Forças militares do Sri Lanka eliminam liderança dos Tigres Tamil
As tropas do Sri Lanka abateram o líder dos Tigres Tamil, Vellupilai Prabhakaran, e conquistaram o último bastião da guerrilha, avançou esta segunda-feira a televisão pública cingalesa. O Estado-Maior do Exército anunciou o fim dos combates e proclamou uma vitória conclusiva sobre os rebeldes que há 25 anos travavam uma guerra pela criação de uma pátria para a etnia tamil.
O líder histórico da guerrilha figura entre as 250 baixas que o Exército garante ter infligido ao LTTE durante a noite de domingo para segunda-feira. Vellupilai Prabhakaran, o chefe dos serviços de informações dos Tigres Pottu Amman e o comandante do braço naval dos rebeldes, Soosai, foram abatidos a tiro pelas tropas de Colombo em Mullivaikal, no momento em que procuravam abandonar o teatro de guerra a bordo de uma ambulância. As circunstâncias da morte de Prabhakaran foram hoje relatadas pela estação pública de televisão do Sri Lanka, com base em informações recolhidas junto de responsáveis militares.
"Todo o país está livre do terrorismo e 250 cadáveres de terroristas jazem no último objectivo territorial", reivindicou o general Sarath Fonseka, na antecâmara de um anúncio oficial que deverá ser feito na terça-feira, perante o Parlamento, pelo Presidente do Sri Lanka. Mahinda Rajapakse antecipou a declaração de vitória sobre os Tigres Tamil no sábado, quando as tropas regulares ainda se debatiam com a resistência dos últimos rebeldes: muitos lançaram-se em ataques suicidas contra os soldados governamentais.
Desenlace em 300 metros quadrados
Os últimos combatentes do LTTE encontravam-se entrincheirados há mais de 72 horas num enclave de 1,5 quilómetros quadrados. No domingo, as Forças Armadas do Sri Lanka reivindicavam a libertação de 72 mil civis encurralados no Norte do país, abrindo caminho a uma investida final contra os homens de Prabhakaran. O derradeiro combate teve lugar em escassos 300 metros quadrados de terra na costa nordeste, com as águas do Índico por perto.
A par do anúncio da morte de Vellupilai Prabhakaran, a televisão do Estado difundiu imagens do corpo do filho e delfim do fundador dos Tigres Tamil, Charles Anthony, abatido durante a noite juntamente com o chefe do braço político do movimento, B. Nadesan, e o porta-voz Seevaratnam Puleedevan.
Na sequência do anúncio da cessação dos combates em território cingalês, a comissária europeia Benita Ferrero-Waldner apelou ao Governo de Colombo para que conceda às Nações Unidas um "acesso total" aos milhares de civis deslocados.
"Morte antes da rendição"
Divindade para os militantes do LTTE. Terrorista megalómano para os adversários. Velupillai Prabhakaran, abatido a tiro aos 54 anos, chegou a administrar - como um quase Estado independente - uma fatia de território com 65 mil quilómetros quadrados a Norte e no Leste do Sri Lanka.
Nascido a 26 de Novembro de 1954, no seio de uma família da classe média de Jaffna, Velupillai cresceu imbuído da convicção de que a minoria tamil deveria lutar pelo estabelecimento de uma pátria marxista no Norte do Sri Lanka. Em 1972, ao completar 18 anos, mergulha na clandestinidade e decide criar os Novos Tigres Tamil, inscrevendo no ideário do movimento o combate à discriminação da sua etnia por parte da maioria cingalesa e o princípio da "morte antes da rendição".
Em 1975, os Tigres Tamil reivindicam o seu primeiro assassínio político. A vítima foi o responsável pela administração local de Jaffna. No ano seguinte, Prabhakaran escolherá o mês de Maio para rebaptizar o movimento separatista como Tigres de Libertação do Tamil Eelan. Na bandeira do LTTE, surgia um tigre que rugia contra o leão da bandeira do Sri Lanka.
No final de 1983, os Tigres Tamil avançam para a guerra civil. Ganharão notoriedade em 1987 com uma vaga de ataques com efeitos destruidores contra as tropas indianas enviadas ao Sri Lanka para assistir as forças regulares do país. A partir de então, os elementos mais próximos de Velupillai começam a promover um verdadeiro culto de personalidade, referindo-se ao "tigre número um" como o "deus do Sol".
Os assassínios do antigo primeiro-ministro indiano Rajiv Ghandi, em Maio de 1991, e do Presidente do Sri Lanka Ranasinghe Premadasa, em Maio de 1993, foram atribuídos ao movimento de Prabhakaran.
A última intervenção pública do líder do LTTE remonta a Novembro de 2008. Velupillai Prabhakaran insistia, então, na promessa de "eliminar as forças do Sri Lanka".