Funcionários de Musk apresentam demissão e recusam "desmantelar serviços públicos essenciais"

Vinte e um funcionários do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) apresentaram esta terça-feira a sua demissão em protesto contra as orientações de Elon Musk. Numa carta, explicam que se recusam a utilizar as suas capacidades “para comprometer os principais sistemas governamentais, pôr em perigo dados confidenciais dos norte-americanos ou desmantelar serviços públicos essenciais”.

Andreia Martins - RTP /
Elon Musk durante Conferência de Ação Política dos Conservadores, a 20 de fevereiro. Foto: EPA

Entre os 21 funcionários incluem-se engenheiros, cientistas de dados, gestores de produto, designers e o principal responsável de Tecnologia. Foram contratados para o Serviço Digital dos Estados Unidos criado durante a Administração Obama.

Desde a tomada de posse de Donald Trump, que passaram a trabalhar para o Departamento de Eficiência Governamental, também conhecido pela sigla DOGE, liderado pelo multimilionário Elon Musk.

Numa carta, estes funcionários explicam as razões para apresentarem a demissão: “Jurámos servir o povo norte-americano e manter o nosso juramento à Constituição em todos os Governos presidenciais”.

“No entanto, tornou-se claro que já não podemos honrar estes compromissos”, acrescentam na missiva a que a agência Associated Press teve acesso.

Estes funcionários contam que foram chamados para uma série de entrevistas logo no dia após a tomada de posse de Donald Trump, tendo sido interrogados sobre as suas qualificações e inclinações.

“Vários destes entrevistadores recusaram-se a identificar-se, fizeram questões sobre lealdade política, tentaram colocar colegas uns contra os outros e demonstraram uma capacidade técnica limitada”, escreveram os funcionários na sua carta.

Um processo que “criou riscos de segurança significativos” e levou ao despedimento de 40 funcionários no início de fevereiro.

“Estes funcionários públicos altamente qualificados estavam a trabalhar na modernização da Segurança Social, dos serviços para veteranos, das declarações de impostos, dos cuidados de saúde, dos apoios em caso de catástrofes, apoio a estudantes e outros serviços críticos”, apontam.

A demissão destes trabalhadores “coloca em risco milhões de norte-americanos que dependem destes serviços todos os dias”, referem os funcionários demissionários.

“Não vamos usar as nossas capacidades como peritos em tecnologia para comprometer os principais sistemas governamentais, pôr em risco os dados confidenciais dos norte-americanos ou desmantelar serviços públicos essenciais. (…) Não empregar os nossos conhecimentos para executar ou legitimar as ações do DOGE”, resumem.
Depois do despedimento de 40 funcionários no início do mês, ficaram 65 funcionários no departamento liderado por Musk. Destes, um terço apresentou hoje a demissão.
As demissões no departamento liderado por Elon Musk surgem num momento de grande polémica, sobretudo devido a um e-mail enviado aos funcionários do Governo norte-americano durante o fim de semana a que deveriam responder até ao final do dia de segunda-feira.

Nesse e-mail, exigia-se aos trabalhadores que resumissem quais as cinco principais tarefas que realizaram na última semana.
Com a aproximação do prazo, o Gabinete de Gestão de Pessoal e outros responsáveis garantiram que os funcionários poderiam ignorar a mensagem, mas Elon Musk insistia na segunda-feira que a ausência de uma resposta equivaleria à demissão.

Sindicatos e trabalhadores já apresentaram ações judiciais contra o multimilionário, que tem encetado esforços ao longo do último mês de reformar o Governo federal, com despedimentos e mesmo com a tentativa de encerrar agências governamentais.
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