Flotilha. Ativistas portugueses detidos por Israel deverão ser deportados esta quinta-feira

Flotilha. Ativistas portugueses detidos por Israel deverão ser deportados esta quinta-feira

Os ativistas, cuja embarcação foi intercetada por Israel, participavam numa missão humanitária com destino a Gaza.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Luis Cortes - Reuters

O Ministério dos Negócios Estrangeiros disse estar previsto que os dois cidadãos Portugueses que foram detidos em Israel sejam deportados esta quinta-feira para Portugal via Turquia.

"Está previsto que os dois cidadãos nacionais que foram detidos em Israel sejam deportados hoje para Portugal, via Turquia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros já informou as respectivas famílias", avançou uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros à RTP Antena 1.

Os dois médicos portugueses, Maria Beatriz Bartilotti Matos e Gonçalo Reis Dias, foram detidos na segunda-feira pelas autoridades israelitas enquanto participavam na missão "Sumud Global Flotilla", que seguia para Gaza. 

Ana Sofia Miranda, companheira de um dos ativistas portugueses detidos por Israel, disse estar com esperança que o regresso aconteça hoje, apesar de todos os bloqueios impostos pelas autoridades israelitas às embaixadas e à equipa jurídica que acompanha a flotilha.

“Ainda estamos a aguardar que o Gonçalo e a Beatriz consigam ter assistência consular”, explicou em entrevista à RTP Notícias. “Enquanto não tivermos a certeza ainda não podemos confirmar [o regresso], mas a família está esperançosa que possa ser eventualmente hoje”.

O gabinete de emergência consular tem estado em contacto com as famílias, “muito disponível, sempre a dar informações”, acrescentou.

A última informação, desta manhã, foi que “estavam a aguardar para se encontrarem com o Gonçalo e com a Beatriz”.

As autoridades israelitas têm sido muito restritas na possibilidade de advogados da organização da flotilha ou de as embaixadas contactarem com os ativistas detidos”, contou Ana Sofia Miranda.Mais de 40 ativistas espanhóis também vão ser deportados

Esta manhã, também Espanha tinha já anunciado que os cerca de 44 ativistas espanhóis detidos por Israel deverão ser deportados para o país via Turquia num voo com partida prevista para as 14h00 (hora de Madrid).

"O cônsul de Espanha em Israel acaba de informar que estão já a ser levados para uma aeroporto (...) em conjunto com o resto de ativistas para, como tudo indica, serem deportados via Turquia", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, em declarações à televisão TVE. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia confirmou que o país está a planear transportaros cidadãos detidos em "voos especiais" já hoje.

Antes, o ministro espanhol denunciou o “tratamento humilhante” infligido aos ativistas e exigiu desculpas “imediatas” e a sua libertação.

“Se lhes acontecer alguma coisa, Israel será responsável”, advertiu José Manuel Albares numa entrevista à TVE. “Não podemos relacionar-nos com Israel como fazemos com a Noruega ou a Islândia”.

O ministro voltou também a pedir a suspensão, pela União Europeia, do acordo de associação de Bruxelas com Israel. "Temos de dar esse passo, é preciso dizer de uma vez por todas a Israel que uma democracia não atua assim", afirmou.

"As imagens que vimos ontem não são as imagens de um estado democrático. Um estado democrático respeita os direitos humanos, não viola o direito internacional, não assalta cidadãos pacíficos de forma completamente ilegal em águas internacionais", acrescentou.

Albares referia-se a um vídeo no qual os ativistas são forçados a ajoelharem-se com as mãos presas atrás das costas. Na gravação, o ministro israelita da Segurança Nacional acusa-os de tentarem ser heróis e de estarem agora reduzidos a coisa nenhuma.

Também o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, considerou o tratamento dado aos ativistas "inaceitável" e pediu a suspensão parcial do acordo comercial.

c/ agências
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