Exército pede "desculpa" pelos mortos resultantes dos confrontos na praça Tahrir
O exército egípcio pediu hoje "desculpa" pelos mortos resultantes dos violentos confrontos entre manifestantes hostis ao poder militar e as forças da ordem. A ação da polícia anti-motim está a ser severamente criticada, entre suspeitas de que terá sido usado fogo real em vez de balas de borracha e gás de nervos em vez de gás lacrimogéneo. As acusações são negadas pelas autoridades. Desde as seis da manhã que se observa uma nova trégua mas os manifestantes recusam abandonar a Praça Tahrir.
Al-Mullah recusou ainda a demissão imediata do SCFA, como exigem os manifestantes. Seria "uma traição" da confiança do povo, disse. "Se olharmos para os que estão na Praça Tahrir, à parte o seu número, eles não representam o povo egípcio mas nós devemos respeitar a sua opinião" considerou o general.
"As forças armadas não são uma alternativa à legitimidade, como exigem os manifestantes. O nosso primeiro objetivo foi restabelecer a segurança", declarou ainda al-Mullah.
Desculpas por comunicado e televisão
As desculpas pelas mortes foram apresentadas na página do Facebook do próprio Conselho e por dois membros do SCFA, na televisão estatal. No comunicado, a junta militar, "lamenta e apresenta profundas desculpas pela morte como mártires de filhos leais ao Egito durante os recentes acontecimentos na praça Tahrir".
Mas os manifestantes recusam abandonar a Praça Tahrir e não se convencem com as desculpas nem com as promessas e garantias dos generais.
"O que queremos ouvir é a data em que se demitem" declarou Jaled Mahmud, um manifestante ferido no nariz por uma granada de gás lacrimogéneo mas que não arreda pé.
Os soldados ergueram barricadas de madeira e arame farpado nas ruas que levam da Praça Tahrir ao ministério do Interior.
Palco das batalhas dos últimos cinco dias, as ruas estão pejadas de escombros, fuligem, sapatos e centenas de máscaras cirúrgicas usadas pelos manifestantes para se protegerem do gás.
Mortos por balas e asfixiados por gás
Os confrontos duram desde sábado, no Cairo e em várias outras cidades de norte a sul do Egito.
Fizeram oficialmente 35 mortos, embora organizações defensoras dos direitos humanos falem em 38 ou 40 mortos. Há ainda mais de 2.000 feridos.
A maioria das vítimas caiu nas ruas perto da Praça Tahrir, no centro da capital egípcia.
O próprio ministro egípcio da Saúde reconheceu esta quarta-feira, numa conversa improvisada com os jornalistas, que pelo menos 20 pessoas morreram atingidas por balas verdadeiras, algumas de fragmentação. Garantiu que os casos estão a ser investigados.
Há ainda acusações de que as forças de segurança têm estado a usar gás de nervos em vez do gás lacrimogéneo, ou em alternativa gás lacrimogéneo em concentrações cancerígenas. Algumas das morte por asfixia poderão ter sido provocadas por gás demasiado concentrado.
O ministro da saúde do Egito respondeu saber apenas que algumas das granadas de gás poderiam estar fora do prazo de validade, que será de três anos. Teve depois de abandonar precipitadamente a Praça, sob ameaça da população.
Os confrontos constituem a mais grave crise desde que o poder militar assumiu a direção do país após a queda do presidente Hosni Mubarak a 11 de fevereiro último.