Alemanha recorda que a Administração norte-americana continua a mesma, apesar da vitória democrata
Democratas conquistam Congresso e impõem derrota a Trump
Os democratas conquistaram as duas câmaras do Congresso norte-americano nas eleições intercalares de terça-feira, alcançando vitórias surpreendentes em estados republicanos e impondo uma pesada derrota política ao Presidente Donald Trump.
A dimensão da vitória, confirmada pelas projeções dos principais órgãos de comunicação social norte-americanos, superou as expectativas do Partido Democrata, que recuperou o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes, até agora dominados pelos republicanos.
Os resultados representam uma mudança profunda no equilíbrio político em Washington e obrigarão Trump a enfrentar um Congresso controlado pela oposição durante os últimos dois anos do seu mandato presidencial.
Segundo os dados provisórios divulgados durante a madrugada, os democratas tinham assegurado pelo menos 54 lugares no Senado e 225 na Câmara dos Representantes, ultrapassando as maiorias necessárias em ambas as câmaras, embora várias disputas continuem sem vencedor declarado.
A conquista do Senado constituiu a maior surpresa da noite eleitoral, depois de os democratas retirarem aos republicanos pelo menos sete lugares, incluindo em estados tradicionalmente conservadores como Texas, Kansas, Carolina do Sul, Ohio e Iowa.
No Texas, o democrata James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton, apoiado por Trump, tornando-se o primeiro candidato do seu partido a conquistar um lugar no Senado por aquele estado desde 1988.
Outra vitória histórica ocorreu no Kansas, onde Adam Hamilton derrotou o senador republicano Roger Marshall, garantindo a primeira eleição de um democrata para o Senado naquele estado desde 1932.
Na Carolina do Sul, Annie Andrews derrotou a republicana Darline Graham, conseguindo uma vitória que escapava aos democratas desde o século passado, enquanto no Ohio o antigo senador Sherrod Brown recuperou um lugar na câmara alta ao derrotar Jon Husted.
Na Carolina do Norte, o antigo governador Roy Cooper venceu Michael Whatley, apoiado pelo Presidente, e no Iowa o democrata Josh Turek derrotou Ashley Hinson.
No Maine, Susan Collins, uma das mais conhecidas senadoras republicanas e membro do Congresso desde 1997, reconheceu a derrota perante o democrata Troy Jackson, apesar de o apuramento ainda não estar concluído.
Os democratas conseguiram também conservar lugares importantes, incluindo na Geórgia, onde Jon Ossoff (uma das esperanças dos democratas para o futuro do partido) foi reeleito, e no New Hampshire, onde Chris Pappas venceu a disputa pelo lugar deixado pela senadora Jeanne Shaheen.
No Michigan, Abdul El-Sayed reivindicou a vitória sobre o republicano Mike Rogers, tornando-se, segundo as projeções posteriormente divulgadas, o primeiro muçulmano eleito para o Senado norte-americano.
El-Sayed, que enfrentou ataques relacionados com a sua religião durante a campanha, destacou no discurso de vitória as dificuldades económicas das famílias norte-americanas e defendeu o acesso aos cuidados de saúde e os direitos dos trabalhadores.
Apesar da maioria democrata já projetada no Senado, permanecem por decidir as disputas no Alasca e no Mississípi, que poderão ampliar a dimensão da vitória da oposição.
No Alasca, a democrata Mary Peltola disputa o lugar ocupado pelo republicano Dan Sullivan, numa eleição particularmente renhida e os primeiros resultados chegaram a dar vantagem à candidata democrata, mas o apuramento deverá prolongar-se devido às regras eleitorais do estado, que incluem a votação por ordem de preferência.
No Mississípi, estado habitualmente favorável aos republicanos, a senadora Cindy Hyde-Smith enfrenta uma disputa inesperadamente equilibrada com o democrata Scott Colom, com diferenças reduzidas entre os candidatos nos resultados provisórios.
Na Câmara dos Representantes, os democratas conquistaram mais de duas dezenas de círculos anteriormente republicanos, incluindo alguns onde Trump tinha vencido as presidenciais de 2024 por margens superiores a 10 pontos percentuais, segundo a Associated Press.
