita, as instruções estão em inglês e árabe. Tudo é regulado, incluindo a distância a que os voluntários que continuam a fazer campanha podem estar da entrada, cerca de 30 metros.

Khaled Abdullah segura um placard em que pede que os eleitores apoiem uma proposta que também vai a votos para dotar as escolas locais de 1,5 mil milhões de dólares para melhoramentos.

"É a nossa lista de desejos: substituir três escolas completamente, casas de banho, ar condicionado...está lá alguma coisa para todas as escolas", afirmou.

Para esta comunidade, previu que a escolha principal deverá ser o candidato democrata ao Senado, Abdul El-Sayed, que poderá ser o primeiro eleito muçulmano na câmara alta do Congresso: "Espero que haja uma participação recorde desta vez, e isso dever-se-á a El-Sayed, porque as pessoas estão mesmo motivadas por ele, vai ser o principal fator que as leva a votar".

O imã da mesquita de Dix, perto da escola de Salina, Mohammed El-Hadad, veio votar com a mulher. Por se tratar de uma comunidade muçulmana, todas vestem uma variante do traje islâmico, que lhes cobre o cabelo ou a maior parte do rosto.

Com a ajuda de um intérprete improvisado, porque mal fala inglês, disse à Lusa esperar pessoalmente que Abdul El-Sayed ganhe ao republicano Mike Rogers, mas salientou que "é preciso que ganhe o melhor, seja quem for".

Assinalou que a afluência às urnas devia ser maior, mas espera que vá aumentando durante o dia. Amy Jones disse à Lusa que nesta assembleia de voto, houve números recorde de voto antecipado.

Juned, um imigrante do Bangladesh, trabalha primeiro e vota depois, mais à tarde. Disse à Lusa que guiar um Uber praticamente não lhe chega para ganhar a vida, porque "eles ficam com 60%" do que ganha.

"Trabalho 13 horas por dia e pagamos 70 dólares para encher o depósito. Como é que tenho dinheiro para viver?! Há dias em que nem vejo os meus filhos", lamentou, argumentando que tudo se deve à "guerra desnecessária" do Presidente, Donald Trump, contra o Irão, que os Estados Unidos "nunca vão conseguir ganhar" por causa do controlo iraniano sobre o estreito de Ormuz, por onde passa parte significativa do petróleo do Médio Oriente.

À porta do liceu Cass Tech, no centro de Detroit, a guerra de Bradley Cunningham é levar o maior número de pessoas a votar que não conseguem chegar às assembleias por meios próprios.

O seu táxi é hoje um vaivém de votantes idosos ou com dificuldades de mobilidade.

"Faço o mesmo em todas as eleições há dez anos. Este ano, associei-me à Warriors on Wheels [uma associação local que ajuda cidadãos com deficiências] e sempre que sabem de alguém que não consegue ir votar, chamam-me. E eu ando com um megafone e digo `mandem-me parar e eu levo-vos a votar", disse.

"Digo às pessoas para rezarem e votarem. Quem precisar, em meia-hora tem alguém que os leva a votar", contou.

É o caso de Deborah, uma idosa afro-americana que os delegados estão a ajudar a votar sem sair do carro de Bradley.

"Espero que haja uma grande afluência. E espero que os democratas voltem a ganhar o Senado. Eu gosto de Abdul, ouvi-o quando veio falar à minha igreja. E escolhi-o a ele", contou.

No ginásio do Cass Tech, um percalço agita os delegados eleitorais. Alguém causou "uma perturbação", disseram à Lusa.

À saída, um casal de votantes republicanos contou à Lusa que se opôs ao processo de votação porque a folha que é suposto cobrir o boletim de voto para que não se vejam as cruzes era demasiado curta.

"Disseram-nos que se não quiséssemos, não votássemos, o que é inacreditável. É sempre a mesma coisa. Já nos queixámos em anos anteriores, mas nunca fazem nada. Qualquer pessoa pode ver em quem votámos. De certeza que vai haver fraude", afirmaram, sem se quererem identificar.

