Mundo
Estados Unidos reestruturam forças militares na Europa
Redução de efetivos na Base das Lajes, nos Açores, e encerramento de outras 15 bases em meia dúzia de países europeus, ao longo dos próximos anos. O Pentágono anunciou uma reestruturação da presença militar norte-americana na Europa e espera assim poupar 500 milhões de dólares por ano.
O secretario da Defesa dos EUA, Chuck Hagel, que assina o documento do Pentágono, reconhece que a reestruturações de custos significará "uma ligeira redução" das forças militares na Europa mas garante que os EUA vão manter o apoio aos seus aliados europeus.
"Esta transformação da nossa infraestrutura ajudará a maximizar as capacidades militares na Europa e ajudará a reforçar as nossas parcerias europeias, para que possamos apoiar os nossos aliados da NATO e parceiros na região", lê-se no comunicado do Pentágono.
Restrições Orçamentais
Os Estados Unidos têm na Europa mais 64 mil militares, integrados na NATO e distribuídos por diversos países, a maioria na Grã-Bretanha, Alemanha e Italia.
Cerca de 300 tropas irão ser transferidas da Alemanha para Itália mas a presença norte-americana na Alemanha irá ser ainda assim reforçada com a vinda parcial de militares de outras bases a encerrar.A administração Obama está a braços com cortes militares severos e a diminuição de efetivos. Mas a reestruturação reflete também a opção de reforçar o foco militar no centro e leste europeu, particularmente em relação à Rússia.
Washington promete aliás continuar a envolver os seus militares em exercícios conjuntos e treinos com os seus aliados europeus.
"Estes ajustamentos não diminuem a nossa capacidade de cumprir os nossos compromissos com aliados e parceiros", afirmou por seu lado o sub-secretario da Defesa Derek Chollet. "De facto, estas decisões vão levar a poupanças que nos irão permitir manter a presença de uma força robusta na Europa", acrescentou Chollet.
Lajes e Mildenhall
Os EUA vão retirar totalmente da base aérea britânica de Mildenhall, a nordeste de Londres, usada por aviões de carga, de operações especiais e de vigilância. A partir de 2019, um total de 3.200 militares e as suas famílias serão retiradas ao longo de vários anos. O secretario britânico da Defesa, Michael Falcon, afirmou-se desiludido com a decisão norte-americana de abandonar Mildenhall e duas outras bases no Reino Unido, mas sublinhou que o aviso prévio irá ajudar a mitigar o impacto local.
No total, a redução do número de tropas americanas em solo britânico será de cerca de 2000, já que 1.200 homens e os esquadrões F-35 da Força de Reação Conjunta irão reforçar a base da RAF (Royal Air Force - Força Aérea Real da Grã Bretanha) de Lakenheath, onde estão já estacionados os aparelhos do 48º esquadrão de combate dos EUA.
A redução na base das Lajes de 900 para 400 trabalhadores portugueses e de 650 para 165 civis e militares norte-americanos, ao longo de 2015, irá permitir reduzir custos em 35 milhões de dólares (29,6 milhões de euros) mas, garantem os EUA, não terá impacto na missão da base.
"Iremos manter o apoio às operações das Lajes ao serviço da aviação civil" e "da Força Aérea Portuguesa", como operações de controlo de tráfego aéreo e outras, afirmou esta tarde numa conferência de imprensa em Lisboa, o embaixador norte-americano Robert Sherman. A importância das Lajes tem vindo a diminuir, o que justifica a reestruturação.A redução das forças norte-americanas nas Lajes decorre de alterações técnicas operacionais nos últimos quatro anos e que faz com que o atual efetivo exceda em muito o necessário para abastecer e apoiar missões militares, explicou ainda o embaixador.
A base das Lajes está a receber em média menos de dois aviões militares por dia, frisou Sherman, devido em grande parte a avanços tecnológicos que levaram à redução da "frequência e do volume de voos a necessitar das condições oferecidas pela base das Lajes".
O Governo português, que até há dois dias falava ainda em "disponibilidade" para prosseguir com o diálogo para evitar a redução de efetivos norte-americanos e de pessoal português na base das Lajes, reagiu com "forte desagrado" à "decisão unilateral" da administração norte-americana.
Menos um bilião de dólares
O Pentágono tem ordens para reduzir ao longo da próxima década mais de 843.600 mil milhões de euros (um bilião de dólares) em investimentos esperados. Tem pedido ainda ao Congresso dos EUA para encerrar várias bases nos próprios EUA, onde a capacidade excederá as necessidades operacionais em cerca de 20%.
Na semana passada, o tenente-general Ben Hodges, comandante das forças norte-americanas na Europa, afirmou à agência Reuters, que a pressão orçamental tornava os cortes inevitáveis, mas que, devido à tensão com a Rússia, os Estados Unidos iam fazer tudo para manter o nível de presença das suas forças na Europa.
