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Filipinas acusam China de intimidação com manobras navais

Filipinas acusam China de intimidação com manobras navais

Manila acusa Pequim de continuar a "disparar canhões de água" contra navios filipinos no Mar da China Meridional. O Governo das Filipinas alega que a realização dessas "manobras perigosas", para além de atentar contra a vida de filipinos, pretende também intimidar e obter a submissão dos países mais pequenos.

Carla Quirino - RTP /
Mar do Sul da China Adrian Portugal - Reuters

Mesmo com os ataques contínuos da Guarda Costeira chinesa, Manila diz que não deixará de reabastecer os militares filipinos que se encontram no atol Second Thomas, onde o navio militar BRP Sierra Madre está encalhado.

O atol faz parte de um recife das Ilhas Spratly e tem sido reivindicado por China, Filipinas, Taiwan e Vietname.

Pequim advertiu para a remoção do navio de guerra filipino e perante a decisão de Manila em não rebocar o BRP Sierra Madre, a Guarda Costeira chinesa passou a desencadear, sucessivamente, ataques aos barcos filipinos que circulam no Mar da China Meridional para entregarem os produtos alimentares no atol.

O porta-voz das Forças Armadas filipinas, o coronel Medel Aguilar, declarou em comunicado que presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr, “deixou claro que o BRP Sierra Madre não vai ser rebocado”.

“O BRP Sierra Madre permanecerá lá e será sempre tripulado pelo nosso pessoal da Marinha. Portanto, podem esperar que as missões de rotação e reabastecimento também continuem, apesar da obstrução que a China está a fazer”, afirmou.

A Guarda Costeira chinesa continua a disparar canhões de água e atingirem os barcos filipinos com laser de nível militar. Manila já tinha condenado os ataques marítimos e classificando-os como manobras perigosas.

[A China] quer usar a sua força superior – em suma, quer intimidar os pequenos países até à submissão. E é muito importante que a comunidade internacional saiba disso”, argumentou Aguilar, à publicação britânica The Guardian.
O episódio BRP Sierra Madre
A história deste conflito, que envolve o navio da II Guerra Mundial BRP Sierra Madre, com bandeira filipina, remonta a 1999.
 
Após ter sofrido um naufrágio, a embarcação foi encalhada deliberadamente no atol Second Thomas para as Filipinas garantirem um cordão de segurança contra a expansão da China. 

Sierra Madre tornou-se um ponto de discórdia crescente nas águas do Mar da China Medidional, altamente disputadas por serem o pano de fundo de importantes rotas marítimas comerciais.

As razões para Manila encalhar o Sierra Madre em Second Thomas tiveram a ver com a apreensão do recife Mischief pela China, em 1995.
 
Os dois territórios ficam a menos de 200 milhas náuticas da costa da ilha filipina de Palawan e, portanto, fazem parte da zona económica exclusiva do país – o que significa que as Filipinas têm o direito de explorar recursos e construir na área.

Vinte anos depois, o Sierra Madre - já enferrujado - tornou-se numa de base militar.

Especialistas em defesa questionam quanto tempo esta situação pode durar e abandonar o navio marcaria uma retirada difícil para as Filipinas. O Sierra Madre é “um símbolo de até que ponto e até que ponto a nossa soberania e os nossos direitos soberanos se estendem”, observa Jaime Naval, professor assistente da Universidade das Filipinas.

Outras vozes dizem que a China está simplesmente à espera que o navio se desmorone, deixando o atol desocupado.


Embarcação filipina BRP Sierra Madre encalhada no atol Second Thomas | Erik De Castro - Reuters


No início da semana, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Mao Ning, deixou claro que a China “não tomará qualquer centímetro de território que não seja nosso, nem desistirá de qualquer centímetro de território que nos pertença”. 

Durante a conferência de imprensa, acrescentou que “a China está empenhada em resolver problemas relevantes”.

Sublinhou ainda que pretende negociar com os países vizinhos para ultrapassar as discórdias porém "não vacilaremos na nossa determinação de salvaguardar a soberania nacional e a integridade territorial".

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