Exército sírio diz ter tomado controlo de cidade estratégica controlada por curdos
O exército sírio afirmou hoje ter assumido o controlo de uma localidade estratégica no norte, avançando após intensos combates contra as forças curdas, que gozavam de autonomia de facto há mais de dez anos na região.
Apesar dos apelos de Washington e Paris para que cessasse a ofensiva, o presidente islamista Ahmad al-Chareh estende o domínio a novas partes do país, depois de ter concedido na sexta-feira aos curdos direitos nacionais inéditos, mas considerados insuficientes pelas autoridades que representam esta minoria.
As tropas de Al-Chareh aproximam-se agora de Raqqa, antigo bastião do grupo fundamentalista Estado Islâmico (EI) na Síria.
Face ao impasse nas negociações do poder central com os curdos, que controlam parte do norte e nordeste da Síria, as forças governamentais sírias expulsaram, na semana passada, os combatentes desta minoria dos bairros de Aleppo, a grande cidade do norte do país.
Depois, exigiram que se retirassem de uma zona situada entre o leste da cidade e o rio Eufrates.
Após reunir reforços e bombardear posições curdas na sexta-feira, o exército avançou no sábado para essa área, com ambos os lados a relatarem ataques mortais.
Esta madrugada, as autoridades de Damasco anunciaram o controlo da cidade de Tabqa, na província de Raqqa, "incluindo a barragem sobre o Eufrates, que é a maior da Síria", de acordo com o ministro da Informação Hamza Moustafa, citado pela agência Sana.
Os combatentes curdos afirmam, no entanto, que esta localidade, a cerca de quarenta quilómetros de Raqqa, não fazia parte do acordo de retirada.
A agência Sana afirmou, posteriormente, que as Forças Democráticas Sírias (FDS), dominadas pelos curdos, fizeram explodir durante a noite as duas pontes que conduzem a Raqqa, isolando a cidade da zona na margem ocidental que foram obrigados a abandonar.
Raqqa, na província com o mesmo nome, era considerada a capital do EI antes de este ser derrotado em 2019 pelas FDS, apoiadas por uma coligação multinacional liderada pelos Estados Unidos.
A minoria curda aproveitou então o caos da guerra civil (2011-2024) para se apoderar de vastos territórios do norte e nordeste da Síria, incluindo campos de petróleo e gás.
Pouco mais de um ano após ter derrubado Bashar al-Assad, Ahmad al-Chareh, pretende agora restabelecer a autoridade de Damasco em todo o território sírio.