Festas em Downing Street. Boris sob pressão para publicar relatório

O primeiro-ministro britânico foi desafiado por um deputado conservador a publicar o relatório completo sobre as festas em Downing Street. Dominic Raab afirma que não está confirmado se há mais indícios de convívios na residência oficial.

Cristina Sambado - RTP /
EPA

Mark Harper, do Partido Conservador, afirmou ao Guardian que pediu a Boris Johnson para publicar o relatório, que ficou conhecido como “relatório de Gray”, na totalidade.

Esta terça-feira o secretário da Justiça, Dominic Raab, afirmou que o inquilino de Downing Street expressou “responsabilidade total” e que todas as evidências sobre os 12 eventos serão publicadas assim que a investigação estiver concluída.

“Para mim não está claro que exista algo mais. Assim que a investigação estiver concluída será apresentada”, afirmou Raab à LBC.

A polícia britânica está a investigar as alegadas festas na residência oficial de Boris Johnson em oito dias diferentes em 2020 e 2021, que poderão ter violado as restrições devido à pandemia de covid-19.

Na Ski News, quando questionado sobre as cerca de 300 fotografias que estão ser examinandas pela polícia como parte da investigação, Raab afirmou que era “uma boa pergunta” por que razão existiam tantas fotos de reuniões que eram consideradas de trabalho.

O secretário da Justiça acredita que Johnson esteja a salvo de um desafio à liderança conservadora. A maioria dos parlamentares conservadores já revelou que “reserva” o julgamento do primeiro-ministro até estarem concluídas todas as investigações.

Raab insite que o Governo “continua a trabalhar” apesar da investigação e garante que Boris “agiu de boa-fé em todos os momentos”.

Já Andrew Mitchell, ex-secretário de Desenvolvimento Internacional, considera que as festas em Downing Street estão “a causar grandes danos ao partido”

“Acho que o problema é que Boris está a administrar um Governo moderno como uma corte medieval. Pensávamos que ele ia governar da mesma maneira que fazia quando era presidente da Câmara de Londres, não é isso que está a acontecer”, acrescentou.
O que diz a oposição?
Keir Starmer, líder da oposição afirma que Boris Johnson está “focado em salvar a sua própria pele” em questões chave.

O líder trabalhista acusa o primeiro-ministro de se distrair de problemas do país, como a crise energética e o custo de vida.

“Muitas pessoas estão preocupadas com questões como as contas de energia, que estão a atingir valores históricos, e o primeiro-ministro está a gastar o seu tempo para salvar a sua própria pele”.

Keir Starmer acrescenta que Boris tinha uma reunião planeada para analisar os preços da energia, “mas foi cancelada porque ele estava a ter outras reuniões para salvar o seu próprio emprego”.
Boris não se demite
O primeiro-ministro britânico recusa pedir a demissão.
Reportagem dos correspondentes da RTP no Reino Unido

A investigação às festas com álcool em Downing Street concluiu que houve falhas graves, mas o chefe do Governo limita-se a pedir desculpas.

"Primeiro, quero pedir desculpas. Lamento muito pelas coisas que simplesmente não fizemos bem e lamento muito pela forma como este assunto foi tratado”, disse numa declaração no Parlamento.

Porém, reconheceu, “não basta pedir desculpas". "Este é um momento em que devemos olhar-nos no espelho e aprender".

"Eu percebo [o problema] e vou corrigi-lo”, prometeu.
“Falhas de liderança e discernimento”

No relatório do próprio Governo de 12 páginas, a responsável pelo inquérito, Sue Gray, considera que houve “falhas de liderança e discernimento por diferentes elementos do número 10 [gabinete do primeiro-ministro] e do Gabinete [Governo] em momentos diferentes”.

Embora o relatório da funcionária pública Sue Gray evite fazer críticas diretamente ao primeiro-ministro britânico, identifica "falhas de liderança e discernimento” em Downing Street, onde reside e trabalha Boris Johnson.

O relatório sobre o chamado partygate cobriu 16 “ajuntamentos” de assessores e membros do Executivo, nomeadamente festas de despedida de funcionários ou de celebração do Natal, dos quais apenas quatro não estão a ser investigados agora pela polícia.

"No contexto da pandemia, quando o Governo pedia aos cidadãos que aceitassem restrições profundas nas suas vidas, alguns dos comportamentos (…) são difíceis de justificar”, lê-se no documento de 12 páginas agora publicado.

Segundo o relatório, “pelo menos algumas das reuniões em causa representam uma falha grave em cumprir não apenas os altos padrões esperados daqueles que trabalham no coração do governo, mas também os padrões esperados de toda a população britânica na época”. Relatório com mais de 300 fotos e 500 documentos
A investigadora Sue Graay à polícia trezentas fotografias e quinhentos documentos essenciais para a investigação criminal. Os interrogatórios aos participantes ainda decorrem.

A polícia britânica confirmou estar a investigar alegadas festas em oito dias diferentes em 2020 e 2021 em edifícios do Governo, que poderão ter violado as restrições da pandemia de covid-19.

Num comunicado, a Polícia Metropolitana explicou que, “embora normalmente” não investigue “violações relatadas muito depois de terem ocorrido, estas são avaliadas se estiverem disponíveis provas significativas”.

Entre os eventos sob investigação da polícia estão um evento nos alojamentos privados de Boris Johnson a 13 de novembro de 2020, quando o assessor Dominic Cummings se demitiu, uma festa de aniversário de Boris Johnson em junho de 2020 e dois ajuntamentos na véspera do funeral do príncipe Filipe, em abril de 2021.

c/ agências
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