País
EUA reduzem pessoal civil e militar na Base das Lajes
Os trabalhadores portugueses da base das Lajes, Açores, vão ser reduzidos de 900 para 400 pessoas e os civis e militares norte-americanos passarão de 650 para 165. O anúncio da redução foi feito através de um comunicado do Pentágono e confirmado pelo embaixador dos EUA em Lisboa. O Governo português manifestou já o seu "forte desagrado" pela "decisão unilateral" da administração norte-americana.
O embaixador dos EUA em Lisboa, Robert Sherman, disse em conferência de imprensa que estas reduções vão permitir ao Governo norte-americano uma poupança anual de 35 milhões de dólares (29,6 milhões de euros).
A administração norte-americana está ainda a preparar um pacote de benefícios financeiros para os cerca de 500 trabalhadores portugueses dispensados acrescentou Sherman.
"A redução vai ser feita ao longo de 2015, não vai ser feita toda de uma vez", frisou. O embaixador desconhece se está já definido um calendário para a retirada das forças.
"Forte desagrado"
O Governo português manifestou ao fim da tarde o seu "forte desagrado" pela "decisão unilateral" da administração norte-americana.
"O Governo português expressa o seu forte desagrado por esta decisão, que não teve em conta as preocupações que transmitiu aos Estados Unidos da América ao longo dos últimos dois anos, em articulação com o Governo Regional dos Açores", afirma, em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros.
O executivo considera ser "especialmente preocupante" o impacto desta decisão "na situação económica e social da ilha Terceira".
Na nota, o ministério liderado por Rui Machete afirma que o Governo vai fazer uma "análise detalhada desta decisão e de todas as suas possíveis implicações". Há dois dias, o ministro português dos Negócios Estrangeiros garantia estar a trabalhar com os norte-americanos sobre o futuro das Lajes.
O Governo mantinha ainda esta semana que estava a fazer tudo para resolver o problema.
"O Governo português continua a manifestar a sua total disponibilidade para trabalhar trabalhar com os Estados Unidos na procura de uma solução que garanta a maximização quanto à utilização da Base das Lajes, reforce o relacionamento estratégico entre os dois países e não seja penalizadora para a população da Ilha Terceira", afirmara Rui Machete a 06 de janeiro de 2015, durante um seminário sobre as prioridades da política externa portuguesa.
Sobre o futuro das Lajes, Rui Machete acrescentava que "seria, aliás, prejudicial para as nossas relações bilaterais que Portugal não tivesse um resultado positivo neste longo e complexo processo".
"Uma monumental bofetada"
O governo regional dos Açores reagiu à notícia com indignação, frisando que, ainda há dois dias, o ministro português dos Negócios Estrangeiros garantia estar totalmente disponível para "trabalhar com os Estados Unidos na procura de uma solução".
"A imagem que me ocorre é a de uma monumental bofetada na cara do Estado português. Por todo o esforço diplomático que foi colocado neste processo, por todo o empenho que aos mais variados níveis do Estado português foi colocado neste assunto, por tudo aquilo que foi feito", afirmou à agência Lusa o presidente do executivo açoriano, Vasco Cordeiro.Cordeiro acrescentou que vai pedir audiências com caráter de urgência ao Presidente da República, Cavaco Silva, e ao primeiro-ministro, Passos Coelho, "uma vez que a palavra está agora do lado do Estado português".
O presidente da Organização Nacional de Luso-Americanos (NOPA), Francisco Semião, está mais otimista.
"Lutámos para que isto não acontecesse. Agora, que as conclusões são conhecidas, temos de pensar em alternativas. Esta redução pode ser uma oportunidade com vantagens económicas", disse Semião à agência Lusa.
Francisco Semião sugere, por exemplo, um centro para reformados. "É apenas uma ideia, mas é algo que se adequa às instalações existentes e que teria vantagens. Os aposentados têm muito mais rendimento disponível do que os militares que lá estão. A economia local até pode sair beneficiada", disse. Apoio aos portugueses
A reestruturação militar norte-americana não é uma surpresa. Em outubro de 2014, durante uma visita ao arquipélago dos Açores, o primeiro ministro Pedro Passos Coelho prometeu apoios para reduzir o impacto da redução de pessoal português.
