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Explosões no Afeganistão. Paquistão declara "guerra aberta" ao regime taliban

Explosões no Afeganistão. Paquistão declara "guerra aberta" ao regime taliban

Explosões no Afeganistão. Paquistão declara "guerra aberta" ao regime taliban

"A nossa paciência acabou. A partir de agora, entramos em guerra convosco", escreveu o ministro paquistanês da Defesa nas redes sociais.

Carlos Santos Neves - RTP /
Reuters

O Governo do Paquistão, pela voz do ministro da Defesa, Khawaja Asif, declarou esta sexta-feira que o país está em "guerra aberta" com o regime taliban do Afeganistão, na sequência de combates fronteriços. Há notícia de explosões na capital afegã, Cabul.

Por sua vez, o primeiro-ministro paquistanês, Muhammad Shehbaz Sharif, veio afirmar que as Forças Armadas do país dispõem de "plena capacidade para reduzir a pó qualquer ambição agressiva".

"A nação inteira está de pé, ombro a ombro com as Forças Armadas", clamou Sharif, numa declaração reproduzida no X, para acentuar que os militares paquistaneses estão a agir "com fervor nacional", liderados pelo marechal Syed Asim Munir.


"As nossas forças estão equipadas com capacidades profissionais, formação superior e uma estratégia defensiva eficaz para enfrentar qualquer desafio interno ou externo", afirmou Sharif.O chefe do Governo do Paquistão excluiu qualquer "compromisso na defesa da querida pátria" e garantir que haverá uma resposta firma a quaisquer incursões.

As tensões entre os dois países culminaram com uma vaga de ataques dos taliban na fronteira, durante a noite de quinta-feira, e a consequente retaliação paquistanesa.

Cabul foi entretanto alvo de bombardeamentos e agudizaram-se os confrontos na denominada Linha Durand - demarcação fronteiriça.

De acordo com as autoridades paquistanesas, a retaliação terá causado as mortes de 133 taliban e mais de 200 feridos. Já o Ministério afegão da Defesa assume apenas oito baixas e 11 feridos entre os seus combatentes.

Os taliban reinvidicam as mortes de 55 operacionais paquistaneses. Alegam também ter recolhido 23 corpos de soldados do país vizinho, mantendo vários efetivos prisioneiros.
"Ataques em massa"

Na quinta-feira, as forças do regime taliban haviam anunciado "ataques em massa" na fronteira, em resposta a bombardeamentos levados a cabo pelo Paquistão, no passado fim de semana, sobre as províncias afegãs de Namgarhar e Paktika. Islamabad descreveu estes ataques como uma resposta a atentados suicidas em solo paquistanês.A missão das Nações Unidas no Afeganistão adiantou que morreram pelo menos 13 civis nos bombardeamentos paquistaneses do fim de semana. Cabul apontou para 18 vítimas mortais.


Islamabad acusa o regime taliban - que regressou ao poder em agosto de 2021, após a retirada dos Estados Unidos - de abrigar ativistas que desencadeiam ataques cíclicos contra o Paquistão. A autoria da maior parte dos ataques foi reivindicada pelos taliban paquistaneses.

As relações entre o Afeganistão e o Paquistão - potência nuclear, a par da Índia - degradaram-se nos últimos meses. Sucessivos combates levaram ao encerramento dos principais pontos de passagem da linha de fronteira. Em outubro passado, terão morrido mais de 70 soldados e combatentes dos dois países.

Uma trégua implementada a 19 de outubro, sob os bons ofícios do Catar e da Turquia, durou escassos nove dias. Sucederam-se várias rondas negociais - sem sucesso.

Nas últimas horas, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, ofereceu-se para "facilitar o diálogo" entre afegãos e paquistaneses. Em simultâneo, os chefes das diplomacias saudita e paquistanesa mantiveram contactos telefónicos no sentido de "reduzir as tensões", nos termos de um comunicado de Riade.

c/ agências
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