EUA anunciam ajuda à Síria e Iraque em conferência sobre combate ao grupo EI
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, anunciou hoje, no Dubai, um apoio de quase 150 milhões de dólares (cerca de 140 milhões de euros) para áreas libertadas pelo grupo Estado Islâmico localizadas na Síria e no Iraque.
O anúncio foi feito numa conferência ministerial organizada pela Arábia Saudita sobre o combate a este grupo extremista, que embora não esteja a controlar territórios, tem realizado ataques em África, na Ásia e no Médio Oriente.
A Coligação Global para Derrotar a organização jihadista ISIS inclui mais de 80 países e coordena ações contra o grupo extremista, que já controlou grandes partes da Síria e do Iraque.
Blinken disse que a promessa dos EUA faz parte de um novo financiamento de mais de 600 milhões.
"As pobres condições de segurança e humanitárias e a falta de oportunidades económicas são combustível para o tipo de desespero com o qual o ISIS se alimenta e recruta. Portanto temos que permanecer comprometidos com nossas metas de estabilização", disse Blinken.
O governante americano fez uma visita de dois dias ao reino, tendo-se reunido com altos funcionários sauditas, incluindo o líder do país, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.
Paralelamente participou numa reunião de ministros das Relações Exteriores do Golfo.
Sob o comando do príncipe herdeiro, este reino rico em petróleo está apostado numa enorme transformação económica e social com o objetivo de reduzir sua dependência do petróleo e atrair comércio, investimentos e turismo.
Nos últimos anos, o reino suspendeu a proibição de mulheres conduzirem, substituiu a polícia religiosa e começou a receber espetáculos e visitas de celebridades, situações impensáveis há uma década, quando era conhecido internacionalmente pelas convicções ultraconservadoras.
Os sauditas lançaram amplos esforços diplomáticos para terminar a guerra no Iêmen, resolver uma crise com o Catar, restaurar relações com o arquirrival Irão e dar as boas-vindas ao presidente da Síria, Bashar Assad, de volta à Liga Árabe após um boicote de 12 anos.
Esta aposta diplomática incluiu contactos com inimigos dos EUA como a Rússia e até a Venezuela, cujo presidente Nicolás Maduro se reuniu com o príncipe herdeiro pouco antes da chegada de Blinken.
Os sauditas também resistiram à pressão dos EUA para reduzir os preços do petróleo enquanto procuram receitas para financiar o que passaram a chamar de "Projetos Giga", como uma cidade futurista de 500 bilhões de dólares a construir no Mar Vermelho.
O reino também está a trabalhar para se transformar numa potência global no mundo do desporto, atraindo craques do futebol como Cristiano Ronaldo e Karim Benzema para seus clubes locais com contratos milionários.
Além de melhorar as relações com os inimigos de Washington, os sauditas também resolveram uma disputa com o Canadá e convidaram o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, um aliado próximo do Ocidente, para discursar numa cúpula da Liga Árabe no mês passado.
Os críticos dizem que os esforços diplomáticos e o impulso ligado ao desporto visam reparar a imagem do reino após o assassinato e desmembramento de Jamal Khashoggi em 2018, um proeminente dissidente saudita e colunista do Washington Post.
Os serviços americanos concluíram que o príncipe Mohammed provavelmente aprovou a operação realizada por agentes sauditas, alegações que ele nega.
Os críticos também apontam para uma repressão sem precedentes à dissidência nos últimos anos, com as autoridades a prender desde ativistas liberais dos direitos das mulheres até islâmicos ultraconservadores, e até mesmo sauditas que vivem nos Estados Unidos.
O Departamento de Estado disse que Blinken se envolveu em amplas discussões com sauditas e outras autoridades árabes e que levantou questões de direitos humanos, mas não ficou claro se o governante americano convenceu os sauditas a libertar prisioneiros ou a suspender as proibições de viagens.