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Inês Moreira Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa

Máquina de guerra dos Estados Unidos ataca ilha iraniana em véspera de eleições intercalares

Na véspera das eleições intercalares norte-americanas e poucas horas depois de Donald Trump ter admitido haver progressos nas negociações com Teerão, os Estados Unidos atacaram a ilha de Qeshm, no Golfo Pérsico.

Foto: Reuters

Apesar da nova operação militar contra o Irão, antes de os eleitores norte-americanos irem votar, o presidente dos EUA minimizou o risco de recomeço de guerra. Segundo as forças armadas, foram ataques limitados na ilha iraniana de Qeshm, no Golfo Pérsico, com objetivos meramente defensivos e de proteção aos ativos norte-americanos na região.

De acordo com os media norte-americanos, este ataque foi uma resposta aos disparos do Irão contra uma aeronave dos EUA. A agência de notícias oficial iraniana IRNA tinha anteriormente noticiado cinco explosões ouvidas na ilha e relatos dos habitantes locais que dizem ter visto duas aeronaves.

Ao longo da última semana, Teerão afirmou ter atacado vários drones norte-americanos na região. Na noite de segunda-feira, a Guarda Revolucionária Islâmica alegou ter abatido dois drones de reconhecimento americanos a sobrevoar a ilha de Qeshm.

Qeshm é uma ilha situada à entrada do estreito de Ormuz que alberga uma instalação subterrânea de mísseis, uma base naval e uma importante estação de dessalinização. O Pentágono reforçou nas últimas semanas a presença militar na região e preparou várias opções para uma eventual ampliação dos ataques, segundo o WSJ.

Conflito assombra eleições

Os ataques desta madrugada aconteceram horas antes de começarem as eleições legislativas intercalares. Donald Trump tinha afirmado, na véspera, que um acordo com Teerão "poderia acontecer".

O presidente norte-americano afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos "já tinham vencido a guerra contra o Irão" e minimizou a importância de um possível reinício dos combates.

"Não sei se se pode sequer chamar a isto uma guerra, porque já há meses que não combatemos", disse aos jornalistas em Washington.

Mais tarde, numa entrevista à Fox News, Trump não falou sobre os novos ataques a alvos iranianos, mas admitiu que os EUA “podem ter de atacar” a Montanha da Picareta, local que Israel acredita que o Irão usa como armazém de urânio enriquecido.

“Isso não é grande coisa. Podemos fazer isso em literalmente uma hora. Ok, assim que quisermos, a qualquer hora que quisermos”, disse.

Trump defendeu ainda a decisão de iniciar a guerra contra o Irão, afirmando não ter havido combates recentes. No início deste mês, já tinha garantido que os EUA não atacariam o Irão antes das eleições intercalares, mas adiantou se seriam retomados após.

“Não estamos em guerra. Toda a gente diz: 'vocês estão em guerra!' Bem, quando foi a última vez que disparamos alguma coisa? Isso não é uma guerra — é uma guerra muito branda”, argumentou. “Mas não é como se estivéssemos em guerra de verdade. Não há nenhuma guerra a acontecer. Isso podia acontecer se não chegarem a um acordo, mas eles querem muito chegar a um acordo e há uma grande possibilidade de chegarmos a um acordo”.

Nas redes sociais, na noite de segunda-feira, acrescentou: "Os preços do petróleo estão a cair como pedras (...), porque as pessoas sentem que não haverá guerra com o Irão. O Irão quer um acordo, o mais rápido possível. Isso poderá acontecer”.

Também o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou na segunda-feira que Trump e ele estavam a sentir-se "bem otimistas" quanto a um acordo negociado para pôr fim à guerra com o Irão.

Os analistas têm afirmado ver-se uma trégua nas tensões desde o início de setembro, mas as notícias diárias sugerem uma possível campanha militar curta, mas intensa, após as eleições intercalares.

"A bola está agora com os Estados Unidos para evitar a guerra"
, declarou na terça-feira o influente negociador-chefe do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, num discurso perante o parlamento a que preside.

