EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Estreito de Ormuz. Moreira da Silva vai liderar mecanismo da ONU para o comércio de fertilizantes

Estreito de Ormuz. Moreira da Silva vai liderar mecanismo da ONU para o comércio de fertilizantes

O secretário-geral das Nações Unidas anunciou esta sexta-feira a criação de um grupo de trabalho para facilitar o comércio de fertilizantes e a movimentação de matérias-primas relacionadas. O português Jorge Moreira da Silva, atual subsecretário-geral e responsável da ONU para infraestruturas e projetos, irá liderar este novo mecanismo.

Andreia Martins - RTP /
Foto: RTP

"Inspirando-se em iniciativas relevantes da ONU, incluindo o Mecanismo de Verificação, Inspeção e Monitorização das Nações Unidas para o Iémen, a Iniciativa dos Cereais do Mar Negro e o Mecanismo UN2720 para Gaza, este novo mecanismo para o Estreito de Ormuz visa facilitar o comércio de fertilizantes, incluindo a movimentação de matérias-primas relacionadas", adiantou o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric. 

O porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas indicou que esta iniciativa terá como propósito o desenvolvimento e proposta de mecanismos técnicos para ajudar a satisfazer as necessidades humanitárias no contexto do atual bloqueio no Estreito de Ormuz. 

A iniciativa será liderada por Jorge Moreira da Silva, atual diretor do Gabinete das Nações Unidas para os Serviços para Projetos (UNOPS) e subsecretário-geral da ONU. 

"Com a continuidade do conflito no Médio Oriente e a ameaça de escalada [do conflito], as perturbações no comércio marítimo no Estreito de Ormuz correm o risco de gerar um efeito dominó, impactando as necessidades humanitárias e a produção agrícola nos próximos meses", disse Stéphane Dujarric aos jornalistas.

Acrescentou que "é necessária uma ação imediata para mitigar estas consequências".
30% do comércio de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz

Segundo o porta-voz do secretário-geral da ONU, este grupo de trabalho irá incluir representantees de várias agências internacionais e em "estreita consulta" com estados-membros "relevantes". 

Nos últimos dias, António Guterres contactou diretamente responsáveis do Irão, Estados Unidos, Paquistão, Egito e Bahrein.

"Temos muita experiência com este tipo de mecanismo em zonas de conflito", afirmou, citando em particular o acordo que permitiu a exportação de cereais ucranianos através do Mar Negro durante um ano, na sequência da invasão russa da Ucrânia. 

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 30 por cento do comércio internacional de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz. 

Maximo Torero, economista-chefe da FAO, estimou na quinta-feira que os mercados poderão "absorver" o choque do conflito se este se prolongar por mais uma ou dias semanas. 

No entanto, num cenário "com um bloqueio de três meses, todos os agricultores do mundo serão afetados"
, estimou o responsável. 
PUB