Faixa de Gaza. Esperança de vida cai para metade em 12 meses

Um estudo da revista "The Lancet" estima que a esperança média de vida na Faixa de Gaza caiu de 75,5 para 40,5 anos durante os primeiros 12 meses da guerra entre Israel e o Hamas e admite que esta pode ser uma estimativa aquém da realidade. Segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza, entre outubro de 2023 e setembro de 2024 registaram-se 45.936 vítimas mortais e mais de dez mil desaparecidos.

Rachel Mestre Mesquita - RTP /
Ashraf Amra - Anadolu via AFP

Após um ano de conflito no território palestiniano, a esperança média de vida diminuiu drasticamente, de 75,5 para 40,5 anos, de acordo com um estudo sobre o impacto de um ano de conflito na esperança de vida, publicado na revista científica The Lancet, a 23 de janeiro.

Segundo os investigadores que lideram o estudo, a queda na esperança de vida pode ser muito maior, uma vez que o estudo apenas contabiliza as mortes por ferimentos de guerra, desconsiderando as mortes por outras causas, numa altura em que os sucessivos ataques israelitas provocaram um colapso do sistema de saúde de Gaza, limitando ou impedindo o acesso a cuidados de saúde.De modo a produzir uma estimativa da expetativa de vida, os autores fizeram um cruzamento de dados entre a lista de óbitos fornecida pelo Ministério de Saúde de Gaza, a lista de indivíduos registados pela Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA) e os censos territoriais.

"Os nossos resultados sobre a esperança de vida mostram que a guerra em curso na Faixa de Gaza gerou uma perda de esperança de vida de mais de 30 anos durante os primeiros 12 meses da guerra, reduzindo para quase metade os níveis anteriores à guerra", concluíram os investigadores da Universidade da Pensilvânia.

De acordo com o estudo a queda drástica deve-se ao aumento das mortes durante os ataques, especialmente entre os homens e jovens, mas também à deterioração dos cuidados de sáude e à destruição de infraestruturas essenciais, não só hospitais mas também de saneamento e eletricidade, que agravaram as condições de vida daquela população e desencadearam a proliferação de doenças.

Numa altura em que os esforços diplomáticos resultaram num acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, celebrado a 19 de janeiro, os autores do estudo alertam para a necessidade urgente de intervenções humanitárias para mitigar os efeitos do conflito que dura há 15 meses e melhorar as condições de vida da população palestiniana na Faixa de Gaza, nomeadamente através da recuperação do sistema de saúde e do fornecimento de assistência alimentar.
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