EUA e Irão retomam negociações para tentar quebrar impasse de "nem guerra nem paz"

EUA e Irão retomam negociações para tentar quebrar impasse de "nem guerra nem paz"

O Irão e os EUA retomam esta quinta-feira as negociações em Genebra, com o objetivo de resolver a sua longa disputa nuclear e evitar novos ataques americanos ao Irão. Teerão apresentou uma proposta e insiste que é possível chegar a um acordo se Donald Trump cumprir as pré-condições acordadas.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Hasan Mrad - ZUMA Press Wire via Reuters

Teerão e Washington realizam esta quinta-feira a terceira ronda de negociações, procurando ultrapassar um impasse de décadas sobre o programa nuclear iraniano, que Washington, outros países ocidentais e Israel acreditam ter como objetivo a construção de armas nucleares. Teerão nega essa acusação.

O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o genro do presidente norte-americano, Jared Kushner, vão participar nas negociações indiretas com o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi, informou um responsável norte-americano à Reuters. O encontro acontece após as discussões realizadas em Genebra na semana passada e será novamente mediado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr Albusaidi.

O Irão apresentou uma proposta para um possível acordo nuclear com os Estados Unidos, através de um intermediário de Omã, divulgou esta quinta-feira a agência de notícias estatal iraniana IRNA.


"A delegação da República Islâmica do Irão apresentou propostas aos EUA que eliminam todos os pretextos norte-americanos em relação ao programa nuclear pacífico do Irão", segundo a agência de notícias iraniana.

De acordo com a IRNA, se esta proposta for rejeitada, "confirma a suspeita da falta de seriedade dos Estados Unidos em matéria diplomática e a natureza simbólica da sua postura diplomática".


A proposta foi anunciada depois de Araqchi e Albusaidi terem reunido na noite de quarta-feira.
“Acordo justo e equitativo”
Antes de partir para Genebra, Araghchi afirmou que o objetivo era alcançar “um acordo justo e equitativo no menor tempo possível”.

“As nossas posições e crenças fundamentais são completamente claras. O Irão jamais, sob quaisquer circunstâncias, procurará desenvolver armas nucleares; ao mesmo tempo, nós, iranianos, jamais abriremos mão do nosso direito de nos beneficiarmos da tecnologia nuclear para fins pacíficos”, acrescentou.

“Chegar a um acordo está ao nosso alcance, mas apenas se a diplomacia for priorizada”, asseverou.

O Irão insiste que um acordo está ao alcance, desde que Washington mantenha sua disposição de conceder ao Irão o direito simbólico de enriquecer urânio e de não impor controlos ao programa de mísseis balísticos iraniano. Estas condições são consideradas cruciais pelos diplomatas iranianos, mas ainda não está claro se os EUA aceitam estes parâmetros.

Os dois lados iniciam as negociações indiretas com posições muito distantes: Washington insiste na suspensão do enriquecimento de urânio iraniano e na limitação do alcance dos seus mísseis, enquanto Teerão afirma só estar disposto a reduzir o seu programa nuclear em troca do levantamento das sanções.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira que seria um "grande problema" se o Irão não negociasse a respeito dos mísseis.

"Se nem sequer consegue avançar no programa nuclear, será difícil avançar também com os mísseis balísticos", disse Rubio na noite de quarta-feira, afirmando que a questão dos mísseis terá de ser resolvida eventualmente, uma vez que são “projetados exclusivamente para atingir os Estados Unidos” e representam uma ameaça à estabilidade regional.
As ameaças de Trump
As negociações acontecem enquanto Donald Trump continua a ameaçar os iranianos com uma intervenção armada e enviou o maior destacamento militar para o Médio Oriente desde a Guerra do Iraque.

Na madrugada de quarta-feira, o presidente norte-americano acusou Teerão está a desenvolver mísseis capazes de atingir território americano e garantiu que não permitiria que “o maior patrocinador do terrorismo no mundo” possuísse uma arma nuclear.

Teerão classificou como "grandes mentiras" as afirmações do presidente norte-americano e o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou esta quinta-feira que a República Islâmica não procura desenvolver armas nucleares.

"Trump disse que o Irão deve declarar que não procura desenvolver armas nucleares, mas já o dissemos em inúmeras ocasiões", afirmou Pezeshkian, afirmando que está empenhado em tentar sair “desta situação de ‘nem guerra nem paz’”.

O presidente iraniano recordou que o líder supremo do Irão, Ali Khamenei, proibiu o desenvolvimento de armas nucleares na República Islâmica e que, após fazer estas declarações, "significa que não as teremos".

c/ agências
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