"Podemos continuar com as tarefas que temos atualmente, que nos foram designadas agora, com as forças e infraestruturas atribuídas e com as forças de rotação que o exército se comprometeu a providenciar", afirmou Hodges. "Seria certamente um desafio se estas diminuissem". acrescentou.
"Esta transformação da nossa infraestrutura ajudará a maximizar as capacidades militares na Europa e ajudará a reforçar as nossas parcerias europeias, para que possamos apoiar os nossos aliados da NATO e parceiros na região", lê-se no comunicado do Pentágono.
Restrições Orçamentais
Os Estados Unidos têm na Europa mais 64 mil militares, integrados na NATO e distribuídos por diversos países, a maioria na Grã-Bretanha, Alemanha e Italia.
Cerca de 300 tropas irão ser transferidas da Alemanha para Itália mas a presença norte-americana na Alemanha irá ser ainda assim reforçada com a vinda parcial de militares de outras bases a encerrar.A administração Obama está a braços com cortes militares severos e a diminuição de efetivos. Mas a reestruturação reflete também a opção de reforçar o foco militar no centro e leste europeu, particularmente em relação à Rússia.
Washington promete aliás continuar a envolver os seus militares em exercícios conjuntos e treinos com os seus aliados europeus.
"Estes ajustamentos não diminuem a nossa capacidade de cumprir os nossos compromissos com aliados e parceiros", afirmou por seu lado o sub-secretario da Defesa Derek Chollet. "De facto, estas decisões vão levar a poupanças que nos irão permitir manter a presença de uma força robusta na Europa", acrescentou Chollet.
Lajes e Mildenhall
Os EUA vão retirar totalmente da base aérea britânica de Mildenhall, a nordeste de Londres, usada por aviões de carga, de operações especiais e de vigilância. A partir de 2019, um total de 3.200 militares e as suas famílias serão retiradas ao longo de vários anos. O secretario britânico da Defesa, Michael Falcon, afirmou-se desiludido com a decisão norte-americana de abandonar Mildenhall e duas outras bases no Reino Unido, mas sublinhou que o aviso prévio irá ajudar a mitigar o impacto local.
No total, a redução do número de tropas americanas em solo britânico será de cerca de 2000, já que 1.200 homens e os esquadrões F-35 da Força de Reação Conjunta irão reforçar a base da RAF (Royal Air Force - Força Aérea Real da Grã Bretanha) de Lakenheath, onde estão já estacionados os aparelhos do 48º esquadrão de combate dos EUA.
A redução na base das Lajes de 900 para 400 trabalhadores portugueses e de 650 para 165 civis e militares norte-americanos, ao longo de 2015, irá permitir reduzir custos em 35 milhões de dólares (29,6 milhões de euros) mas, garantem os EUA, não terá impacto na missão da base.
"Iremos manter o apoio às operações das Lajes ao serviço da aviação civil" e "da Força Aérea Portuguesa", como operações de controlo de tráfego aéreo e outras, afirmou esta tarde numa conferência de imprensa em Lisboa, o embaixador norte-americano Robert Sherman. A importância das Lajes tem vindo a diminuir, o que justifica a reestruturação.A redução das forças norte-americanas nas Lajes decorre de alterações técnicas operacionais nos últimos quatro anos e que faz com que o atual efetivo exceda em muito o necessário para abastecer e apoiar missões militares, explicou ainda o embaixador.
A base das Lajes está a receber em média menos de dois aviões militares por dia, frisou Sherman, devido em grande parte a avanços tecnológicos que levaram à redução da "frequência e do volume de voos a necessitar das condições oferecidas pela base das Lajes".
O Governo português, que até há dois dias falava ainda em "disponibilidade" para prosseguir com o diálogo para evitar a redução de efetivos norte-americanos e de pessoal português na base das Lajes, reagiu com "forte desagrado" à "decisão unilateral" da administração norte-americana.
Menos um bilião de dólares
O Pentágono tem ordens para reduzir ao longo da próxima década mais de 843.600 mil milhões de euros (um bilião de dólares) em investimentos esperados. Tem pedido ainda ao Congresso dos EUA para encerrar várias bases nos próprios EUA, onde a capacidade excederá as necessidades operacionais em cerca de 20%.
Na semana passada, o tenente-general Ben Hodges, comandante das forças norte-americanas na Europa, afirmou à agência Reuters, que a pressão orçamental tornava os cortes inevitáveis, mas que, devido à tensão com a Rússia, os Estados Unidos iam fazer tudo para manter o nível de presença das suas forças na Europa.
"Podemos continuar com as tarefas que temos atualmente, que nos foram designadas agora, com as forças e infraestruturas atribuídas e com as forças de rotação que o exército se comprometeu a providenciar", afirmou Hodges. "Seria certamente um desafio se estas diminuissem". acrescentou.