França acusa Rússia de tentar desunir aliados com ataque contra comboio ucraniano
A diplomacia francesa disse hoje que os ataques russos do fim de semana contra um comboio ucraniano perto da fronteira entre a Ucrânia e a Polónia pretenderam intimidar e desunir os países aliados de Kiev.
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês Jean-Noel Barrot recordou que as ofensivas ocorreram no momento em que a Ucrânia acolhia um "grande fórum de apoio económico", no qual participaram numerosos representantes de empresas e diplomatas vindos de todo o mundo e, em particular, da Europa.
"Estes ataques têm um objetivo muito claro: intimidar os europeus, desmotivá-los e, sobretudo, desuni-los", declarou Barrot, que se encontra na Finlândia para participar na cimeira europeia do Ártico.
Anteriormente, a representante da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, tinha afirmado que o ataque contra o comboio foi um ato de intimidação para perturbar as relações dos países ocidentais com a Ucrânia.
Os ataques de domingo ocorreram uma semana depois da visita de emissários norte-americanos a Moscovo e Kiev, destinada a retomar as negociações conduzidas sob a égide de Washington para pôr fim ao conflito.
Um drone russo atingiu a locomotiva do comboio de passageiros que fazia a ligação entre Kiev e Varsóvia, a dois quilómetros da fronteira com a Polónia, país-membro da NATO e da UE, sem fazer vítimas, disseram as autoridades de ambos os países.
Varsóvia disse que um outro drone atingiu um posto de abastecimento de combustível junto a um posto fronteiriço, também do lado ucraniano.
A companhia ferroviária ucraniana, que já tinha referido um ataque contra as infraestruturas de caminho-de-ferro, esclareceu que a locomotiva atingida estava na estação fronteiriça de Yahodyn e pertencia a um comboio que tinha sido evacuado 15 minutos antes.
No entanto, segundo a operadora Ukrzaliznytsia, "é muito provável" que o ataque russo tivesse como alvo um outro comboio, que transportava "consultores de segurança e antigos líderes europeus, incluindo o antigo primeiro-ministro britânico Boris Johnson", e que tinha acabado de passar por Yahodyn.
Paralelamente, hoje decorre no norte da Finlândia uma cimeira que reúne líderes europeus para discutir a forma de reforçar a presença do bloco europeu no Ártico, região onde as tensões geopolíticas se agravaram nos últimos meses.
A cimeira vai decorrer sete meses depois de o Presidente norte-americano Donald Trump ter ameaçado, pela terceira vez, tomar a Gronelândia, território autónomo dinamarquês, desencadeando uma crise entre os aliados ocidentais.