Fim à vista para guerra no Iémen. Enviados Houthi viajam para a Arábia Saudita

Fontes envolvidas nas negociações de paz para o Iémen revelaram que são esperados esta quinta-feira em Riade, Arábia Saudita, representantes da etnia Houthi e mediadores Omani, para debater as condições de um cessar-fogo com a parte saudita.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Criança iemenita na primeira aula de uma escola recém-aberta nos arredores da capital do Iémen, Sanaa Khaled Abdullah - Reuters

Ambas as delegações viajaram pelas 17h30 (hora em Lisboa) num avião Omani de Sanaa para Riade.

As mesmas fontes, sob condição de anonimato, revelaram à agência noticiosa Reuters que as negociações se centrarão na reabertura plena dos portos controlados pelos Houthi e o aeroporto de Sanaa, controlado pelos sauditas e no pagamento dos salários de funcionários públicos, com base nos rendimentos petrolíferos.

Em cima da mesa estará ainda a retirada faseada das forças estrangeiras presentes no Iémen, um país que ocupa a península a sul da Arábia Saudita e a partir do qual é possível controlar diversas vias marítimas cruciais para a região.

A recente aproximação entre a Arábia Saudita e o Irão, rivais de longa data pelo domínio do Médio Oriente, terá aberto a porta às negociações, que se espera possam ter resultados duradouros de fim do conflito.
Meio milhão de crianças em risco de morte
A guerra iemenita estalou há oito anos, quando o movimento Houthi, xiita e apoiado pelo Irão, se revoltou contra o Governo apoiado pela Arábia Saudita, em defesa dos direitos alegadamente violados da etnia iemenita xiita Zaidi. 

Observadores internacionais viram no conflito mão iraniana, xiita, apesar de Teerão sempre ter negado estar a financiar e a armar os revoltosos.

O Iémen, um dos países mais pobres do mundo, apesar da sua posição geoestratégica, está desde 2014 mergulhado numa profunda crise, dividido entre o norte e a capital, Sanaa, dominado pelo movimento Houthi, e o sul, dominado pelas tropas sauditas que defendem o regresso do Presidente deposto, Abdrabbuh Mansour Hadi.

Em março de 2023, a UNICEF calculava que 11 milhões de crianças no Iémen precisavam de ajuda humanitária urgente, com mais de 540 mil menores abaixo de cinco anos a sofrer de má nutrição aguda, sob risco de morte. O relatório calculava que, a cada 10 minutos, uma criança morria de causas evitáveis.
Possibilidade de socorro
Os mortos devido ao conflito serão dezenas de milhar e os deslocados, pelo menos quatro milhões. Ambos os lados são acusados de prática regular de perseguição, morte e tortura de civis.

A ONG internacional Responsabilidade de Proteger contabilizava até agosto de 2023, mais de 19.200 vítimas civis no Iémen, incluindo mais de 2.300 crianças, mortas ou mutiladas, só nos ataques aéreos da coligação árabe liderada pela Arábia Saudita.

Observadores internacionais calculam que quase 23.5 milhões necessitem de assistência humanitária e 19 milhões enfrentam a fome no Iémen, onde os portos e aeroportos estão bloqueados há vários anos.

O cessar-fogo, a ser bem sucedido, irá ditar o fim dos bombardeamentos Houthi a cidades sauditas e dos ataques aéreos sunitas a portos e cidades sob domínio xiita, como Sanaa, abrindo também caminho à resolução política do conflito.

com agências
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