Generais prontos a retirar-se do governo do Egito

O Supremo Conselho das Forças Armadas aceitou a demissão do governo liderado por Essam Charaf, disse o seu líder, marechal Mohamed Hussein Tantaoui. Num discurso à nação transmitido pela televisão estatal, Tantaoui cedeu completamente às exigências dos manifestantes e garantiu que os militares estão prontos a retirar-se de imediato do poder, se a população assim o decidir em referendo.

RTP /
Egípcios assistem ao discurso do marechal Mohamed Tantaoui esta noite, garantindo que os militares não querem ficar no poder Khaled Elfiqui, EPA

Tantaoui anunciou ainda que as eleições presidenciais se vão realizar no final de Junho de 2012 "o mais tardar" e que será formado ainda um governo de salvação nacional, dentro de dias. "As forças Armadas, representadas pelo seu Supremo Conselho, não aspiram a governar e colocam o interesse supremo do país acima de todas as considerações", declarou ainda no seu discurso. "O exército está completamente preparado para entregar as responsabilidade imediatamente e regressar à sua missão original de proteger a nação se a nação assim o quiser, através de um referendo popular, se necessário", acrescentou.

O marechal negou igualmente que as forças de segurança tivessem intenção de fazer mal aos manifestantes nos últimos dias e que o único objetivo do Conselho foi o de garantir a ordem e a segurança nas ruas.

Tantaoui criticou os manifestantes dizendo que "pretendem arrastar-nos de novo para o passado".

As propostas de Tantaoui foram aparentemente rejeitadas pela multidão reunida na Praça Tahrir. Dezenas de milhares de pessoas gritaram "nós não nos vamos embora! Que se vá ele! (Tantaoui)".

Gabinete de crise

O Conselho das Forças Armadas esteve reunido esta terça-feira num gabinete de crise, durante quatro horas, com os principais partidos egípcios, procurando uma saída para o impasse político e os confrontos entre dezenas de milhares de pessoas e as forças de segurança, que duram desde sábado e fizeram pelo menos 29 mortos.

Algumas fontes disseram que o Conselho estava a considerar o nome de Mohamed ElBaradei para novo primeiro-ministro. Outro nome é o de Albdelmoneim Aboul Fatouh, ex-membro da Irmandade Muçulmana.

O acordo para um governo de salvação nacional torna de novo possível a realização das eleições legislativas. Os protestos dos últimos dias estavam a colocar em causa o escrutínio que tem início marcado para segunda-feira 28 de novembro e deverá terminar em Março de 2012.

EUA apelam ao fim da violência

Dezenas de milhar de pessoas permancem concentradas na Praça Tahrir e ruas adjacentes. E prometem não arredar pé enquanto Tantaoui e os seus generais se mantiverem no poder.

As multidões exigem há quatro dias a demissão dos militares, com o marechal Tantaoui à cabeça e a sua substituição por um governo civil interino. Entraram já em confrontos com a polícia de choque e soldados que protegem os acessos ao ministério do Interior.

Os Estados Unidos reagiram entretanto à repressão dos últimos dias. A Casa Branca apelou ao fim da "violência deplorável" e disse que as eleições têm de seguir em frente. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney sublinhou, "Apelamos à contenção de todos os envolvidos."

Três estudantes americanos foram detidos nas manifestações dos últimos dias, segundo fontes do ministério egípcio do Interior. Os tr~es foram detidos num telhado do edifício da Universidade Americana no Cairo, quando atiravam bombas incendiárias sobre as forças de segurança que enfrentavam os manifestantes da Pra Tahrir.

A Universidade e as famílias dos estudantes identificaram-nos como Luke Gates, de 21 anos, da Universidade de Indiana; Gregory Porter, da Universidade de Drexel; e um estudante da Universidade de Georgetown.


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