Explosões sentidas em Caracas. Trump deu ordem de ataque aéreo a território venezuelano
Fortes explosões, com sons semelhantes a aeronaves a sobrevoar Caracas, ocorreram este sábado por volta das 02h00 (06h00 em Lisboa) na capital da Venezuela. O presidente venezuelano declarou o estado de emergência e apelou à "mobilização". Donald Trump já tinha dado ordem de ataques aéreos a território venezuelano há alguns dias.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou os ataques aéreos dentro do território venezuelano há alguns dias, revelaram dois funcionários norte-americanos à CBS News.
O Governo da Venezuela denunciou uma "gravíssima agressão militar" após as explosões que abalaram a capital durante a noite, e o Presidente Nicolás Maduro decretou estado de exceção.
"A Venezuela rejeita, repudia e denuncia [...] a gravíssima agressão militar perpetrada pelos [...] Estados Unidos contra o território e a população venezuelanos, em localidades civis e militares de Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, nos arredores de Caracas", refere um comunicado do governo.
O Presidente Nicolas Maduro decretou o estado de exceção e apelou a "todas as forças sociais e políticas do país para ativarem os planos de mobilização", segundo o comunicado.
Caracas anunciou também que irá denunciar nas Nações Unidas a "gravíssima agressão militar" dos Estados Unidos no país.
Algumas áreas da cidade ficaram sem energia elétrica.Pelo menos sete explosões e aeronaves a baixa altitude foram ouvidas em Caracas, levando moradores de vários bairros da capital a abandonar as habitações e a correr para as ruas.
Nas redes sociais foram publicadas imagens de grandes incêndios com colunas de fumo, mas não é possível localizar com precisão o local das explosões, que parecem ter ocorrido no sul e leste de Caracas.
Alguns cibernautas relataram detonações na principal base militar do país, o Forte Tiuna, a oeste da capital, e na base aérea de La Carlota.
"Forte Tiuna está a explodir", disseram pessoas que gravaram vídeos a partir das janelas de casa.
Washington aumentou pressão militar sobre Caracas
Em 22 de dezembro, Donald Trump afirmou que seria sensato o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, abandonar o poder, numa altura em que Washington aumentava a pressão militar sobre Caracas.
"Cabe-lhe a ele [Maduro] decidir o que quer fazer. Acho que seria sensato da parte dele", disse o líder norte-americano, questionado sobre se o objetivo de Washington era forçar o líder venezuelano a abandonar o poder.
Questionado sobre as suas declarações relativamente a intervenções em terra, além do mar, para conter o narcotráfico, Trump afirmou que se aplicam "a qualquer lugar de onde venham drogas, não apenas à Venezuela".
A mobilização militar dos Estados Unidos nas Caraíbas e Pacífico visa intercetar embarcações supostamente carregadas de drogas que Washington associa ao Governo de Maduro, acusado de liderar o chamado Cartel dos Sóis, algo que Caracas nega veementemente.
Na segunda-feira passada, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos destruíram uma área de atracagem utilizada por navios acusados de envolvimento com o tráfico de droga na Venezuela, naquela que poderá ser a primeira operação terrestre.
Na sexta-feira, o Presidente colombiano, Gustavo Petro, disse que um míssil norte-americano tinha atingido um alvo na região venezuelana de Alta Guajira, que faz fronteira com a Colômbia, no âmbito da campanha norte-americana contra o tráfico de droga.
c/ agências