A nova maioria permitirá aos democratas controlar as comissões parlamentares, investigar a administração presidencial e bloquear iniciativas legislativas republicanas, enquanto o controlo do Senado lhes dará capacidade para travar nomeações presidenciais.
O líder dos democratas no Senado, Chuck Schumer, saudou uma vitória que considerou extraordinária e prometeu uma mudança nas prioridades políticas em Washington.
"Contra todas as expectativas, nós, democratas, conquistámos o Senado", declarou Schumer, acrescentando que "o alívio está a caminho" para as famílias norte-americanas.
O senador de Nova Iorque afirmou que os resultados representam uma transformação geracional do mapa político do Senado e advertiu que os democratas terão agora de responder às expectativas dos eleitores.
Donald Trump felicitou os democratas, mas procurou distanciar-se da derrota republicana, atribuindo parte da responsabilidade à guerra no Irão e ao desempenho dos candidatos do seu partido.
"Acho que uma parte foi o Irão", declarou numa entrevista à Fox News, defendendo, contudo, a importância das decisões que tomou relativamente ao conflito.
O Presidente admitiu também que os eleitores não estavam dispostos a suportar as consequências imediatas do aumento dos preços dos combustíveis, provocado pela guerra.
Trump afirmou que os democratas "fizeram um bom trabalho", mas rejeitou que os resultados representem uma condenação pessoal da sua presidência.
"Eu não estava no boletim de voto e, se estivesse, teríamos vencido por uma margem esmagadora", escreveu na rede social Truth Social.
O chefe de Estado disse estar disponível para trabalhar com os democratas, embora tenha avisado que utilizará o veto presidencial para impedir a aprovação de legislação que considere inaceitável.
A vitória democrata estendeu-se às eleições para governadores estaduais, com resultados particularmente significativos no Texas, onde Gina Hinojosa derrotou o republicano Greg Abbott, e na Geórgia, onde Keisha Lance Bottoms se tornou a primeira mulher negra eleita governadora de um estado norte-americano.
A insatisfação com o custo de vida, a guerra no Irão e as preocupações com a corrupção governamental estiveram entre os principais fatores apontados para o resultado das eleições.
Segundo sondagens à boca das urnas citadas por vários `media`, quase nove em cada 10 eleitores consideraram o custo de vida importante para a decisão de voto e cerca de 70% defenderam que o Congresso deve exercer maior controlo sobre o Presidente.
O novo Congresso tomará posse em janeiro, iniciando um período de governação dividida em Washington, no qual Trump terá de negociar com uma oposição que passou a controlar o poder legislativo federal.
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"Francamente, é algo que temos de acompanhar de perto nos próximos dias", acrescentou.
Bolsas europeias em alta depois de vitória dos democratas nas eleições dos EUA
As principais bolsas europeias abriram hoje em alta, depois da vitória dos democratas nas eleições intercalares dos Estados Unidos.
Às 08:30 em Lisboa, o EuroStoxx 600 subia 0,50% para 648,88 pontos.
As bolsas de Londres, Paris e Frankfurt avançavam 0,20%, 0,30% e 0,45%, bem como Madrid e Milão, que subiam 1,24% e 1,10%.
A vitória dos democratas nas eleições intercalares de terça-feira nos Estado Unidos suscita receios de uma regulamentação mais rigorosa da inteligência artificial (IA), mas tranquiliza quanto à trajetória da dívida dos EUA.
Os juros da dívida dos EUA a 10 anos baixavam para 4,926%, contra 4,965%.
O euro estava em alta face ao dólar, acima de 1,12 dólares, a subir 0,43% para 1,1241 dólares no mercado de câmbios de Frankfurt.
O preço do contrato genérico de barril de Brent, de referência na Europa, recuava 0,11% para 103,49 dólares.
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Democrata Abdul El-Sayed reivindica vitória antes de fechada a contagem no Michigan
Assumindo-se como o primeiro muçulmano eleito para a câmara alta do Congresso norte-americano, declarou poder passar de "Inshallah" ["Se Deus quiser" em árabe] para "Alhamdulillah" ["Graças a Deus"].