Na mesma altura, o presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadoresa da Base das Lajes, João Ormonde, acreditava ser possível evitar a redução da presença norte-americana.
"É admissível que se trabalhe num plano B, mas o plano B não tem prioridade", afirmou Ormonde depois de se reunir com Passos Coelho e queixando-se de só ter ouvido falar de alternativas mas não de planos para manter a presença dos EUA nos Açores.
Adaptação operacional
A redução das forças norte-americanas nas Lajes decorre de alterações técnicas operacionais nos últimos quatro anos e que faz com que o atual efetivo exceda em muito o necessário para abastecer e apoiar missões militares.
A base das Lajes está a receber em média menos de dois aviões militares por dia, frisou Sherman, devido em grande parte a avanços tecnológicos que levaram à redução da "frequência e do volume de voos a necessitar das condições oferecidas pela base das Lajes".
Por outro lado, assegurou o embaixador, os Estados Unidos vão "manter o apoio às operações das Lajes ao serviço da aviação civil" e "da Força Aérea Portuguesa", como operações de controlo de tráfego aéreo e outras.
Reforço na Alemanha e em Itália
No total os Estados Unidos esperam poupar cerca de 500 milhões de dólares com a reestruturação das suas forças na Europa.
De acordo com o Pentágono, a reestruturações de custos significará "uma ligeira redução" das forças militares na Europa. Mas Hagel garante que os EUA vão manter o apoio aos seus aliados europeus.
"Esta transformação da nossa infraestrutura ajudará a maximizar as capacidades militares na Europa e ajudará a reforçar as nossas parcerias europeias, para que possamos apoiar os nossos aliados da NATO e parceiros na região", lê-se no comunicado do Pentágono.
Os Estados Unidos têm na Europa 67 mil militares, distribuídos em diversos países e integrados na NATO.
Parte das forças americanas retiradas de Portugal e da Alemanha serão aliás alocadas à Alemanha e a Itália. A reestruturação parece refletir a mudança de foco militar para o leste europeu, particularmente em relação à Rússia.
Washington pretende continuar a envolver os seus militares em exercícios conjuntos e treinos com os seus aliados europeus.
A administração norte-americana está ainda a preparar um pacote de benefícios financeiros para os cerca de 500 trabalhadores portugueses dispensados acrescentou Sherman.
"A redução vai ser feita ao longo de 2015, não vai ser feita toda de uma vez", frisou. O embaixador desconhece se está já definido um calendário para a retirada das forças.
"Forte desagrado"
O Governo português manifestou ao fim da tarde o seu "forte desagrado" pela "decisão unilateral" da administração norte-americana.
"O Governo português expressa o seu forte desagrado por esta decisão, que não teve em conta as preocupações que transmitiu aos Estados Unidos da América ao longo dos últimos dois anos, em articulação com o Governo Regional dos Açores", afirma, em comunicado, o ministério dos Negócios Estrangeiros.
O executivo considera ser "especialmente preocupante" o impacto desta decisão "na situação económica e social da ilha Terceira".
Na nota, o ministério liderado por Rui Machete afirma que o Governo vai fazer uma "análise detalhada desta decisão e de todas as suas possíveis implicações". Há dois dias, o ministro português dos Negócios Estrangeiros garantia estar a trabalhar com os norte-americanos sobre o futuro das Lajes.
O Governo mantinha ainda esta semana que estava a fazer tudo para resolver o problema.
"O Governo português continua a manifestar a sua total disponibilidade para trabalhar trabalhar com os Estados Unidos na procura de uma solução que garanta a maximização quanto à utilização da Base das Lajes, reforce o relacionamento estratégico entre os dois países e não seja penalizadora para a população da Ilha Terceira", afirmara Rui Machete a 06 de janeiro de 2015, durante um seminário sobre as prioridades da política externa portuguesa.
