"Flotilha de Gaza". Dois ativistas ainda detidos em Israel libertados este sábado
Os dois ativistas da Flotilha Global Sumud ainda detidos, o hispano-palestiniano Saif Abukeshek e o brasileiro Thiago Ávila, vão ser libertados e entregues este sábado às autoridades de imigração israelitas.
Os ativistas "serão entregues ainda hoje às autoridades de imigração israelitas e mantidos em detenção enquanto aguardam a sua expulsão".
Saif Abu Keshek e Thiago Avilawer, de origem espanhola e brasileira, respetivamente, foram acusados pelos Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel de ligações com uma organização terrorista e de atividades ilegais. Ambos negaram as acusações.
Os governos da Espanha e do Brasil declararam que a detenção de Abu Keshek e Avila era ilegal, mas o Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, decretou a prisão preventiva para ambos até 10 de maio.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, já se pronunciou sobre a libertação dos dois homens, anunciando que as autoridades israelitas comunicaram ao Consulado de Espanha em Telavive que o ativista hispano-palestiniano Saif Abukeshek seria libertado "nas próximas horas".
Albares explicou numa mensagem de áudio enviada à agência de notícias espanhola EFE pelo Ministério que, após a sua libertação, Saif Abukeshek será deportado de Israel através da passagem de Taba, no Egito.
O ministro dos Negócios Estrangeiros assegurou que está a trabalhar intensamente para que, no momento em que sair do território israelita, o ativista hispano-palestiniano regresse a Espanha com a sua família "o mais rapidamente possível".
"É um momento de grande felicidade e não vamos poupar esforços para o seu rápido regresso a Espanha", salientou.
Saif Abukeshek foi detido no passado dia 30 de abril em águas gregas por Israel, quando viajava a bordo da Flotilha Global Sumud com destino a Gaza, e foi transferido, juntamente com o ativista brasileiro Thiago Ávila, para o centro de detenção de Shikma, na cidade israelita de Ashkelon, acusados de crimes de terrorismo pelas autoridades israelitas.
Foram detidos juntamente com outros cerca de 170 ativistas, quando o Exército israelita intercetou cerca de metade dos navios pertencentes à Flotilha Global Sumud, a cerca de 100 quilómetros a oeste da ilha grega de Creta, em águas internacionais.
No entanto, no caso destes dois, Israel decidiu extraditá-los para o seu território para serem julgados. Os demais ativistas foram levados para a Grécia e libertados.
A organização de direitos humanos israelita Adalah, que representa os dois detidos, denunciou os "maus-tratos" e "abusos psicológicos" infligidos a Saif Abukeshek e Thiago Ávila na prisão, citando interrogatórios de oito horas, iluminação intensa nas celas 24 horas por dia, isolamento total e movimentos sistematicamente vendados, mesmo durante exames médicos.
A Flotilha Global Sumud para Gaza era inicialmente composta por cerca de cinquenta barcos e, segundo os seus organizadores, visava quebrar o bloqueio israelita ao território palestiniano devastado pela guerra e levar ajuda humanitária, que permanece severamente restringida.
Entre os cerca de 170 ativistas que integravam a flotilha estavam três portugueses.
C/agências