Num discurso muito semelhante ao que proferiu no seu último comício de campanha repetiu críticas ao lado republicano, que usou a sua religião para o atacar "numa das mais feias campanhas de sempre".
"Podem ter usado o meu nome e a minha fé, mas não é por causa do meu nome que vocês não conseguem pagar a gasolina, as compras ou ir ao médico", afirmou.
El-Sayed disse ainda que os seus adversários atacaram "a ideia central da América, porque odeiam a ideia de alguém ter um aspeto um pouco diferente, reza de maneira diferente ou cuja família veio de outra parte do Mundo".
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Democratas conseguiram vitória histórica nas eleições intercalares norte-americanas
Os resultados apontam para a conquista do Senado e da Câmara dos Representantes.
Na Câmara dos Representantes foram eleitos 202 democratas e 121 republicanos.
Trump afirmou na rede social que os republicanos ganhariam "por uma maioria esmagadora" se o ele tivesse o no boletim de voto.
Líder democrata no Senado Chuck Schumer celebra noite histórica para o partido
Schumer afirmou que o partido não tenciona ceder aos desígnios de Donald Trump nem às ameaças do Presidente norte-americano sobre o poder de exercer o veto executivo contra qualquer projeto aprovado pelos democratas no parlamento.
"As pessoas votaram pela mudança e agora os democratas têm de cumprir a palavra. E vamos cumpri-la, com ou sem o Presidente", advertiu o senador veterano de Nova Iorque (nordeste).
Trump atribui derrota "em parte" a guerra no Irão
O Presidente norte-americano, Donald Trump, considerou que a guerra no Irão foi "parcialmente" responsável pela derrota do Partido Republicano nas eleições intercalares de terça-feira e felicitou os democratas, que terão conquistado as duas câmaras do Congresso.
Numa entrevista telefónica ao canal Fox News, Trump afirmou que os democratas "fizeram um bom trabalho" e "lutaram bem".
O líder republicano insistiu que não entende estes resultados como uma avaliação da sua gestão, incluindo a guerra no Irão, com a qual, considerou, "as pessoas concordam", embora tenha reconhecido o provável impacto do aumento dos preços dos combustíveis.
"Não tem nada a ver com o meu gabinete", defendeu, argumentando que "havia uma certa atmosfera no ar" e que não deveria sentir-se culpado.
"Quase nunca o presidente em exercício, independentemente de ser bom ou mau, republicano ou democrata (...) consegue vencer" as eleições intercalares, referiu.
Durante as últimas horas de votação e início da contagem de votos, o Presidente norte-americano desdobrou-se em entrevistas a diferentes órgãos de comunicação e publicações na sua rede social, Truth Social.
Numa delas, criticou o governador do Texas, o republicano Greg Abbott, num estado onde o democrata James Talarico `roubou` o lugar no Senado ao republicano Ken Paxton.
Trump, que nos dias que antecederam a votação, prometeu tornar-se no "Senhor Veto" -- ameaçando vetar iniciativas de uma eventual maioria democrata depois das eleições de terça-feira -, publicou, na noite eleitoral, uma fotografia de um boné vermelho com a palavra "Veto" em letras brancas.
"Tenho o direito de vetar qualquer coisa", comentou ao meio online Politico, antes de referir que, de qualquer forma, prefere "não passar dois anos sentado a vetar tudo".
Depois de ter insistido, durante a campanha, que os eleitores deviam fazer de conta que o seu nome estava no boletim de voto, Trump demarcou-se na noite de terça-feira da derrota dos republicanos.
"Eu não estava no boletim de voto e, se estivesse, teríamos ganho com uma vitória esmagadora!", escreveu o Presidente na Truth Social.
Também atacou a rede conservadora Fox News, à qual atribuiu "parte da responsabilidade por estas derrotas ao dar espaço constante e sistematicamente à oposição `tola` [democrata] e pior".
"É por isso que já falei com certos líderes do Partido Democrata. E é provável que encontremos muitos aliados entre os democratas também", disse ele, argumentando que "eles também querem ver resultados alcançados."
Pouco depois, apareceu na Fox News, apesar das críticas, onde lamentou que o eleitorado não gostasse dos candidatos republicanos e que alguns dos que apoiava "se opuseram" a ele.
