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COVID-19
Reino Unido. Relatório descreve festas em Downing Street como "falhas graves"
O primeiro-ministro britânico já recebeu o relatório de investigação às festas em Downing Street, um caso que ficou conhecido como “Partygate”. O relatório considera que as 16 festas que ocorreram durante o período de confinamento são “difíceis de justificar” e representam “falhas graves”. Ouvido no Parlamento, Boris Johnson recusou demitir-se e prometeu "corrigir" problemas apontados no inquérito.
Já são conhecidas as conclusões do relatório da investigação civil às festas na residência oficial do primeiro-ministro britânico.
O documento, divulgado esta segunda-feira, conclui que as 16 festas realizadas em Downing Street durante o período de confinamento, em 2020 e 2021, “não deviam ter acontecido” e “são difíceis de justificar”, numa altura em que eram proibidos eventos desta natureza. Do total das 16 festas, 12 estão a ser investigadas pela polícia britânica.
O relatório de Sue Gray descreve as festas como uma “falha grave” e afirma que “não cumprem os padrões esperados daqueles que trabalham no coração do governo”.
O documento revela também que houve falhas de liderança e de avaliação de diferentes elementos do gabinete de Boris Johnson. Os relatores escrevem que, independentemente do período que o país atravessava, o consumo excessivo de álcool não é apropriado no local de trabalho.
O documento, divulgado esta segunda-feira, conclui que as 16 festas realizadas em Downing Street durante o período de confinamento, em 2020 e 2021, “não deviam ter acontecido” e “são difíceis de justificar”, numa altura em que eram proibidos eventos desta natureza. Do total das 16 festas, 12 estão a ser investigadas pela polícia britânica.
O relatório de Sue Gray descreve as festas como uma “falha grave” e afirma que “não cumprem os padrões esperados daqueles que trabalham no coração do governo”.
O documento revela também que houve falhas de liderança e de avaliação de diferentes elementos do gabinete de Boris Johnson. Os relatores escrevem que, independentemente do período que o país atravessava, o consumo excessivo de álcool não é apropriado no local de trabalho.
Sue Gray defende que devem ser tiradas lições “de imediato” e o assunto deve ser abordado pelo Governo, sem precisarem de esperar pelo resultado da investigação policial para tirar conclusões. Esta investigação civil debruçou-se sobre eventuais irregularidades em 16 eventos festivos na residência oficial do primeiro-ministro durante o período de confinamento no âmbito da pandemia da covid-19, entre 2020 e 2021.
Estre as festas que mais geraram polémica está a de maio de 2020, onde foram convidadas 100 pessoas, comparecendo 40. A todas foi pedido, no convite, que levassem a própria bebida. Nesse mesmo ano, os funcionários do gabinete organizaram uma festa de aniversário a Boris Johnson, em junho de 2020, quando os ajuntamentos em espaços interiores estavam proibidos e no exterior apenas eram autorizados agrupamentos de até seis pessoas.
Na lista de 16 festas em investigação estão ainda incluídas duas que ocorreram na véspera do funeral do marido da Rainha Isabel II.
Confrontado com todas estas polémicas, Boris Johnson começou por negar a existência de festas, passando depois a afirmar que os encontros não violaram a lei de emergência sanitária e, por fim, acabou por pedir desculpa por ter estado em pelo menos uma das festas. Em sua defesa, Boris Johnson explicou que, apesar do álcool e da comida, considerava que eram reuniões de trabalho.
Estre as festas que mais geraram polémica está a de maio de 2020, onde foram convidadas 100 pessoas, comparecendo 40. A todas foi pedido, no convite, que levassem a própria bebida. Nesse mesmo ano, os funcionários do gabinete organizaram uma festa de aniversário a Boris Johnson, em junho de 2020, quando os ajuntamentos em espaços interiores estavam proibidos e no exterior apenas eram autorizados agrupamentos de até seis pessoas.
Na lista de 16 festas em investigação estão ainda incluídas duas que ocorreram na véspera do funeral do marido da Rainha Isabel II.
Confrontado com todas estas polémicas, Boris Johnson começou por negar a existência de festas, passando depois a afirmar que os encontros não violaram a lei de emergência sanitária e, por fim, acabou por pedir desculpa por ter estado em pelo menos uma das festas. Em sua defesa, Boris Johnson explicou que, apesar do álcool e da comida, considerava que eram reuniões de trabalho.
Boris Johnson não se demite e anuncia mudanças no Governo
Ouvido no Parlamento após a divulgação do relatório, Boris Johnson começou por pedir perdão “pelas coisas que não fizemos como devíamos ter feito e pela forma como esta questão foi tratada”.
“Compreendo a raiva que as pessoas sentem”, disse o primeiro-ministro britânico.
Ouvido no Parlamento após a divulgação do relatório, Boris Johnson começou por pedir perdão “pelas coisas que não fizemos como devíamos ter feito e pela forma como esta questão foi tratada”.
“Compreendo a raiva que as pessoas sentem”, disse o primeiro-ministro britânico.
