Exército israelita nega ter planeado ataque a Gaza que previa morte de 500 civis

Exército israelita nega ter planeado ataque a Gaza que previa morte de 500 civis

O Exército de Israel classificou como "totalmente falsas" as acusações de que as suas forças planearam e executaram um ataque na Faixa de Gaza que previa cerca de meio milhar de vítimas civis.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Mahmoud Issa - Reuters

O comunicado surgiu como resposta à divulgação, este domingo, nas redes sociais, de um excerto de 'NAZA' - o novo documentário dos realizadores de 'No Other Land', Yuval Abraham e Rachel Szor - em que um militar israelita, faz essa afirmação sob anonimato.

"Isso é totalmente falso. As Forças de Defesa de Israel (FDI) nunca planearam, aprovaram nem levaram a cabo um ataque em Gaza em que se previsse a morte de 500 civis ou de um número sequer próximo desse valor", declarou o Exército nas redes sociais.

O Exército israelita disse também que "não foi apresentada durante toda a guerra qualquer alegação credível que sugerisse que um ataque das FDI tenha causado um número de vítimas mortais sequer próximo desse número".

As forças israelitas criticaram os realizadores por "não terem forma de verificar esta afirmação, não existirem provas reais que a sustentem e, ainda assim, a terem publicado".

"Além disso, não é possível comprovar nem verificar de forma independente qualquer dado sobre o entrevistado, nem o seu serviço nem a sua função", argumentou o Exército israelita sobre o documentário, que se apoia em testemunhos de militares não identificados entrevistados para expor o uso de Inteligência Artificial (IA) em ataques contra civis em Gaza.

"Nunca se planeou, aprovou ou executou qualquer ataque desse tipo e, no entanto, esta é a afirmação que os realizadores escolheram para promover o seu filme. Julguem o resto em conformidade", concluiu o Exército.

Na sequência referida pelas FDI, um militar israelita descreve o funcionamento da NAZA, nome da IA que dá título ao documentário e que é um acrónimo militar derivado do termo hebraico `nezek agavi`, usado pelas tropas para indicar o número de civis que se prevê morrerem num ataque aéreo como dano colateral.

Esboçando numa caderneta o funcionamento do sistema, o militar afirma que este não faz "qualquer distinção" entre menores e adultos e que "alguns bombardeamentos mataram 20, 30 e até 300 pessoas".

Questionado sobre o ataque mais mortal, disse não saber "quantos morreram na realidade, porque nunca foi avaliado, mas houve uma aprovação uma vez para matar 500".

O documentário - produzido pelo jornal The Guardian - é candidato ao Leão de Ouro no Festival de Veneza, tendo recebido a ovação mais longa alguma vez registada da história do festival para uma estreia, quase 25 minutos.

Em 80 minutos, o documentário analisa a campanha de ataques sistemáticos de Israel no enclave palestiniano através do testemunho de 24 oficiais e soldados de Inteligência, que detalham estratégias de espionagem telefónica e sistemas de IA para identificar alvos.

Segundo denunciam os realizadores, este mecanismo funciona como um sistema em larga escala que provoca deliberadamente a morte de centenas de civis colaterais num único ataque.

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