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EUA negoceiam no México novas medidas migratórias
Uma delegação norte-americana de alto nível desloca-se esta quarta-feira ao México, em nome do presidente Joe Biden, para negociar com a liderança mexicana novas medidas migratórias, mais restritivas, perante o aumento do fluxo junto das fronteiras dos Estados Unidos.
A delegação é liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e integra o secretário de Segurança Interna e responsável pela política de imigração dos Estados Unidos, Alejandro Mayorkas, e a conselheira de Segurança Interna da Casa Branca, Liz Sherwood-Randall. Os responsáveis norte-americanos têm uma reunião agendada com o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador.A deslocação foi combinada pelos dois líderes na quinta-feira passada, quando Biden falou com Obrador para lhe expressar a sua preocupação com a magnitude da crise migratória, que levou os Estados Unidos a fechar vários postos fronteiriços durante vários dias.
A diplomacia norte-americana indicou que a delegação liderada por Blinken vai reunir-se com o líder mexicano para abordar “a migração irregular sem precedentes” na região e procurar a “adoção de medidas” que permitam a reabertura completa da fronteira.
Além disso, o chefe da diplomacia norte-americana insistirá no cumprimento da Declaração de Los Angeles, na qual 20 países latino-americanos, incluindo o México, se comprometeram a fornecer meios legais de permanência aos migrantes para que nem todos se dirijam aos Estados Unidos.As autoridades fronteiriças dos Estados Unidos detiveram, só em novembro, 242 mil migrantes na fronteira com o México e detetaram um aumento histórico nas chegadas indocumentadas nos primeiros dias de dezembro.
Dados da Patrulha de Fronteiras dos EUA revelam que o número de migrantes detidos nos postos fronteiriços aumentou 31 por cento, para 69.462. Das 307 mil pessoas que se espera que sejam detidas nas fronteiras dos EUA até ao final do ano, cerca de 75 mil serão mexicanas.
Uma caravana, com milhares de migrantes indocumentados partiu, na véspera de Natal, de Chiapas, no sul do México, em direção à fronteira dos EUA. Em pleno inverno, famílias inteiras tentam atravessar o México em péssimas condições e sujeitas e dezenas de esquemas de corrupção e extorsão.
Na semana passada, os Estados Unidos fecharam os cruzamentos ferroviários de Eagle Pass (Texas) com Piedras Negras (Coahuila) e El Paso (Texas) com Ciudad Juárez (Chihuahua) durante cinco dias.
A medida foi explicada pelas autoridades que gerem as fronteiras com a necessidade de enviar mais funcionários para esses pontos de passagem para processar migrantes, enquanto os empregadores mexicanos relataram perdas de milhões de dólares no comércio bilateral.
Nos últimos dias, os Estados Unidos também fecharam as passagens de veículos e pessoas em Lukesville (Arizona) e San Ysidro (Califórnia).
A administração democrata da Casa Branca está a negociar com os republicanos novas medidas restritivas na fronteira para fazer com que o partido mais conservador levante o veto que mantém no Congresso ao envio de ajuda à Ucrânia.
Polémico "Título 42" pode regressarA Casa Branca está a avaliar a possibilidade de restaurar o polémico "Título 42", como é conhecida a política aplicada durante a pandemia de covid-19 pelo ex-presidente Donald Trump que permitiu a deportação rápida de migrantes indocumentados sem lhes dar a oportunidade de pedir asilo.A aplicação desta medida afetaria diretamente o México, uma vez que a maioria das pessoas regressa a esse país.
A administração Biden suspendeu a aplicação do "Título 42" em maio e substituiu-o por outras medidas que tentavam limitar a chegada de pessoas à fronteira e restringir o acesso ao asilo.
Contudo, não obteve o efeito desejado, continuando a registar-se um aumento global na circulação de pessoas, motivadas pela busca de melhores oportunidades económicas nos EUA e pela fuga de diferentes crises sociais e políticas sobretudo no continente americano.
A migração não é a única questão delicada entre os dois países: há também o fentanil, a droga mortal que entra pelo México e mata mais de 100 mil americanos por ano. A última das medidas anti-imigração, adotada no Texas pelo governador republicano Greg Abbott, permite à polícia deportar imediatamente as pessoas que não apresentem os documentos necessários. A entrada em vigor, que foi descrita como a mais dura aprovada até à data pelos EUA e que já levou o presidente mexicano a tecer fortes críticas, está prevista para março.
Uma reunião entre vários dirigentes, realizada a 22 de outubro a pedido do México, procurou abordar a situação nos países de origem.O México está no meio do fogo cruzado: por um lado, as exigências dos Estados Unidos para travar a migração e, por outro, a relutância do governo de López Obrador em endurecer a passagem dos latino-americanos, um problema que também existe no próprio país, onde milhares de cidadãos mexicanos se juntam a este êxodo para encontrar um futuro nos Estados Unidos.
As enormes crises políticas e de pobreza que abalam toda a América Latina, nas Honduras, na Venezuela, na Guatemala e na Nicarágua, estão na origem deste surto migratório que condena centenas de milhares de pessoas a um sofrimento extraordinário ao abandonarem os seus países.
No entanto, os encontros entre dirigentes políticos não conduzem a uma solução, nem estão, de um modo geral, perto de alterar a situação.
Mais de 2,2 milhões chegaram à fronteira sul dos EUA este ano
Mais de 2,2 milhões de migrantes chegaram até à fronteira sul dos Estados Unidos até agora em 2023, de acordo com dados do Governo norte-americano.
Entre janeiro e novembro de 2023, 2.240.000 de pessoas chegaram à fronteira, face aos 2.326.711 em 2022 e 1.856.332 em 2021, no mesmo período.
O México, com mais de 700 mil pessoas que chegaram à fronteira com os EUA, é o país com o maior número de migrantes nos registos oficiais, seguido pela Guatemala, Honduras e Colômbia.
c/Agências