"Francamente, não me dava bem [com alguns], mas, pelo bem do partido, aceitei", comentou.
c/Lusa
Lusodescendentes Jim Costa vence reeleição
Califórnia e Texas elegem governadores latinos pela primeira vez na história
Xavier Becerra foi eleito governador da Califórnia e Gina Hinojosa será a próxima governadora do Texas, ambos pelo partido democrata e com vitórias expressivas sobre os oponentes republicanos.
Hinojosa, até agora membro da Câmara dos Representantes pelo 49º distrito do Texas, conseguiu derrotar o incumbente Greg Abbott numa vitória histórica e surpreendente, sendo a primeira mulher latina a ocupar o cargo no estado. É também a primeira democrata a governar o Texas desde 1995.
Apesar da vantagem financeira de Greg Abbott, que recebeu o endosso do Presidente Donald Trump, e de ter estado sempre atrás nas sondagens, Hinojosa conseguiu vencer, numa noite em que os democratas reconquistaram as duas câmaras do Congresso.
"O Texas pertence ao seu povo", disse a democrata, no discurso de vitória perante os seus apoiantes, prometendo mudança e o fim do poder de um só partido no estado.
"Vocês terão uma economia que serve as vossas ambições, os vossos sonhos e trabalho árduo", declarou. "A nação olhará para o Texas e dirá que ganhámos algo muito mais importante que uma eleição".
O Texas tem 12,6 milhões de latinos, o que representa 40,9% da população, mas nunca tinha tido um governador latino.
Americanos disseram "não à guerra", diz o negociador chefe do Irão em comunicado
Novo líder da Câmara promete acusar responsáveis por "corrupção sem precedentes"
Jeffries, bisneto de cabo-verdianos, deverá ser o primeiro presidente afro-americano da Câmara dos Representantes, assim como o primeiro lusófono de origem africana num dos cargos mais importantes da política dos EUA.
"Os ricos, os privilegiados e aqueles com boas ligações tentaram comprar esta eleição, mas o povo norte-americano reagiu com força e deixou claro que a América não está à venda", afirmou, satisfeito.
"Querem um Congresso que cumpra as suas promessas, e é isso que nós, democratas da Câmara dos Representantes, faremos assim que tomarmos posse em janeiro", declarou Jeffries, em Washington.
"A América está de volta", assegurou o líder democrata, ao mesmo tempo que afirmou estar consciente de que o partido precisava de "promover uma mudança radical".
c/Lusa
Trump disposto a aceitar resultados e trabalhar com democratas
Talarico recupera Texas para os democratas. "Golias não venceu", afirma
Se estivesse no boletim "eu ganhava" e por muito
Projeções apontam uma Câmara dos Representantes azul
Carolina do Sul cai para os democratas
Discurso de vitória de Jon Ossoff
Uma das grandes esperanças dos democratas, Jon Ossoff, que venceu a eleição para o senado na Geórgia, já falou esta noite aos americanos.
Georgia e Florida elegem primeiros governadores afroamericanos
Os estados norte-americanos da Georgia e da Florida elegeram os primeiros governadores afroamericanos das suas histórias, uma democrata e um republicano, nas eleições intercalares de terça-feira, segundo projeções dos media.
A vencedora projetada na Georgia, a democrata Keisha Lance Bottoms, deverá tornar-se na primeira mulher afroamericana governadora na história dos Estados Unidos, tomando um lugar aos republicanos.
Também projetado vencedor pelos canais CNN e NBC e a agência AP, o republicano Byron Donalds deverá tornar-se o primeiro governador afroamericano do estado da Florida, sucedendo a Ron deSantis, do mesmo partido.
Lusa
Geórgia vira azul
Estado que vira, o primeiro
A Carolina do Norte foi um Estado onde o partido do presidente Donald Trump venceu confortavelmente as últimas eleições.
Florida mantém-se vermelha
Susan Collins falou aos apoiantes
A candidata republicana do Maine agradeceu todo o apoio que lhe foi dado nesta eleição.
Poderá demorar alguns dias até que o vencedor seja conhecido, uma vez que o Maine é um dos dois estados que utilizam o sistema de votação por preferência.
