Feijóo falha investidura em nova votação do Parlamento espanhol

por Inês Moreira Santos - RTP
Susana Vera - Reuters

O Parlamento espanhol fez, esta sexta-feira, a segunda e definitiva votação da candidatura do presidente do Partido Popular ao cargo de presidente do governo, que foi novamente rejeitada. Depois de ter falhado a investidura na quarta-feira por quatro votos, Alberto Núnez Feijóo obteve 172 "sim", 177 "não" e um nulo. Entretanto, o rei de Espanha anunciou que ouvirá, na próxima semana, os partidos que conseguiram representação parlamentar nas eleições de 23 de julho.

A mesa ainda debateu a aprovação de um voto do deputado do Juntos, Eduard Pujol, que votou sim em Feijóo, por engano. Se fosse contabilizado como um "sim", seriam 173 "sim" em comparação com "177" não.

Desta vez, Feijóo teve menos um voto contra por ter sido considerado nulo o voto de um deputado do partido separatista Juntos pela Catalunha (JxCat).

Além dos 137 deputados do PP, votaram a favor da investidura de Feijóo como presidente do governo os 33 parlamentares do VOX (extrema-direita) e os dois dos partidos regionais Coligação Canária e União do Povo Navarro (UPN). Todos os restantes partidos (de esquerda, nacionalistas e independentistas da Galiza, Catalunha e País Basco) votaram contra e não houve qualquer abstenção.
A discursar no início da sessão de investidura no Congresso dos Deputados, Feijóo admitiu que tentou apresentar "um governo do primeiro partido apoiado nas urnas", no qual propunha que "ninguém pode ser mais do que ninguém".

“Ofereci-lhe seis pactos de Estado, propus um novo processo de entendimento e debatemos quase tudo com respeito nesta Câmara, mas não pedi que renunciassem aos seus compromissos ou princípios com o seu eleitorado", continuou o candidato a presidente do Governo.

Feijóo aproveitou para reiterar a gratidão ao Vox, à UPN e à Coligação Canária, que apesar das "divergências" procuraram "não perder a palavra".

"Alguns deputados desta câmara censuram-me por serem os mesmos apoios que tive há meses, os mesmos que não podem apoiar o que disseram então", criticou ainda.

Para Feijóo, só há duas saídas: "o governo da mentira e a repetição das eleições".

"A primeira, o erro flagrante será a formação de um Governo baseado em mentiras"
, apontou ainda, referindo-se ao PSOE de Pedro Sánchez.
Contudo, reconheceu ainda antes da votação que já não havia "possibilidade de vitória para nenhum candidato porque não há existência possível no engano ou na mentira". "Dadas as imposições minoritárias, os privilégios e a dignidade de todos os espanhóis, concluo dirigindo-me aos cidadãos. Hoje não poderei dar-lhes um governo, mas acredito que conseguimos dar-lhes segurança e esperança".

Na primeira votação, na quarta-feira, o plenário chumbou a investidura de Feijóo com 178 votos contra e 172 a favor dos 350 deputados espanhóis.

Recorde-se que o líder do PP foi o mais votado nas eleições de 23 de julho, mas sem maioria absoluta, e na votação de quarta-feira só conseguiu o apoio de mais 33 deputados do VOX, de extrema-direita, além de dois parlamentares de dois partidos regionais das Canárias e Navarra.

Votaram contra Feijóo os deputados de partidos de esquerda, assim como das forças nacionalistas e independentistas da Catalunha, Galiza e País Basco.

Com o novo fracasso da eleição de Feijóo, o Rei de Espanha, Felipe VI, deverá indicar a seguir um novo candidato ao cargo. O atual chefe do Governo de Espanha e líder do Partido Socialista (PSOE), Pedro Sánchez, assumiu ao longo das últimas semanas que tem condições para reunir os apoios necessários para voltar a liderar um executivo.

Felipe VI informou esta tarde, num comunicado, que decidiu fazer "novas consultas" com os representantes dos partidos nos próximos dias 2 e 3 de outubro (segunda e terça-feira da próxima semana).

O Congresso dos Deputados tem até 27 de novembro, dois meses após a primeira votação da candidatura de Feijóo, para eleger um novo chefe do Governo e evitar a repetição das eleições legislativas em janeiro.
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