Fraca participação e forte neve marcam primeiras horas das eleições no Japão
Até às 11:00 (02:00 em Lisboa), 7,17% do eleitorado tinha votado no Japão nas eleições antecipadas de hoje, menos 3,2% do que em 2024, segundo dados oficiais, perante fortes nevões.
Grande parte do arquipélago amanheceu coberta de branco, incluindo a capital, Tóquio, no meio de uma queda na participação eleitoral nas eleições para a Câmara dos Representantes, a câmara baixa do parlamento japonês, informou a agência de notícias Kyodo, citando dados do Ministério dos Assuntos Internos e Comunicações.
A votação está a acontecer no meio de fortes nevões, pela primeira vez desde fevereiro de 1990.
A Agência Meteorológica do Japão emitiu um aviso para a neve na província de Tottori, no centro do país. Na província de Niigata, são esperados até 80 centímetros de neve.
As tempestades, que causaram pelo menos 38 mortos desde meados de janeiro, obrigaram as autoridades a encerrarem várias mesas de voto mais cedo.
Na aldeia de Daisen, na província de Tottori, a forte queda de neve impediu os funcionários eleitorais de chegar a tempo ao centro do sexto distrito eleitoral, e a abertura das urnas foi adiada em duas horas, disse a emissora pública NHK.
No entanto, e após apenas 12 dias de campanha oficial, quase 21 milhões participaram na votação antecipada, até sexta-feira, mais 26,6 pontos percentuais do que em 2024.
O Japão elege hoje os 465 membros da Câmara dos Representantes, numa eleição com quase 1.300 candidatos, apresentada pela primeira-ministra, Sanae Takaichi, como um referendo sobre a sua liderança.
Sanae Takaichi, de 64 anos, é a primeira mulher a chefiar um governo no Japão, sendo considerada a "herdeira política" de Shinzo Abe, o antigo primeiro-ministro assassinado em 2022.
Takaichi convocou eleições antecipadas em 19 de janeiro, cerca de três meses depois de ter sucedido a Shigeru Ishiba na chefia do executivo e do Partido Liberal Democrata (LDP, na sigla em inglês).
O propósito de Takaichi é conseguir uma vitória folgada, dado que goza de uma aprovação superior a 60%, muito acima da intenção de voto no partido.
O LDP tem governado o Japão quase ininterruptamente nos últimos 80 anos, mas viu a popularidade afetada por escândalos de financiamento e pela incapacidade de travar a inflação galopante.
Takaichi herdou um LDP com uma maioria frágil de apenas um deputado na Câmara de Representantes em coligação com o Partido da Inovação do Japão.
Sondagens recentes do jornal Nikkei apontam que o LDP pode eleger, sozinho, 233 dos 465 dos deputados.
Se os resultados se aproximarem das sondagens, Takaichi pode conseguir um mandato reforçado e confirmar o sucesso de uma jogada que não é inédita no Japão, onde é raro cumprir-se a legislatura de quatro anos.
Os principais concorrentes são a Aliança Reformista Centrista, formada pelo Partido Democrático Constitucional e pelo budista Komeito, que foi aliado do LDP durante qualquer três décadas.