Collins, de 73 anos, procurava um sexto mandato na câmara alta do Congresso, ao qual chegou em janeiro de 1997.
O adversário, Troy Jackson, de 58 anos, concentrou a campanha nos direitos dos trabalhadores, no custo da habitação e na saúde, além de apresentar a sua rival como uma aliada do Presidente republicano, Donald Trump.
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Em bairro rico de Brooklyn, democracia pesa mais do que economia no voto
Em Fort Greene, um dos bairros mais ricos de Brooklyn, vários eleitores disseram à Lusa que a defesa da democracia pesa mais do que a economia e que votarão nos democratas para retirar poder a Donald Trump.
Num ritmo acelerado, mas sem filas, os eleitores deste bairro nova-iorquino - conhecido pelas suas luxuosas moradias históricas - começaram a votar às 06:00 da manhã (hora local, 11:00 em Lisboa), naquele que se antevê um longo dia de votação para as intercalares dos Estados Unidos.
Apesar das sondagens nacionais mostrarem a economia como o maior influenciador de sentido de voto nestas eleições que ocorrem no meio do mandato presidencial, vários moradores de Fort Greene mostraram-se mais preocupados com os alegados desvios do caminho democrático conduzidos pelo Presidente do país, considerando essencial uma mudança no equilíbrio de forças em Washington.
"O meu principal objetivo é que Donald Trump saia [da Casa Branca]. O panorama geral é que ele não respeita a democracia e não respeita a ideia de país. E para mim, atingimos um limite", disse John, um eleitor nova-iorquino.
"Passámos centenas de anos com um país que funciona de uma certa maneira e deveria funcionar de uma certa maneira, e ele [Trump] simplesmente não se importa. Só se importa consigo mesmo. Eu sei que ele é um mau Presidente e precisamos de enviar uma mensagem", acrescentou, assumindo o voto nos democratas.
Admitindo à Lusa estar financeiramente confortável, este morador de Fort Greene reconheceu que muitos milhões de norte-americanos não podem dizer o mesmo e debatem-se com o elevado custo de vida no país.
No entanto, insistiu que a luta pela democracia é o principal fator que o levou a sair de casa para votar na manhã de hoje.
"Eu acho que sem tudo a funcionar plenamente, sem as instituições a funcionar, sem o país a funcionar, então nada mais vai funcionar. A economia vai falhar se houver corrupção. Este país foi bom durante muitos anos. Nem tudo foi perfeito, mas foi bom. E eu só não quero que isto acabe", acrescentou.
As eleições intercalares são particularmente importantes, uma vez que podem alterar o equilíbrio de poder em Washington, a meio do segundo mandato de Donald Trump.
Se perder o controlo de uma das câmaras do Congresso, o Presidente terá mais dificuldades em fazer aprovar a sua agenda legislativa.
O estado de Nova Iorque elegerá 26 congressistas para a Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso.
Brooklyn é um dos distritos de Nova Iorque com forte tradição de voto democrata e essa tendência ficou evidenciada ao longo da manhã de hoje, com vários eleitores a confirmarem os seus votos nos candidatos do partido que está hoje na oposição no Congresso Nacional.
Exemplo disso foi Rose, uma eleitora sexagenária que disse à Lusa ter "esperança" de que os democratas recuperem o controlo do Congresso, mostrando-se entusiasmada com os resultados das sondagens, que mostram um cenário otimista para as forças do campo azul, cor do Partido Democrata.
"O país está com um ambiente tão negativo. Acho que deveríamos ser um país aberto, mas tornámo-nos o oposto. Eu criei os meus filhos sob o ideal de que as pessoas são todas iguais. Não importa de onde vêm. E hoje este país já não é assim", refletiu.
"A cidade de Nova Iorque ainda é mais justa do que outras. Mas penso que, como país, não estamos bem, que regredimos e que permitimos que a retórica que parece ser comum agora se acomode. O que antes incomodava as pessoas, já não incomoda tanto. E isso a mim incomoda-me muito. Por isso, oponho-me aos republicanos", afirmou.
Rose foi uma das quase 700 mil pessoas que votaram antecipadamente na cidade de Nova Iorque. Mas, mesmo assim, decidiu acordar cedo e acompanhar a filha e o genro à assembleia de voto em Fort Greene.
