EUA e China. Muitas palavras elogiosas e poucas decisões

EUA e China. Muitas palavras elogiosas e poucas decisões

Xi Jiping apelou a uma cooperação abrangente com Washington para evitar que EUA e China entrem em rota de colisão militar. Em causa estão as tensões relacionadas com a guerra de tarifas entre os dois países, a questão de Taiwan, e o desenvolvimento da Inteligência Artificial.

Cristina Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
EPA

Na Casa Branca, o presidente chinês nomeou os termos que considera necessários para um entendimento mútuo.

São condições para "alcançar o grande rejuvenescimento da nação chinesa e tornar a América grande novamente”. Tendo como objetivo que “caminhem juntos", defendeu Xi Jiping, no primeiro encontro com Trump e aproveitando para citar o slogan político do republicano.
"Devemos reforçar a comunicação. (...) através de um diálogo franco, profundo e contínuo, os nossos dois países podem compreender-se melhor, procurar pontos em comum enquanto deixam de lado as divergências e construir confiança mútua", afirmou o presidente chinês.
"As nossas forças armadas devem manter um diálogo regular e melhorar os mecanismos de comunicação e prevenção de crises."

Com estas condições estabelecidas, o presidente chinês acredita que "a Armadilha de Tucídides pode ser ultrapassada".

Uma referência à teoria inscrita nos manuais de guerra que quando uma potência em ascensão ameaça o papel dominante de uma outra potência estabelecida, o embate é quase inevitável.

Quanto a decisões concretas, a trégua comercial que levou os dois países a suspender uma guerra tarifária foi prolongada apenas por dois meses. Passou de novembro para janeiro.

Isto significa que as disputas fundamentais sobre tarifas, o domínio da China no fornecimento de terras raras e o acesso a chips norte-americanos avançados estão a ser adiadas para mais uma ronda de negociações.

Em relação a Taiwan, o presidente chinês deixou claro mais uma vez que as vendas de armas dos EUA à ilha representam uma "linha vermelha" para a China.
Ficou o aviso à atenção de Donald Trump, Pequim espera que Washington "mantenha a sua postura correta contra a 'independência de Taiwan'", escreve a imprensa oficial chinesa.
De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, na reunião entre os dois chefes de Estado, Xi Jiping "expressou o desejo de que os Estados Unidos (…) tratem a questão de Taiwan com prudência e lancem bases sólidas para a cooperação estratégica entre a China e os Estados Unidos e para o desenvolvimento das relações bilaterais". 

No entanto, Trump ainda não se manifestou publicamente sobre os comentários do líder chinês.

No discurso que proferiu durante o jantar, Xi Jiping recordou que o intercâmbio entre Estados Unidos e China se estende pelos 250 anos da História norte-americana. 

Enquanto Trump brindou a um futuro de "harmonia, paz e sucesso" para ambas as nações. O presidente norte-americano afirmou que a relação entre os dois líderes é sólida. 

"Nunca nos demos tão bem", assegurou Trump que ofereceu ao líder chinês uma escultura de uma águia-de-cabeça-branca (o símbolo nacional dos Estados Unidos) que personifica "o espírito livre e de voo alto da América". "Esperamos que ela encontre um lugar agradável e maravilhoso em Pequim. É uma honra para o senhor", disse Trump.

Xi Jiping agradeceu aos anfitriões por o receberem a ele e à sua mulher com "cuidado e consideração minuciosos", fazendo com que se sentissem "verdadeiramente em casa".

O presidente chinês anunciou também que a China vai enviar dois pandas para o jardim zoológico de Atlanta. Xi Jiping apresentou os animais como "embaixadores da amizade" entre os dois países.
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