Executivo francês agita espetro de eleições legislativas antecipadas

O Executivo francês mencionou na sexta-feira o espetro de uma nova dissolução da Assembleia Nacional, depois da de junho de 2024, em caso de censura do governo, devolvendo a pressão para os deputados que não se entendem sobre o orçamento.

Lusa /

Apesar de 2026 já ter começado, a França continua sem orçamento ao fim de meses de discussão parlamentar, com o impasse a obrigar o governo a fazer votar uma lei especial destinada a financiar provisoriamente o Estado.

O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, instruiu o ministro do Interior, Laurent Nuñez, para preparar eventuais eleições legislativas na data das municipais, em 15 e 22 de março, soube a AFP de uma fonte do Executivo.

Uma censura ao governo, como é o cenário devido ao acordo da União Europeia (UE) com o Mercado Comum do Sul (Mercosul), seria seguida de uma dissolução, afirmou a fonte, assegurando que o Presidente Emmanuel Macron e o primeiro-ministro estão de acordo.

O primeiro-ministro tem o desafio de reduzir o risco de aprovação das moções apresentadas pelo União Nacional, de extrema-direita, e pela França Insubmissa, de esquerda, que vão discutidas na Assembleia Nacional terça e quarta-feira.

Sébastien Lecornu visou na sexta-feira estas formações políticas, criticando "posturas cínicas partidárias", que "atrasam as discussões orçamentais", e quando a Fraca votou contra o acordo UE-Mercosul.

Recordou que as discussões sobre o orçamento de 2026 são "bloqueadas pelos mesmos partidos políticos em contexto de agenda eleitoral".

Ora, o Executivo prometeu que a França iria ter orçamento em janeiro.

Mas o lançamento dos preparativos para eleições antecipadas "não é uma ameaça", garantiu a fonte.

Em todo o caso, o Executivo parece estar a apostar que os partidos políticos não têm interesse em legislativas antecipadas, quando falta pouco mais de um ano para as presidenciais.

PUB