O ambiente era familiar no local, com várias pessoas a dirigirem-se às urnas na companhia de crianças e de animais de companhia.
Um pai explicava à sua filha pequena: "Sabes, votar é um privilégio. Um dia também vais poder votar".
Em Nova Iorque, as urnas fecham às 21:00 (hora local, 02:00 de quarta-feira em Lisboa).
Além do impacto nacional deste sufrágio, os eleitores nova-iorquinos escolhem também quatro cargos estaduais: governador, vice-governador, procurador-geral e controlador financeiro do estado.
Já há resultados e os democratas estão por cima
Irão fora da mira no imediato
Trump diz em entrevista à CBS News que está preparado para usar "poderes enormes"
Trump proclama esta semana como a "Semana do Anti-Comunismo"
Enquanto aguarda os resultados das intercalares, Trump decidiu proclamar a "Semana do Anti-Comunismo" para 1 a 7 de novembro.
`Michiganders` afluem às urnas em eleição que poderá mandar primeiro muçulmano para o Senado
Detroit amanheceu soalheira e os cidadãos acorrem às assembleias de voto para as intercalares em que o estado do Michigan poderá eleger o primeiro senador muçulmano, assim esperam eleitores ouvidos pela Lusa em vários pontos.
Na escola intermédia de Salina, em Dearborn, às portas da cidade industrial junto da fronteira canadiana, a delegada eleitoral Amy Jones anda num virote. São precisas mesas para os voluntários, é preciso que todos conheçam as regras e há eleitores que pedem orientação sobre o extenso boletim de voto, onde se escolhem representantes para ambas as câmaras do Congresso e para outros responsáveis políticos estaduais e locais.
Pelas 08:00 locais (13:00 hora de Lisboa), tinham votado cerca de 50 pessoas nas duas secções de voto.
Uma jovem de 20 anos, que preferiu não se identificar, disse à Lusa que espera que "os candidatos cumpram as promessas que levaram as pessoas a votar neles".
"Nasci e cresci aqui e somos muito unidos e envolvidos na política. Quando é preciso, congregamo-nos e esperamos que o nosso voto sirva para fazer a diferença", disse.
Dentro do ginásio da escola, há cerca de 20 mesas individuais de voto, com um pequeno cubículo onde toda a gente preenche o boletim, uma longa folha de papel com os candidatos e propostas a votos, e círculos que é preciso preencher. Depois de votar, passam-no por um `scanner` que regista as suas escolhas.
Toca uma campainha que sobressalta toda a gente, mas Amy Jones esclarece: "Estamos numa escola, é normal!".
Numa comunidade predominantemente muçulmana de origem iemenita, as instruções estão em inglês e árabe. Tudo é regulado, incluindo a distância a que os voluntários que continuam a fazer campanha podem estar da entrada, cerca de 30 metros.
Khaled Abdullah segura um placard em que pede que os eleitores apoiem uma proposta que também vai a votos para dotar as escolas locais de 1,5 mil milhões de dólares para melhoramentos.
"É a nossa lista de desejos: substituir três escolas completamente, casas de banho, ar condicionado...está lá alguma coisa para todas as escolas", afirmou.
Para esta comunidade, previu que a escolha principal deverá ser o candidato democrata ao Senado, Abdul El-Sayed, que poderá ser o primeiro eleito muçulmano na câmara alta do Congresso: "Espero que haja uma participação recorde desta vez, e isso dever-se-á a El-Sayed, porque as pessoas estão mesmo motivadas por ele, vai ser o principal fator que as leva a votar".
O imã da mesquita de Dix, perto da escola de Salina, Mohammed El-Hadad, veio votar com a mulher. Por se tratar de uma comunidade muçulmana, todas vestem uma variante do traje islâmico, que lhes cobre o cabelo ou a maior parte do rosto.
Com a ajuda de um intérprete improvisado, porque mal fala inglês, disse à Lusa esperar pessoalmente que Abdul El-Sayed ganhe ao republicano Mike Rogers, mas salientou que "é preciso que ganhe o melhor, seja quem for".