Porém, reconheceu, "não basta pedir desculpas". "Este é um momento em que devemos olhar-nos no espelho e aprender", acrescentou.
Johnson anunciou de seguida que, tendo em conta as conclusões do relatório, está a proceder a alterações “na forma como Downing Street e a sede do Conselho de Ministros funcionam, nomeadamente através da criação de um gabinete do primeiro-ministro e da revisão dos códigos de inspeção da função pública”.
“Anunciarei mais nos próximos dias sobre os passos que vamos tomar para melhorar a forma como o governo funciona”, acrescentou.
“Eu percebi a mensagem e irei tomar as medidas necessárias para resolver a questão”, garantiu o primeiro-ministro, ao mesmo tempo que era vaiado pelos deputados da oposição.
“Eu agora percebo qual é o problema. Podem confiar no Governo”, afirmou Boris Johnson, que elencou de seguida as conquistas do seu executivo, desde logo na pasta do Brexit, na economia, desemprego e na pandemia. “Provamos que conseguimos fazer coisas que as pessoas achavam que eram impossíveis”, afirmou.
“Eu percebi a mensagem e irei tomar as medidas necessárias para resolver a questão”, garantiu o primeiro-ministro, ao mesmo tempo que era vaiado pelos deputados da oposição.
“Eu agora percebo qual é o problema. Podem confiar no Governo”, afirmou Boris Johnson, que elencou de seguida as conquistas do seu executivo, desde logo na pasta do Brexit, na economia, desemprego e na pandemia. “Provamos que conseguimos fazer coisas que as pessoas achavam que eram impossíveis”, afirmou.
Líder da oposição exorta deputados conservadores a afastarem Johnson
Keir Starmer, líder da oposição, começou por afirmar no Parlamento que “não há dúvidas de que o próprio primeiro-ministro está agora sujeito a investigação criminal”.
Referindo-se ao “trauma coletivo” durante o confinamento, Starmer afirmou que “as pessoas sentem-se culpadas por terem cumprido a lei e assim não terem visto os seus pais uma última vez”. “Mas não deviam sentir-se culpadas. Deviam sentir-se orgulhosas”, acrescentou.
“A nossa história nacional da covid-19 é do povo que soube estar à altura das dificuldades. Essa história estará agora para sempre manchada pelo comportamento deste primeiro-ministro, que frequentemente infringiu as regras”, afirmou, acusando Boris Johnson de “ter feito as pessoas sentirem-se idiotas”. Starmer pediu, de seguida, a demissão de Boris Johnson, mas afirmou que este não o fará “porque é um homem sem vergonha”.
O líder trabalhista citou a antiga primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher para afirmar que “o primeiro dever do Governo é obedecer à lei”. “Governar este país é uma honra, não um direito de nascença”, acrescentou.
“Independentemente do partido em que se vota, a honestidade e a decência importam”, afirmou Starmer. “Há membros da bancada oposta que o sabem. A questão é o que vão fazer a respeito disso”, disse o líder da oposição, exortando os deputados conservadores a afastarem Johnson.
Keir Starmer, líder da oposição, começou por afirmar no Parlamento que “não há dúvidas de que o próprio primeiro-ministro está agora sujeito a investigação criminal”.
Referindo-se ao “trauma coletivo” durante o confinamento, Starmer afirmou que “as pessoas sentem-se culpadas por terem cumprido a lei e assim não terem visto os seus pais uma última vez”. “Mas não deviam sentir-se culpadas. Deviam sentir-se orgulhosas”, acrescentou.
“A nossa história nacional da covid-19 é do povo que soube estar à altura das dificuldades. Essa história estará agora para sempre manchada pelo comportamento deste primeiro-ministro, que frequentemente infringiu as regras”, afirmou, acusando Boris Johnson de “ter feito as pessoas sentirem-se idiotas”. Starmer pediu, de seguida, a demissão de Boris Johnson, mas afirmou que este não o fará “porque é um homem sem vergonha”.
O líder trabalhista citou a antiga primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher para afirmar que “o primeiro dever do Governo é obedecer à lei”. “Governar este país é uma honra, não um direito de nascença”, acrescentou.
“Independentemente do partido em que se vota, a honestidade e a decência importam”, afirmou Starmer. “Há membros da bancada oposta que o sabem. A questão é o que vão fazer a respeito disso”, disse o líder da oposição, exortando os deputados conservadores a afastarem Johnson.
Boris Johnson tem previsto ainda esta segunda-feira um encontro com o grupo parlamentar, de quem depende o futuro como líder dos 'tories'. O chefe do Governo tem estado sob pressão da oposição e de vários deputados do próprio partido, muitos dos quais disseram que iriam esperar pelo relatório para decidir se iriam pedir uma moção de censura interna.
O relatório de Sue Gray pode ser, assim, uma peça decisiva para o futuro de Boris Johnson em Downing Street, que enfrenta agora uma revolta conservadora. Caso sejam apresentadas 54 cartas de moção de censura, Johnson será submetido a um voto de confiança que ditará o seu futuro enquanto primeiro-ministro britânico.