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Estreito de Ormuz. Moreira da Silva vai liderar mecanismo da ONU para o comércio de fertilizantes
O secretário-geral das Nações Unidas anunciou esta sexta-feira a criação de um grupo de trabalho para facilitar o comércio de fertilizantes e a movimentação de matérias-primas relacionadas. O português Jorge Moreira da Silva, atual subsecretário-geral e responsável da ONU para infraestruturas e projetos, irá liderar este novo mecanismo.
"Inspirando-se em iniciativas relevantes da ONU, incluindo o Mecanismo de Verificação, Inspeção e Monitorização das Nações Unidas para o Iémen, a Iniciativa dos Cereais do Mar Negro e o Mecanismo UN2720 para Gaza, este novo mecanismo para o Estreito de Ormuz visa facilitar o comércio de fertilizantes, incluindo a movimentação de matérias-primas relacionadas", adiantou o porta-voz de António Guterres, Stéphane Dujarric.
O porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas indicou que esta iniciativa terá como propósito o desenvolvimento e proposta de mecanismos técnicos para ajudar a satisfazer as necessidades humanitárias no contexto do atual bloqueio no Estreito de Ormuz.
A iniciativa será liderada por Jorge Moreira da Silva, atual diretor do Gabinete das Nações Unidas para os Serviços para Projetos (UNOPS) e subsecretário-geral da ONU.
"Com a continuidade do conflito no Médio Oriente e a ameaça de escalada [do conflito], as perturbações no comércio marítimo no Estreito de Ormuz correm o risco de gerar um efeito dominó, impactando as necessidades humanitárias e a produção agrícola nos próximos meses", disse Stéphane Dujarric aos jornalistas.
Acrescentou que "é necessária uma ação imediata para mitigar estas consequências".
30% do comércio de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz
Segundo o porta-voz do secretário-geral da ONU, este grupo de trabalho irá incluir representantees de várias agências internacionais e em "estreita consulta" com estados-membros "relevantes".
Nos últimos dias, António Guterres contactou diretamente responsáveis do Irão, Estados Unidos, Paquistão, Egito e Bahrein.
"Temos muita experiência com este tipo de mecanismo em zonas de conflito", afirmou, citando em particular o acordo que permitiu a exportação de cereais ucranianos através do Mar Negro durante um ano, na sequência da invasão russa da Ucrânia.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 30 por cento do comércio internacional de fertilizantes passa pelo Estreito de Ormuz.
Maximo Torero, economista-chefe da FAO, estimou na quinta-feira que os mercados poderão "absorver" o choque do conflito se este se prolongar por mais uma ou dias semanas.
No entanto, num cenário "com um bloqueio de três meses, todos os agricultores do mundo serão afetados", estimou o responsável.
No entanto, num cenário "com um bloqueio de três meses, todos os agricultores do mundo serão afetados", estimou o responsável.