Assinalou que a afluência às urnas devia ser maior, mas espera que vá aumentando durante o dia. Amy Jones disse à Lusa que nesta assembleia de voto, houve números recorde de voto antecipado.
Juned, um imigrante do Bangladesh, trabalha primeiro e vota depois, mais à tarde. Disse à Lusa que guiar um Uber praticamente não lhe chega para ganhar a vida, porque "eles ficam com 60%" do que ganha.
"Trabalho 13 horas por dia e pagamos 70 dólares para encher o depósito. Como é que tenho dinheiro para viver?! Há dias em que nem vejo os meus filhos", lamentou, argumentando que tudo se deve à "guerra desnecessária" do Presidente, Donald Trump, contra o Irão, que os Estados Unidos "nunca vão conseguir ganhar" por causa do controlo iraniano sobre o estreito de Ormuz, por onde passa parte significativa do petróleo do Médio Oriente.
À porta do liceu Cass Tech, no centro de Detroit, a guerra de Bradley Cunningham é levar o maior número de pessoas a votar que não conseguem chegar às assembleias por meios próprios.
O seu táxi é hoje um vaivém de votantes idosos ou com dificuldades de mobilidade.
"Faço o mesmo em todas as eleições há dez anos. Este ano, associei-me à Warriors on Wheels [uma associação local que ajuda cidadãos com deficiências] e sempre que sabem de alguém que não consegue ir votar, chamam-me. E eu ando com um megafone e digo `mandem-me parar e eu levo-vos a votar", disse.
"Digo às pessoas para rezarem e votarem. Quem precisar, em meia-hora tem alguém que os leva a votar", contou.
É o caso de Deborah, uma idosa afro-americana que os delegados estão a ajudar a votar sem sair do carro de Bradley.
"Espero que haja uma grande afluência. E espero que os democratas voltem a ganhar o Senado. Eu gosto de Abdul, ouvi-o quando veio falar à minha igreja. E escolhi-o a ele", contou.
No ginásio do Cass Tech, um percalço agita os delegados eleitorais. Alguém causou "uma perturbação", disseram à Lusa.
À saída, um casal de votantes republicanos contou à Lusa que se opôs ao processo de votação porque a folha que é suposto cobrir o boletim de voto para que não se vejam as cruzes era demasiado curta.
"Disseram-nos que se não quiséssemos, não votássemos, o que é inacreditável. É sempre a mesma coisa. Já nos queixámos em anos anteriores, mas nunca fazem nada. Qualquer pessoa pode ver em quem votámos. De certeza que vai haver fraude", afirmaram, sem se quererem identificar.
Máquina de guerra dos Estados Unidos ataca ilha iraniana em véspera de eleições intercalares
Na véspera das eleições intercalares norte-americanas e poucas horas depois de Donald Trump ter admitido haver progressos nas negociações com Teerão, os Estados Unidos atacaram a ilha de Qeshm, no Golfo Pérsico.
Nas redes sociais, na noite de segunda-feira, acrescentou: "Os preços do petróleo estão a cair como pedras (...), porque as pessoas sentem que não haverá guerra com o Irão. O Irão quer um acordo, o mais rápido possível. Isso poderá acontecer”.
Também o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, declarou na segunda-feira que Trump e ele estavam a sentir-se "bem otimistas" quanto a um acordo negociado para pôr fim à guerra com o Irão.
"A bola está agora com os Estados Unidos para evitar a guerra", declarou na terça-feira o influente negociador-chefe do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, num discurso perante o parlamento a que preside.
Mais de 200 milhões chamados a votar nas intercalares americanas
Os norte-americanos estão a escolher os novos representantes no Congresso. Em causa está o controlo das duas câmaras e a capacidade do presidente norte-americano de manter a sua agenda política. Uma votação numa altura em que os índices de aprovação de Donald Trump são dos mais baixos de sempre.
Dia de intercalares nos Estados Unidos. Eleições podem transformar Trump em presidente "coxo"
O objetivo concreto destas eleições é eleger um novo Congresso, mas o que as intercalares significam é mais profundo. Esta ida a votos dos norte-americanos funciona como um teste para o presidente, porque surgem a meio do mandato e ajudam a definir o rumo político dos Estados Unidos.
