Na reação à jornada de protesto mas também de violência em várias cidades francesas, o presidente francês declarou este sábado que quem "vandalizou" e "saqueou" será "processado e punido".
"Não há lugar para a violência na nossa República. Aqueles que vandalizaram, atacaram câmaras municipais e empresas, e saquearam até as nossas câmaras municipais, serão processados e punidos", assinalou.
Através das redes sociais, Emmanuel Macron vincou que o país está "unido contra os semeadores do caos que procuram destruir as nossas instituições" e também "impedir que aquelers que expressam pacificamente as suas reivindicações o façam".
Estes são os protestos mais violentos do país dos últimos anos desde o movimento dos "Coletes Amarelos", em 2018. Segundo o sindicato francês CGT, "mais de 500 mil pessoas" participaram nas ações de protesto de hoje.
"O Governo deve pôr fim à repressão e responder imediatamente às reivindicações sociais", afirmou o sindicato, que saudou "mais um grande dia de mobilização" com "1.750 protestos e manifestações em toda a França".
De acordo com o Ministério francês do Interior, pelo menos 272 pessoas tinham sido detidas até meio da tarde. Registaram-se incidentes em vários cidades como Paris, Marselha ou Lille.
"Estas ações incluem tentativas de pilhagens, confrontos com as forças da autoridade, incêndios em mobiliário urbano e ataques a centros de poder e veículos de comunicação", referiu o comunicado do Governo, atribuindo os distúrbios à "extrema-esquerda".
Sébastien Lecornu, primeiro-ministro francês, adiantou este sábado que o país não se deixará "intimidar" pela violência.
"Para aqueles que claramente querem usar esta violência como um 'aquecimento' antes da eleição presidencial, digo claramente: não nos deixaremos intimidar. Ninguém conseguirá impor a sua agenda política pela violência", afirmou através de uma
publicação na rede social X.
Durante a tarde de sábado, manifestantes forçaram a entrada na Câmara Municipal de Lille, no norte de França, tendo saqueado o edifício. Houve ainda registo de confrontos entre manifestantes e a polícia no centro da cidade.
Já ao final do dia, a residência da autarca de Bordéus foi saqueada durante os protestos. Foi mobilizada a RAID, uma unidade de elite da polícia nacional.
"Indivíduos invadiram e saquearam o local", disse um porta-voz da câmara municipal à agência France Presse. A presidente da câmara, Sophie Brocas, condenou "nos termos mais veementes possíveis" os danos causados à residência e os saques a estabelecimentos comerciais no centro da cidade.
Em Saint-Étienne, no centro de França, um manifestante perdeu a mão após o disparo de uma granada por parte da polícia, segundo adiantou a agência France Presse.
Em Lyon, no centro de França, os manifestantes incendiaram um posto de turismo.
Já ao início da tarde, dezenas de manifestantes tinham invadido a Câmara Municipal de Marselha, no sul. "Isto é a Revolução, vamos tomar a Bastilha", afirmaram aquando da invasão, numa referência aos eventos que marcaram o início da Revolução Francesa, em 1789.
Em Bordéus, cerca de sete mil manifestantes entraram em confrontos com as forças de segurança no centro da cidade.
(com agências)