Exploração de petróleo na Amazónia é "a solução mais fácil" mas não é o caminho defendeu deputado
O líder da Rede Sustentabilidade na Câmara dos deputados do Brasil mostrou-se contra a perfuração de novos poços de petróleo na Amazónia, uma "solução mais fácil" e não condizente com a responsabilidade global que o país deve assumir.
"Fala-se muito da exploração de petróleo na foz do Amazonas para desenvolver estados", começou por dizer, em entrevista à Agência Lusa, Túlio Gadelha, a poucos dias da Cimeira da Amazónia, organizada pelo Presidente brasileiro, Lula da Silva, e cuja ambição é assinatura de um documento pelos oito presidentes dos países que fazem parte do bioma, numa posição consolidadas e unificada sobre a preservação da floresta tropical para ser apresentada na próxima cimeira mundial do clima, em novembro.
Mas, parafraseando a ministra do Ambiente e colega de partido, Marina Silva, "a Petrobras precisa deixar de ser uma empresa de petróleo e passar a ser uma empresa de produção de energia", um esforço que está a ser feito na Câmara dos Deputados, já que, a Petrobras sendo cotada em bolsa, o seu controlo é do Estado brasileiro.
Dois dias depois da entrevista à Lusa, um novo capítulo desta história se desenrola, com a maior empresa brasileira a reforçar a confiança em poder começar a explorar um controverso campo de petróleo `offshore` perto da foz do rio Amazonas, apesar de uma recusa recente por parte das autoridades ambientais.
O diretor de Exploração e Produção da empresa, Joelson Mendes, disse durante uma apresentação para investidores que todas as informações solicitadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) já foram enviadas, depois de esta instituição ter negado as licenças.
A petrolífera garante que o poço mais próximo da foz do Amazonas fica a 500 quilómetros e a 2.880 metros de profundidade, sendo que isso não afasta as dúvidas de responsáveis ambientais, nem do líder da Rede Sustentabilidade na Câmara dos deputados, partido da carismática ministra do Ambiente e que tem como bandeira as ações em prol do ambiente, da emergência climática e da proteção de biomas.
"Preocupa um pouco porque não é esse o caminho que o nosso país deve seguir", afirmou o deputado Túlio Gadelha, Túlio.
"A nossa responsabilidade global é muito maior", sublinhou, referindo-se ao facto do país albergar a maior floresta tropical do planeta.
Na opinião do líder da Rede Sustentabilidade na Câmara dos deputados, o Brasil não deve olhar para esta questão só pelos "aspetos económicos e mediatos", sendo esta "a solução mais fácil".
"Com certeza a solução mas exitosa [com mais êxito] seria pensar a logo prazo. E, a longo prazo nós acreditamos que haverá uma demanda [procura] grande de renováveis, de hidrogénio verde, de energia solar", considerou Túlio Gadelha.
"Esse deve ser o nosso caminho e que isso seja um exemplo para o mundo", apelou o parlamentar membro da comissão de Meio ambiente, da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Transição Climática Justa e da Frente Parlamentar Mista Ambientalista.
Esse deve ser o caminho a ser trilhado no parlamento, enfatizou, através da construção de políticas públicas de incentivo para que industrias de energia renovável "possam chegar e se instalar aqui no Brasil".
É essa a receita de geração de emprego e riqueza para os quase 30 milhões de pessoas que vivem nos estados amazónicos, ajudando as pessoas a "desfrutar desse novo momento", concluiu.
O encontro, promovido pelo Governo brasileiro, realiza-se na cidade de Belém, estado do Pará, e tem como objetivo fazer com que os países que fazem parte do bioma consolidem uma posição unificada sobre a preservação da floresta tropical para ser apresentada na próxima cimeira mundial do clima, em novembro.
Além dos oito países que compõem a Amazónia (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela), foram convidados a Indonésia, a República Democrática do Congo e a República do Congo, nações que, juntamente com o Brasil, têm as maiores florestas tropicais do mundo, bem como a França, pela Guiana Francesa.
Luiz Inácio Lula da Silva constará ainda com a presença dos presidentes Luis Arce (Bolívia), Gustavo Petro (Colômbia), Dina Boluarte (Peru), Irfaan Ali (Guiana) e Nicolás Maduro (Venezuela).
Os presidentes do Equador, Guillermo Lasso, e do Suriname, Chan Santokhi, não comparecerão devido a questões políticas internas nos seus países.
Noruega e Alemanha, que financiam o Fundo da Amazónia, também estão na lista das nações chamadas para participar no evento.