Apesar de os poderes presidenciais permitirem tomar diversas decisões por meio de decretos executivos, muitas medidas têm de ser aprovadas pelo Congresso para entrar em vigor. Se, atualmente, os republicanos, partido de Donald Trump, têm maioria nas duas câmaras do Congresso, isso pode mudar com estas eleições, até porque a vantagem sobre os democratas é pequena.
Qualquer que seja o resultado das sondagens, todos os analistas são unânimes em sublinhar que os norte-americanos estão a votar com o bolso. Num dos inquéritos feitos pela agência Associated Press com o centro de sondagens NORC 80 por cento dos eleitores, quer democratas quer republicanos, querem uma redução do custo de vida. Sendo certo que mais de um quarto do eleitorado está descontente com a política económica da Administração Trump.
Por um lado, a guerra contra o regime de Teerão é um dos exemplos que contraria a promessa não-intervencionista com que Donald Trump conquistou o eleitorado em matéria de política externa.
Por outro lado, o combate de Trump à imigração ilegal tem dominado a política norte-americana no último ano. De acordo com o site norte-americano realclearpolling.com (especializado na agregação de sondagens e dados de opinião pública), mais de 54 por cento dos norte-americanos estão descontentes com a caça aos imigrantes.
As rusgas da polícia de imigração e fronteiras (ICE) têm sido marcadas por imagens que chocam a opinião pública e mudaram a opinião de muitos eleitores que antes, durante a administração Biden, até defendiam o fecho da fronteira.
A taxa de aprovação de Donald Trump como presidente já esteve em níveis historicamente baixos, especialmente entre os eleitores de estados mais rurais, como o Iowa ou o Ohio. Foi isso que mostrou uma sondagem da Reuters/Ipsos divulgada no dia 19 de outubro. Então 66 por cento dos norte-americanos desaprovavam o governo de Donald Trump. O índice está entre os mais altos da série histórica para os dois mandatos do presidente.
Portanto, isto pode funcionar como incentivo à participação nestas eleições intercalares. Apesar de os democratas não terem uma liderança nacional capaz de alimentar muito entusiasmo.
Os eleitores dos EUA decidem os assentos da Câmara dos Representantes e do Senado, as duas casas do Congresso. Em alguns estados, os cidadãos também escolhem quem será governador ou governadora.
Há, no entanto, uma diferença entre uma maioria apertada e uma maioria real e funcional. Uma maioria mínima será de 218 cadeiras. Qualquer número acima de 240 é considerado bastante sólido nos padrões dos últimos anos.
No Senado, atualmente há 53 republicanos, 45 democratas e dois senadores independentes que costumam votar com os democratas. Em caso de empate de 50 a 50, o voto de desempate cabe ao vice-presidente JD Vance. Projeções recentes indicam que os democratas podem conquistar a maioria do Senado nestas eleições.
Combates e resultados eventualmente inéditosNas eleições para o Senado, por exemplo, a luta eleitoral no Texas chama atenção, uma vez que as sondagens colocam o democrata James Talarico empatado com o rival republicano Ken Paxton. O democrata tem recebido apoio de elementos da família Bush, tradicionalmente republicana e de onde surgiram os presidentes George Bush e o filho George W. Bush. Há 32 anos que nenhum democrata consegue vencer uma eleição estadual de âmbito federal no Texas.
Nas eleições para governador, uma mulher negra poderá, pela primeira vez na história dos EUA, assumir o comando de um estado.
Eleições intercalares nos EUA. Sondagens apontam para derrota dos Republicanos
Já se vota nos Estados Unidos. As sondagens apontam para uma vitória do Partido Democrata nas eleições intercalares.
Estas são eleições decisivas para os últimos dois anos do mandato do presidente republicano. Os norte-americanos vão às urnas para eleger os 435 membros da Câmara dos Representantes e um terço do Senado.
As sondagens preveem uma pesada derrota dos republicanos: uma vaga azul que pode dar uma clara vitória democrata na Câmara baixa do Congresso e até retirar lugares aos republicanos na Câmara Alta.
Acima de tudo, esta votação é encarada como um referendo à Administração Trump.