O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, fez também saber na segunda-feira através do Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que concedeu poderes ao Governo iraniano no âmbito dos esforços para pôr fim à guerra com os Estados Unidos.

"Estamos a esforçar-nos para resolver o problema através do diálogo. A este respeito, o líder supremo conferiu certos poderes ao Governo", anunciou Pezeshkian, citado pela agência estatal iraniana IRNA.

c/ agências
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Mais de 200 milhões chamados a votar nas intercalares americanas

Os norte-americanos estão a escolher os novos representantes no Congresso. Em causa está o controlo das duas câmaras e a capacidade do presidente norte-americano de manter a sua agenda política. Uma votação numa altura em que os índices de aprovação de Donald Trump são dos mais baixos de sempre.

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Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa

Dia de intercalares nos Estados Unidos. Eleições podem transformar Trump em presidente "coxo"

O objetivo concreto destas eleições é eleger um novo Congresso, mas o que as intercalares significam é mais profundo. Esta ida a votos dos norte-americanos funciona como um teste para o presidente, porque surgem a meio do mandato e ajudam a definir o rumo político dos Estados Unidos.

Foto: Mirah Curzer - Unsplash (arquivo)

O Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando a escolha eleitoral para essa renovação ocorre a meio do mandato presidencial, essas eleições são apelidadas de midterms ou eleições intercalares.

Apesar de os poderes presidenciais permitirem tomar diversas decisões por meio de decretos executivos, muitas medidas têm de ser aprovadas pelo Congresso para entrar em vigor. Se, atualmente, os republicanos, partido de Donald Trump, têm maioria nas duas câmaras do Congresso, isso pode mudar com estas eleições, até porque a vantagem sobre os democratas é pequena.
Foto: Kaylee Greenlee - Reuters

Para Trump, portanto, é muito mais fácil governar de acordo com sua agenda se os republicanos controlarem as duas câmaras do Congresso, Senado e Câmara dos Representantes. 

Caso os democratas conquistem a maioria em uma ou até mesmo nas duas câmaras, ficará mais difícil para o presidente implementar mudanças tanto na política interna quanto na externa. Por isso, as atenções também estão focadas no dia 4 de novembro, o dia pós-eleições, e o que fará o presidente se os republicanos perderem. Donald Trump tem dado sinais de que poderá contestar os resultados e já deu ordens ao Departamento de Justiça para impugnar a eleição no Alaska se o candidato democrata ganhar.

Se o Partido Democrático, que tem 214 congressistas, conseguir virar a Câmara dos Representantes, o Senado ou ambos, terá na mão o controlo da agenda legislativa. Fica aberto o caminho para combater Trump com maior envergadura, desde logo avançar com investigações para um processo de destituição. Por duas vezes o atual presidente escapou a processos de destituição que nunca passaram no Senado onde é necessária uma maioria de 65 votos. Se acontecer a vitória expressiva dos democratas e a conquista de uma das câmara do Congresso ou de ambas , Trump vai estar, até ao fim do mandato em 2028, no papel de presidente lame duck (literalmente "pato coxo"), incapaz de combater uma maioria hostil no Congresso.
Qualquer que seja o resultado das sondagens, todos os analistas são unânimes em sublinhar que os norte-americanos estão a votar com o bolso. Num dos inquéritos feitos pela agência Associated Press com o centro de sondagens NORC 80 por cento dos eleitores, quer democratas quer republicanos, querem uma redução do custo de vida. Sendo certo que mais de um quarto do eleitorado está descontente com a política económica da Administração Trump.
Nesse sentido, 70 por cento de quem vota quer o fim da guerra contra o Irão porque se reflete na economia norte-americana, uma vez que provocou o aumento do preço dos combustíveis. Para além da influência do peso que o bolso dos norte-americanos tem nesta votação, surge a exigência de mudança na política da atual administração. Quase 50 por cento dos norte-americanos pretende uma "mudança substancial" na maneira como o país é governado e mais de um terço defende uma mudança radical.
Por um lado, a guerra contra o regime de Teerão é um dos exemplos que contraria a promessa não-intervencionista com que Donald Trump conquistou o eleitorado em matéria de política externa.