Sobre o futuro das Lajes, Rui Machete acrescentava que "seria, aliás, prejudicial para as nossas relações bilaterais que Portugal não tivesse um resultado positivo neste longo e complexo processo".
"Uma monumental bofetada"
O governo regional dos Açores reagiu à notícia com indignação, frisando que, ainda há dois dias, o ministro português dos Negócios Estrangeiros garantia estar totalmente disponível para "trabalhar com os Estados Unidos na procura de uma solução".
"A imagem que me ocorre é a de uma monumental bofetada na cara do Estado português. Por todo o esforço diplomático que foi colocado neste processo, por todo o empenho que aos mais variados níveis do Estado português foi colocado neste assunto, por tudo aquilo que foi feito", afirmou à agência Lusa o presidente do executivo açoriano, Vasco Cordeiro.Cordeiro acrescentou que vai pedir audiências com caráter de urgência ao Presidente da República, Cavaco Silva, e ao primeiro-ministro, Passos Coelho, "uma vez que a palavra está agora do lado do Estado português".
O presidente da Organização Nacional de Luso-Americanos (NOPA), Francisco Semião, está mais otimista.
"Lutámos para que isto não acontecesse. Agora, que as conclusões são conhecidas, temos de pensar em alternativas. Esta redução pode ser uma oportunidade com vantagens económicas", disse Semião à agência Lusa.
Francisco Semião sugere, por exemplo, um centro para reformados. "É apenas uma ideia, mas é algo que se adequa às instalações existentes e que teria vantagens. Os aposentados têm muito mais rendimento disponível do que os militares que lá estão. A economia local até pode sair beneficiada", disse. Apoio aos portugueses
A reestruturação militar norte-americana não é uma surpresa. Em outubro de 2014, durante uma visita ao arquipélago dos Açores, o primeiro ministro Pedro Passos Coelho prometeu apoios para reduzir o impacto da redução de pessoal português.
Na mesma altura, o presidente da Comissão Representativa dos Trabalhadoresa da Base das Lajes, João Ormonde, acreditava ser possível evitar a redução da presença norte-americana.
"É admissível que se trabalhe num plano B, mas o plano B não tem prioridade", afirmou Ormonde depois de se reunir com Passos Coelho e queixando-se de só ter ouvido falar de alternativas mas não de planos para manter a presença dos EUA nos Açores.
Adaptação operacional
A redução das forças norte-americanas nas Lajes decorre de alterações técnicas operacionais nos últimos quatro anos e que faz com que o atual efetivo exceda em muito o necessário para abastecer e apoiar missões militares.
A base das Lajes está a receber em média menos de dois aviões militares por dia, frisou Sherman, devido em grande parte a avanços tecnológicos que levaram à redução da "frequência e do volume de voos a necessitar das condições oferecidas pela base das Lajes".
Por outro lado, assegurou o embaixador, os Estados Unidos vão "manter o apoio às operações das Lajes ao serviço da aviação civil" e "da Força Aérea Portuguesa", como operações de controlo de tráfego aéreo e outras.
Reforço na Alemanha e em Itália
No total os Estados Unidos esperam poupar cerca de 500 milhões de dólares com a reestruturação das suas forças na Europa.
De acordo com o Pentágono, a reestruturações de custos significará "uma ligeira redução" das forças militares na Europa. Mas Hagel garante que os EUA vão manter o apoio aos seus aliados europeus.
"Esta transformação da nossa infraestrutura ajudará a maximizar as capacidades militares na Europa e ajudará a reforçar as nossas parcerias europeias, para que possamos apoiar os nossos aliados da NATO e parceiros na região", lê-se no comunicado do Pentágono.
Os Estados Unidos têm na Europa 67 mil militares, distribuídos em diversos países e integrados na NATO.
Parte das forças americanas retiradas de Portugal e da Alemanha serão aliás alocadas à Alemanha e a Itália. A reestruturação parece refletir a mudança de foco militar para o leste europeu, particularmente em relação à Rússia.
Washington pretende continuar a envolver os seus militares em exercícios conjuntos e treinos com os seus aliados europeus.