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Etiópia escolhe primeira mulher Presidente
O Parlamento da Etiópia elegeu quinta-feira por unanimidade a diplomata de carreira Sahle-Work Zewde, de 68 anos, em substituição do Presidente Mulatu Teshome Wirtu, que apresentou a sua demissão na quarta-feira, um ano antes do fim do mandato.
Sahle-Work tornou-se assim a quarta chefe de Estado da Etiópia e a primeira mulher a ocupar o cargo, desde a adoção da Constituição de 1995 que prevê que um Presidente possa ser eleito para o máximo de dois mandatos consecutivos de seis anos cada.
"Eu, Sahle-Work Zewde, hoje quando inicio o meu trabalho como Presidente da República Federal Democrática da Etiópia, prometo cumprir os meus deveres fielmente", começou por dizer a diplomata.
"A falta de paz vitimiza primeiro as mulheres, por isso durante o meu mandato vou enfatizar o papel das mulheres na garantia da paz e nos dividendos da paz para as mulheres. As principais vítimas são mulheres pelo que durante a minha presidência o foco principal é garantir a paz através da mobilização de todas as mulheres etíopes, homens amantes de paz e todos os povos do mundo que amem a paz", acrescentou.
Em abril, a FDRPE escolheu Abiy Ahmed como novo primeiro-ministro, que concentra o poder real, e representante do país nas instâncias internacionais. Ahmed é o primeiro chefe de Governo oriundo do maior grupo étnico da Etiópia, os Oromo.
Ahmed tem empreendido um vasto programa de reformas, incluindo a libertação de dissidentes, abrindo o espaço democrático e estendendo a mão da paz à vizinha Eritreia.
Na semana passada nomeou um Executivo com 20 ministérios, 10 dos quais chefiados por mulheres, incluindo Aisha Mohammed, ministra da Defesa e Muferiat Kamil, para chefiar o recém-criado Ministério da Paz, responsável pelas agências de polícia e serviços de informação interna.
As responsabilidades do Presidente na Etiópia são essencialmente simbólicas e honoríficas mas têm grande influência. A Etiópia é a segunda nação mais populosa da África e a décima maior em
área. Faz fronteira com o Sudão e com o Sudão do Sul a oeste, com o
Djibuti e a Eritreia ao norte, com a Somália ao leste, e o Quênia ao
sul. A capital é a cidade de Adis Abeba.
Ao aceitar a nomeação, Sahle-Work prometeu trabalhar para garantir a paz, sobretudo para proteger as maiores vitimas da guerra, as mulheres.
"Eu, Sahle-Work Zewde, hoje quando inicio o meu trabalho como Presidente da República Federal Democrática da Etiópia, prometo cumprir os meus deveres fielmente", começou por dizer a diplomata.
"A falta de paz vitimiza primeiro as mulheres, por isso durante o meu mandato vou enfatizar o papel das mulheres na garantia da paz e nos dividendos da paz para as mulheres. As principais vítimas são mulheres pelo que durante a minha presidência o foco principal é garantir a paz através da mobilização de todas as mulheres etíopes, homens amantes de paz e todos os povos do mundo que amem a paz", acrescentou.
"Os partidos do Governo e da oposição têm de perceber que habitamos uma casa comum e focar naquilo que nos une, não no que nos divide, para criar um país e uma geração que nos encha de orgulho", lembrou ainda.
Diplomata de carreira
Nascida em Adis Abeba, Sahle-Work frequentou a Universidade em França e é
fluente não só em Amharic, a principal língua da Etiópia, como em
francês e em inglês.
Com uma carreira de 30 anos em diplomacia, Sahle-Work chefiou o escritório da ONU em Nairobi, no Quénia, até ser nomeada em junho representante das Nações Unidas na União Africana. O secretário-geral da ONU, António Guterres, frisou na altura que era a primeira vez que uma mulher ocupava esta posição.
Com uma carreira de 30 anos em diplomacia, Sahle-Work chefiou o escritório da ONU em Nairobi, no Quénia, até ser nomeada em junho representante das Nações Unidas na União Africana. O secretário-geral da ONU, António Guterres, frisou na altura que era a primeira vez que uma mulher ocupava esta posição.
Ao serviço da ONU ,
Sahle-Work Zewde ocupou vários cargos, incluindo o de chefe da Missão
das Nações Unidas na República Centro-Africana, Minusca e representante
permanente da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e
Cultura, Unesco, em França.
A etíope foi ainda embaixadora do seu país no Senegal e representante da Etópia na Tunísia e em Marrocos, com acreditação no Mali, em Cabo Verde, na Guiné-Bissau, na Gâmbia e na Guiné Conacri. Foi ainda representante permanente da Etiópia na Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, o bloco regional este-africano.
A etíope foi ainda embaixadora do seu país no Senegal e representante da Etópia na Tunísia e em Marrocos, com acreditação no Mali, em Cabo Verde, na Guiné-Bissau, na Gâmbia e na Guiné Conacri. Foi ainda representante permanente da Etiópia na Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, o bloco regional este-africano.
Novo Governo paritário
Antes de designar a nova Presidente, as duas câmaras do Parlamento etíope aceitaram a demissão de Mulatu Teshome, que ocupava o cargo desde 2013.
Não foram dadas explicações para a sua demissão, embora analistas políticos avancem que resulte de negociações em curso entre os quatro partidos que compõem a coligação atualmente no poder, intitulada Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope.
Em abril, a FDRPE escolheu Abiy Ahmed como novo primeiro-ministro, que concentra o poder real, e representante do país nas instâncias internacionais. Ahmed é o primeiro chefe de Governo oriundo do maior grupo étnico da Etiópia, os Oromo.
Ahmed tem empreendido um vasto programa de reformas, incluindo a libertação de dissidentes, abrindo o espaço democrático e estendendo a mão da paz à vizinha Eritreia.
Na semana passada nomeou um Executivo com 20 ministérios, 10 dos quais chefiados por mulheres, incluindo Aisha Mohammed, ministra da Defesa e Muferiat Kamil, para chefiar o recém-criado Ministério da Paz, responsável pelas agências de polícia e serviços de informação interna.
"Se as atuais mudanças na Etiópia forem lideradas igualmente por homens e por mulheres, poderão sustentar o seu impulso e formar uma Etiópia próspera, livre de discriminação religiosa, étnica e de género", afirmou Sahle-Work na sua tomada de posse.
Primeira Presidente africana
A presidente da Assembleia Geral, María Fernanda Espinosa, reagiu à eleição da nova chefe de Estado etíope dizendo estar orgulhosa do facto de uma ex-funcionária da ONU se tornar a primeira presidente do país africano. Na saudação feita no Twitter, Espinosa destaca que as mulheres fazem a diferença.
Na mesma rede social, a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, felicitou a nova presidente etíope dizendo que a data é para comemorar.
Na mesma rede social, a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, felicitou a nova presidente etíope dizendo que a data é para comemorar.
Nos últimos anos uma série de países africanos designaram mulheres para o
poder executivo, incluindollen Johnson Sirleaf na Liberia (2006-18) and
Joyce Banda no Malawi (2012-14.
Depois da morte no cargo de Bingu wa Mutharika, Banda foi nomeada Presidente e Sirleaf venceu duas eleições antes de resignar no início deste ano no final dos seus dois mandatos constitucionais.
Depois da morte no cargo de Bingu wa Mutharika, Banda foi nomeada Presidente e Sirleaf venceu duas eleições antes de resignar no início deste ano no final dos seus dois mandatos constitucionais.