Por outro lado, o combate de Trump à imigração ilegal tem dominado a política norte-americana no último ano. De acordo com o site norte-americano realclearpolling.com (especializado na agregação de sondagens e dados de opinião pública), mais de 54 por cento dos norte-americanos estão descontentes com a caça aos imigrantes. 

As rusgas da polícia de imigração e fronteiras (ICE) têm sido marcadas por imagens que chocam a opinião pública e mudaram a opinião de muitos eleitores que antes, durante a administração Biden, até defendiam o fecho da fronteira.

A taxa de aprovação de Donald Trump como presidente já esteve em níveis historicamente baixos, especialmente entre os eleitores de estados mais rurais, como o Iowa ou o Ohio. Foi isso que mostrou uma sondagem da Reuters/Ipsos divulgada no dia 19 de outubro. Então 66 por cento dos norte-americanos desaprovavam o governo de Donald Trump. O índice está entre os mais altos da série histórica para os dois mandatos do presidente.
Portanto, isto pode funcionar como incentivo à participação nestas eleições intercalares. Apesar de os democratas não terem uma liderança nacional capaz de alimentar muito entusiasmo. 

Os eleitores dos EUA decidem os assentos da Câmara dos Representantes e do Senado, as duas casas do Congresso. Em alguns estados, os cidadãos também escolhem quem será governador ou governadora.

O xadrez político Atualmente, na Câmara dos Representantes há 218 republicanos e 214 democratas. Vários analistas consideram provável que os democratas conquistem a maioria dos assentos. "Seria uma surpresa se os democratas não conquistassem pelo menos a Câmara dos Representantes", afirmou um dos analistas à televisão norte-americana CBS no fim de outubro.
Há, no entanto, uma diferença entre uma maioria apertada e uma maioria real e funcional. Uma maioria mínima será de 218 cadeiras. Qualquer número acima de 240 é considerado bastante sólido nos padrões dos últimos anos.

No Senado, atualmente há 53 republicanos, 45 democratas e dois senadores independentes que costumam votar com os democratas. Em caso de empate de 50 a 50, o voto de desempate cabe ao vice-presidente JD Vance. Projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nestas eleições.
Combates e resultados eventualmente inéditosNas eleições para o Senado, por exemplo, a luta eleitoral no Texas chama atenção, uma vez que as sondagens colocam o democrata James Talarico empatado com o rival republicano Ken Paxton. O democrata tem recebido apoio de elementos da família Bush, tradicionalmente republicana e de onde surgiram os presidentes George Bush e o filho George W. Bush. Há 32 anos que nenhum democrata consegue vencer uma eleição estadual de âmbito federal no Texas.
Nas eleições para governador, uma mulher negra poderá, pela primeira vez na história dos EUA, assumir o comando de um estado. 

No Minnesota, a democrata Amy Klobuchar e a republicana negra Lisa DeMuth lutam pelo governo do estado. Já na Georgia, a democrata negra Keisha Lance Bottoms concorre ao cargo de governadora contra o republicano Rick Jackson.
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Eleições intercalares nos EUA. Sondagens apontam para derrota dos Republicanos

Já se vota nos Estados Unidos. As sondagens apontam para uma vitória do Partido Democrata nas eleições intercalares.

A confirmar-se, esta nova configuração do Congresso pode condicionar Donald Trump.

Estas são eleições decisivas para os últimos dois anos do mandato do presidente republicano. Os norte-americanos vão às urnas para eleger os 435 membros da Câmara dos Representantes e um terço do Senado.

As sondagens preveem uma pesada derrota dos republicanos: uma vaga azul que pode dar uma clara vitória democrata na Câmara baixa do Congresso e até retirar lugares aos republicanos na Câmara Alta.

Acima de tudo, esta votação é encarada como um referendo à Administração Trump.
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