Gabinete de Segurança israelita pede retoma de ataques em Gaza

Gabinete de Segurança israelita pede retoma de ataques em Gaza

O Gabinete de Segurança de Israel, liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pediu na sua última sessão que se retomem os ataques aéreos em Gaza, interrompidos há quatro dias, informaram hoje os media israelitas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O movimento islamita palestiniano Hamas "aceitou o plano de 15 pontos, mas não desistiu do seu objetivo de destruir Israel", alertou durante a reunião de quinta-feira o general de brigada Ofir Mizraji-Rozen, chefe da inteligência militar israelita, segundo o jornal Israel Hayom e outros media locais.

"É evidente que o Hamas está a tentar passar-nos a bola", acrescentou Mizraji-Rozen, segundo o referido meio.

Por seu lado, David Zini, chefe do serviço de segurança interna israelita (Shin Bet), alertou o gabinete de que o acordo do Hamas sobre o plano de ação em Gaza é uma "armadilha estratégica" para ganhar tempo e garantir que Israel não volte a operar ali antes das eleições legislativas de 27 de outubro.

Vários ministros pressionaram Netanyahu para que declarasse formalmente a rejeição de Israel do plano anunciado no final de julho pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aprovado pelo Hamas, pelo qual este se compromete a desarmar se as tropas israelitas abandonarem a Faixa de Gaza.

O canal de televisão israelita i24News, que também teve acesso às deliberações do Gabinete, indicou hoje que, após a reunião, ficou no ar a autorização formal israelita da entrada na Faixa de Gaza da Força Internacional de Estabilização, contingente multinacional proposto no âmbito do Conselho de Paz promovido por Trump.

Durante a reunião, o ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista e supremacista Itamar Ben Gvir, também confrontou Netanyahu e instou-o a manter diariamente os ataques seletivos em Gaza, ao que o primeiro-ministro respondeu que "nos próximos 90 dias, nada será tático".

Após meses de ataques letais quase diários, o Exército israelita não bombardeia a Faixa de Gaza desde a noite de segunda-feira, dia em que o alto representante do Conselho da Paz para Gaza, Nikolai Mladenov, se reuniu com Netanyahu e alegadamente lhe pediu para parar os ataques.

No entanto, os ataques terrestres continuaram e cinco pessoas ficaram feridas nas últimas 24 horas, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas. Israel alega que os combatentes do Hamas se escondem entre os civis no território densamente povoado.

Segundo a mesma fonte, que não discrimina entre vítimas civis e combatentes, desde a entrada em vigor do cessar-fogo no passado dia 11 de outubro o balanço ascende a 1.255 mortos, 4.125 feridos e 806 corpos recuperados. Eleva-se assim a 73.382 o número de mortos e a 174.236 o de feridos desde o início da guerra, a 07 de outubro de 2023, que se seguiu ao massacre cometido pelo Hamas e outros grupos em Israel, no qual morreram 1.200 pessoas e 251 foram sequestradas e levadas para Gaza.

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