Exército do Sri Lanka enfrenta ataques suicidas dos Tigres Tamil

As Forças Armadas do Sri Lanka reivindicaram este domingo a libertação de todos os civis que se encontravam encurralados no nordeste do país, onde as tropas regulares enfrentam a derradeira bolsa de resistência da guerrilha dos Tigres Tamil. O Exército de Colombo adiantou que os últimos combatentes rebeldes começaram a desencadear ataques suicidas.

RTP /
A guerra civil travada no Sri Lanka desde meados da década de 80 provocou mais de 70 mil mortos M. A. Pushpa Kumara, EPA

"Combatentes suicidas estão a avançar contra as tropas na linha da frente e a fazer-se explodir". O relato foi hoje avançado pelo brigadeiro Udaya Nanayakkara, porta-voz do Exército do Sri Lanka. Apoiada na matriz ideológica de "suicídio antes da rendição", a guerrilha dos Tigres Tamil, ou o que resta do movimento fundado nos anos de 1970 por Velupillai Prabhakaran, não mostra qualquer sinal de capitulação perante o apertar do cerco movido pelas forças de Colombo.

O número de baixas infligidas aos Tigres de Libertação do Tamil Eelam (LTTE) soma agora mais 70 guerrilheiros que, na versão do Exército, foram abatidos na noite de sábado quando procuravam abandonar, a bordo de seis embarcações, o enclave de 1,5 quilómetros quadrados circunscrito pelo garrote militar cingalês. Todos os acessos ao mar estão vedados e sob o controlo das tropas regulares, o que acontece pela primeira vez em 25 anos de guerra civil.

As chefias militares continuam a aguardar o desfecho do "processo de identificação" dos 70 guerrilheiros apanhados pela artilharia, embora afastem à partida a possibilidade de o fundador e líder do LTTE figurar entre as últimas baixas do movimento rebelde.

"Vitória militar"

A luta do movimento de Prabhakaran pela instauração de uma pátria da etnia tamil no Norte do Sri Lanka aproxima-se de um epílogo sangrento. O assalto das tropas regulares ao bastião dos Tigres acentuou-se nas últimas semanas. Mas as operações militares para a reconquista do Norte do país arrastam-se há mais de dois anos. Nesse espaço de tempo, o Exército conseguiu capturar 15 mil quilómetros quadrados de território à guerrilha.

No sábado, a partir da Jordânia, o Presidente do Sri Lanka, Mahinda Rajapakse, proclamou a "vitória militar" das forças de Colombo sobre os Tigres Tamil. A expensas das declarações de Rajapakse, o LTTE já ameaçou desencadear uma nova fase de luta após a derrota convencional: atentados contra alvos de valor estratégico, incluindo estâncias turísticas e demais infra-estruturas essenciais para a economia do país.

Enquanto prepara o assalto final aos últimos combatentes de Velupillai Prabhakaran, o Exército procura consolidar o ascendente no campo da informação. Ao reivindicarem o resgate, nas últimas 72 horas, de 50 mil civis da etnia tamil, os responsáveis militares do Sri Lanka abrem caminho à utilização de todo o potencial de fogo disponível na região contra a última bolsa de resistência dos rebeldes.

Civis em fuga

As Nações Unidas voltam, por sua vez, a dar sinais de preocupação com a sorte dos civis deslocados. Um estado de espírito alimentado pelas contradições patentes nos números oficiais dos militares e do próprio Governo de Colombo. No início da semana, o Executivo de Mahinda Rajapakse fixava em 20 mil o número de civis encurralados no teatro de guerra. Agora estabelece em 50 mil o número de pessoas que escaparam ao conflito nos últimos três dias.

Desde 1984, o ano em que os Tigres Tamil transformaram a luta política numa guerra civil em larga escala, mais de 70 mil pessoas morreram em diferentes fases do conflito separatista.

Apesar das ameaças do LTTE, o Governo exortou hoje os habitantes de Colombo a espalhar bandeiras pelas ruas da capital, onde já se ouve o eco do fogo de artifício.

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