Ex-diretor dos serviços secretos processa Netanyahu por difamação e revela alertas sobre ataque do Hamas

Ex-diretor dos serviços secretos processa Netanyahu por difamação e revela alertas sobre ataque do Hamas

O antigo chefe do Shin Bet - serviços secretos de segurança interna de Israel - interpôs uma ação judicial por difamação ao primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. Ronen Bar acusa o líder israelita de ter mentido relativamente às informações que detinha sobre o ataque de 7 de outubro de 2023, em Gaza.

Nicole Russo - RTP / Adicionar como fonte informativa
Um cartaz que representa as mãos de Netanyahu algemadas foi utilizado por manifestantes no âmbito de um protesto a favor da Palestina, três anos depois do início do conflito. Foto: Nazir Sufari - EPA

Bar demitiu-se do cargo em junho de 2025, reconhecendo as falhas do seu serviço e explicando que “o Shin Bet não soube dar o alerta”. 

Três anos depois, confirmou, no entanto, que havia transmitido dezenas de avisos, entre novembro de 2022 e outubro de 2023, sobre um possível ataque do Hamas, ignorados pelo Governo israelita.

“A verdade virá ao de cima nos tribunais”, adiantou.

O antigo diretor dos serviços secretos exige que o documento de 134 páginas com todas as provas seja tornado público e pede uma indemnização de três milhões de shekels (cerca de 873 mil euros) ao primeiro-ministro israelita.

O jornal Ynet indica que a documentação visa demonstrar que o Governo recebeu dezenas de advertências sobre uma possível escalada da ameaça do Hamas antes do ataque.

Ronen Bar dirigia, na época, a entidade e foi acusado pelo primeiro-ministro de ter cometido crimes pelo modo como atuou antes do ataque no festival Supernova, que desencadeou, horas depois, o conflito.

De acordo com a queixa que apresentou esta quarta-feira, Bar alega que Netanyahu estaria a tentar desviar as atenções relativamente à sua própria responsabilidade nos acontecimentos: “Mentiu para se proteger”.

Nos últimos meses, outros órgãos de comunicação social de Israel acusaram Netanyahu de ter ignorado vários avisos. O primeiro-ministro nega as alegações e classifica-as como "calúnias de sangue".

A poucos dias das eleições legislativas em Israel, a campanha de Benjamin Netanyahu enfrenta cada vez mais insinuações de falhas de segurança no país. 

(Com agências)
Tópicos
PUB