Forças israelitas dispararam contra coluna de ajuda humanitária da ONU em Gaza

por Rachel Mestre Mesquita - RTP
Tom White (@TomWhiteGaza) - UNRWA via X

Uma coluna das Nações Unidas que transportava alimentos vitais foi atingida, no passado dia 5 de fevereiro, no centro de Gaza, para impedir que este seguisse para norte, a parte do território onde milhares de palestinianos estão à beira da fome e a insegurança alimentar atingiu um estado extremamente crítico, de acordo com uma investigação da CNN.

As forças israelitas dispararam contra um comboio da UNRWA, a maior agência de ajuda humanitária no terreno em Gaza, que se encontrava parado num ponto de detenção das Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), depois de ter sido acordada uma rota por ambas as partes antes do ataque, segundo o relatório interno de incidentes compilados pela UNRWA, consultado pela CNN.

Apesar de ninguém ter ficado ferido, ficou destruída a mercadoria de um dos dez camiões que transportava comida, especialmente farinha de trigo absolutamente necessária para cozer pão e salvar milhares de palestinianos da fome.

"Um comboio que transportava alimentos dirigia-se para a parte norte da Faixa de Gaza. Esse comboio, que se dirigia para aquilo a que chamamos as zonas intermédias, foi atingido. Um dos camiões que transportava mantimentos foi atingido por fogo naval israelita", disse Juliette Touma, porta-voz da UNRWA, à CNN.


O diretor da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), Tom White, escreveu na rede social X que parte de um comboio de ajuda da UNRWA tinha sido atingida por fogo israelita a caminho do norte de Gaza, no dia 5 de fevereiro, e partilhou duas fotografias que mostram um camião de caixa aberta com um buraco numa das partes laterais.

Após análise destas fotografias e de imagens de satélite, a CNN explica que o comboio que seguia pela estrada Al Rashid – que acompanha a orla costeira da Faixa de Gaza – foi atingido na parte lateral que estava virada para o mar, indicando que tinha sido atingido por uma munição disparada vinda dessa direção.

Na sequência do ataque, a 5 de fevereiro, as Forças de Defesa de Israel disseram que estavam a investigar o que tinha acontecido e posteriormente contactados pela CNN não quiseram comentar o incidente. 

Desde então que, a UNRWA decidiu suspender o envio de comboios com ajuda humanitária para o norte de Gaza, tendo sido a última entrega de alimentos feita no passado dia 23 de janeiro. Segundo a ONU, 51 por cento das missões planeadas pela UNRWA e parceiros humanitários para entregar ajuda no norte do enclave tiveram acesso negado pelas autoridades israelitas.

As Nações Unidas estimam que 300 mil pessoas continuam a viver a norte de Wadi Gaza, uma faixa que divide o território, e onde cerca de 16,2 por cento das crianças já foi identificada com destrunição aguada, acima do limiar considerado crítico, de acordo com a ONU.
Impossível salvar vidas
A situação humanitária em Gaza está cada vez pior com o aumento da ofensiva militar israelita e os entraves à entrada de ajuda no enclave palestiniano têm-se multiplicado à mesma velocidade que milhares de pessoas morrem à fome, desde a iminente perda de financiamento da UNRWA ou a perseguição de trabalhadores humanitários.

A correspondente da Antena 1 em Bruxelas, Andrea Neves, ouviu o cenário preocupante traçado por Philippe Lazzarini.

Após o escândalo, no qual é acusada por Israel de “colaborar com o Hamas”, a UNRWA está em risco de perder o financiamento e consequentemente a capacidade de fazer chegar alimentação, água e medicamentos aos milhões de deslocados que tentam sobreviver na Faixa de Gaza e dependem dessa ajuda proveniente do exterior para sobreviver.

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